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Mark Zuckerberg transforma mais de 930 hectares do Havaí em um megarefúgio particular, entra para o grupo dos maiores proprietários privados do arquipélago e combina pecuária, gengibre, macadâmia, restauração de plantas nativas e proteção de espécies ameaçadas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/09/2026 às 00:45
Atualizado em 07/09/2026 às 00:46
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Mark Zuckerberg amplia propriedade no Havaí para mais de 930 hectares, com pecuária, agricultura, restauração nativa e proteção de espécies.
Mark Zuckerberg levou a dimensão de sua propriedade no Havaí a outro patamar. Depois de uma nova aquisição de 962 acres, cerca de 389 hectares, em Kauai, o fundador da Meta passou a controlar mais de 2.300 acres na ilha, equivalentes a mais de 930 hectares, uma área que o coloca entre os grandes proprietários privados de terras do estado. Parte considerável desse território, segundo representantes do empresário, não é destinada às residências: abriga pecuária, cultivo de gengibre orgânico, cúrcuma e macadâmia, recuperação de plantas nativas e iniciativas voltadas à proteção de animais ameaçados.
Segundo a WIRED, que revelou a expansão em julho de 2025, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, acrescentaram 962 acres de terras de pastagem ao complexo conhecido como Ko’olau Ranch.
Com isso, a área total controlada pelo casal em Kauai saltou de aproximadamente 1.400 para mais de 2.300 acres, enquanto o investimento total relacionado ao complexo, incluindo terrenos e construções, já ultrapassava US$ 300 milhões, ou cerca de R$ 1,54 bilhão.
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Paulo Nogueira
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Mais de 930 hectares colocam propriedade em uma escala difícil de imaginar
Os 2.300 acres mencionados pela WIRED correspondem a aproximadamente 931 hectares ou 9,31 quilômetros quadrados.
Em termos puramente territoriais, isso equivale a mais de 9 milhões de metros quadrados.
A dimensão é especialmente marcante porque não se trata de uma grande fazenda adquirida em uma única transação.
O território foi sendo montado gradualmente por Zuckerberg e Chan ao longo de mais de uma década, por meio da aquisição de grandes propriedades adjacentes ou próximas umas das outras na costa norte de Kauai.
A compra mais recente também atravessa a estrada em relação ao núcleo original da propriedade. Portanto, os mais de 930 hectares representam o conjunto das terras do casal em Kauai e não necessariamente um único bloco contínuo sem interrupções.
Ainda assim, a escala fez a WIRED afirmar que Zuckerberg passou a figurar entre os maiores proprietários de terras do Havaí.
Tudo começou em 2014 com cerca de 700 acres e mais de US$ 100 milhões
A construção desse enorme patrimônio territorial começou em 2014, quando Zuckerberg tinha 30 anos. Naquele ano, a Forbes confirmou a aquisição de duas grandes áreas adjacentes na costa norte de Kauai. Uma delas era a Kahu’aina Plantation, antiga plantação de cana-de-açúcar com 357 acres e uma fazenda orgânica em funcionamento.
A outra envolvia grande participação em uma propriedade de 393 acres na região de Pila’a Beach. Somadas, as aquisições criaram um refúgio de aproximadamente 700 acres, mais de 280 hectares.
O desembolso total já ultrapassava US$ 100 milhões naquele momento.
Um detalhe importante apareceria repetidamente nas discussões sobre o projeto: somente a Kahu’aina Plantation tinha autorização anterior para um empreendimento que poderia chegar a 80 residências.
O plano não avançou depois da aquisição por Zuckerberg.
Em 2021 chegaram mais quase 600 acres por US$ 53 milhões
A expansão continuou. Em março de 2021, Zuckerberg e Priscilla Chan adquiriram outros 595,4 acres, normalmente arredondados para 600 acres, em frente a Larsen’s Beach.
Segundo a Hawaii News Now, os terrenos foram comprados da organização sem fins lucrativos Waioli Corporation por US$ 53 milhões. Após a operação, as propriedades do casal na ilha já ultrapassavam 1.300 acres.
A Waioli afirmou na época que havia levado em consideração o compromisso demonstrado pelo casal com conservação das terras, proteção de espécies nativas e preservação da beleza natural de Kauai.
A organização também disse esperar que as atividades pecuárias existentes continuassem.
Essa compra aproximou ainda mais a propriedade do formato atual, no qual áreas residenciais coexistem com grandes extensões destinadas a pastagem, agricultura e conservação.
Maior aquisição individual veio em 2025 com outros 389 hectares
A mudança decisiva ocorreu em 2025. A WIRED descobriu que Zuckerberg havia adquirido outros 962 acres, equivalentes a aproximadamente 389 hectares, de terras utilizadas como rancho do outro lado da estrada em relação ao complexo principal.
Foi a maior compra individual realizada pelo empresário em Kauai em termos de área.
O vendedor era o Mary Lucas Trust Estate. Segundo a reportagem, essas terras haviam sido arrendadas anteriormente para plantações de cana-de-açúcar e posteriormente convertidas novamente em pastagens para gado.
Somada às aquisições anteriores, a operação levou o total para mais de 2.300 acres.
Terreno gigantesco não é ocupado apenas por mansões
O tamanho do complexo pode transmitir a impressão de que os mais de 930 hectares estejam cobertos por residências, estradas e edifícios privados.
Não é isso que representantes de Zuckerberg e Chan afirmam.
A porta-voz Brandi Hoffine Barr declarou à WIRED que a vasta maioria da propriedade é dedicada à agricultura, incluindo criação de gado, cultivo orgânico de gengibre, produção de macadâmia e plantação de cúrcuma.
A mesma declaração cita explicitamente restauração de plantas nativas e proteção de espécies ameaçadas entre os usos das terras.
Em reportagens anteriores, representantes do casal disseram que menos de 1% do território total estava desenvolvido, enquanto o restante permanecia destinado a agricultura, pecuária, conservação, espaços abertos e preservação da vida selvagem.
Gado Wagyu e Angus fazem parte de projeto agrícola do bilionário
Uma das atividades mais conhecidas dentro de Ko’olau Ranch é a pecuária. Zuckerberg tornou público um projeto de criação de bovinos Wagyu e Angus, dizendo que pretendia produzir carne de altíssima qualidade no próprio rancho.
A ideia chamou atenção porque o empresário afirmou que os animais receberiam, entre outros componentes da alimentação, farinha de macadâmia e cerveja produzidas no próprio local.
A iniciativa transformou a macadâmia em parte de um sistema produtivo maior dentro da propriedade, combinando agricultura e pecuária.
A dimensão exata do rebanho não foi divulgada oficialmente, mas a nova aquisição de 962 acres possui histórico de uso pecuário.
Com quase 400 hectares adicionais, o potencial físico da atividade aumentou substancialmente.
Gengibre, cúrcuma e macadâmia dividem espaço com vegetação nativa
A agricultura do complexo não está limitada à alimentação dos bovinos.
Representantes de Zuckerberg e Chan afirmam que há produção de gengibre orgânico, cúrcuma e macadâmia, além de uma estrutura voltada à recuperação da vegetação nativa de Kauai.
A restauração de plantas nativas possui relevância especial no Havaí.
O isolamento geográfico do arquipélago permitiu a evolução de numerosos organismos endêmicos, mas também tornou seus ecossistemas altamente vulneráveis a alterações de habitat e à introdução de espécies invasoras.
Segundo a equipe do casal, especialistas locais em conservação também trabalham em iniciativas destinadas a aves nativas e outras populações classificadas como ameaçadas ou em risco.
Projeto residencial continua sendo apenas uma parte da história
Ko’olau Ranch também ficou conhecido internacionalmente pelas construções realizadas dentro do território.
Em 2023, documentos públicos analisados pela WIRED mostraram planos para duas grandes residências centrais ligadas a um abrigo subterrâneo de cerca de 5 mil pés quadrados, aproximadamente 465 metros quadrados, além de casas de hóspedes, instalações operacionais, sistemas próprios de água e outras estruturas.
Em 2025, a investigação encontrou planos para outros três grandes edifícios, entre aproximadamente 7.820 e 11.152 pés quadrados cada, destinados a ampliar a estrutura existente.
O custo estimado de dois desses prédios ficava entre US$ 3,5 milhões e US$ 4 milhões cada.
Somando compra de terras e construções, a WIRED calculou que o investimento no complexo já ultrapassava US$ 300 milhões, aproximadamente R$ 1,54 bilhão na cotação atual.
Antigo plano para 80 casas deu lugar a uma propriedade gigantesca de uso privado
Quando Zuckerberg adquiriu a Kahu’aina Plantation em 2014, a propriedade já tinha aprovação que permitia desenvolvimento de até 80 casas, segundo a Forbes.
Representantes do casal afirmam que esses planos foram cancelados depois da aquisição.
Isso significa que uma área que poderia ter sido subdividida para dezenas de residências permaneceu concentrada em uma grande propriedade privada, com extensões reservadas para agricultura, conservação e uso familiar.
A decisão pode ser analisada sob duas perspectivas distintas.
Por um lado, evita uma urbanização residencial muito mais fragmentada daquele trecho da costa. Por outro, consolida uma quantidade extraordinária de território sob controle privado de um dos homens mais ricos do planeta.
É justamente essa tensão entre preservação, propriedade privada, desenvolvimento e acesso à terra que acompanha Ko’olau Ranch desde sua origem.
De refúgio de 280 hectares a território privado com mais de 9 milhões de m²
Quando Zuckerberg chegou a Kauai como grande proprietário de terras em 2014, sua área já parecia gigantesca: cerca de 700 acres, equivalentes a pouco mais de 280 hectares.
Hoje, o número supera 2.300 acres e 930 hectares.
Nesse intervalo, o projeto deixou de ser simplesmente uma propriedade litorânea de luxo. Passou a reunir residências, estruturas subterrâneas e operacionais, produção de alimentos, pastagens, gado Wagyu e Angus, gengibre, cúrcuma, macadâmia, recuperação de vegetação nativa e iniciativas de proteção à fauna ameaçada.
Ao mesmo tempo, a expansão colocou Zuckerberg no centro de debates locais sobre concentração fundiária, sepultamentos ancestrais, direitos tradicionais e o impacto da chegada de bilionários ao arquipélago.
O resultado é um dos projetos privados mais incomuns associados a um magnata da tecnologia.
Em pouco mais de uma década, Mark Zuckerberg transformou compras iniciadas com cerca de 700 acres numa propriedade havaiana superior a 9 milhões de metros quadrados, grande o suficiente para abrigar simultaneamente um complexo residencial bilionário, uma operação pecuária, plantações, áreas abertas e projetos de restauração de um dos ecossistemas mais singulares do planeta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

