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Mestrando de engenharia têxtil que colocou sensor em máquina velha de fábrica para contar a produção sozinho ficou em segundo entre 110 projetos no prêmio da indústria catarinense
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 11/09/2026 às 21:19
Atualizado em 11/09/2026 às 21:34
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A máquina da fábrica têxtil era velha e não falava com computador nenhum. O mestrando pendurou um sensor nela, ensinou o sistema a ler o movimento das peças e transformou aquilo em metros produzidos num painel que atualiza em tempo real. O projeto ficou em segundo lugar entre cento e dez inscritos.
O autor é Wellington dos Santos Valente, mestrando em Engenharia Têxtil na UFSC de Blumenau, em Santa Catarina.
A premiação aconteceu em 2 de setembro de 2026, na sede da Fiesc, em Florianópolis, e a universidade divulgou o resultado em 10 de setembro.
Retrofitting digital é dar internet a máquina que nasceu sem ela
O projeto se chama Plataforma IIoT para Retrofitting Digital, voltada à automação de apontamento de produção e de parada numa indústria têxtil.
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Paulo Nogueira
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Retrofitting, nesse contexto, significa modernizar equipamento existente em vez de trocá-lo. IIoT é a sigla para internet industrial das coisas.
Ou seja, a proposta não pede máquina nova. Ela pega a máquina que já está no chão de fábrica e faz ela contar o que produziu.
É a diferença entre um projeto de laboratório e um projeto que a empresa consegue comprar. Trocar parque custa investimento de anos; instrumentar o parque existente cabe no orçamento de um trimestre.
O sensor lê movimento e o sistema traduz em metro produzido
A descrição do próprio autor é direta. Segundo ele, o dispositivo lê o movimento das peças e traduz isso automaticamente em metros ou peças produzidas, enviando o dado em tempo real pela internet.
O destino da informação é um painel de gestão. Portanto, o encarregado deixa de depender de anotação manual para saber quanto saiu de cada máquina.
Parece simples. Contudo, é exatamente esse dado que falta na maioria das fábricas de porte médio no Brasil.
Apontamento manual é onde a produtividade se perde
No modelo tradicional, o operador anota a produção em ficha de papel e alguém digita depois. O número chega ao gestor com horas ou dias de atraso.
Pior que o atraso é a parada não registrada. Quando a máquina fica ociosa por dez minutos, isso raramente entra na conta.
Vejo esse ponto como o coração do projeto. Medir parada é mais valioso do que medir produção.
Parada de máquina é o custo que ninguém vê no balanço
Fábrica costuma saber quanto produziu. Poucas sabem quanto tempo a máquina ficou parada e por qual motivo.
Sem esse registro, a manutenção vira reativa e a programação da produção trabalha com estimativa. Assim, o gestor descobre o gargalo só quando o pedido atrasa.
Um sistema que marca início e fim de cada parada transforma esse ponto cego em relatório.
A indústria têxtil catarinense vive de máquina com décadas de uso
O Vale do Itajaí concentra parte relevante da indústria têxtil brasileira, com parque instalado que combina equipamento moderno e máquina de décadas.
Trocar tudo por linha conectada custa milhões e não cabe no caixa da maioria das empresas da região.
Por isso a solução de retrofit tem apelo comercial imediato. Ela ataca o parque que existe, não o parque ideal.
Some-se a isso a pressão do cliente por prazo curto e lote pequeno. Sem dado em tempo real, a fábrica não consegue prometer entrega com segurança nesse modelo.
Segundo lugar entre 110 projetos inscritos
O Prêmio IEL de Talentos recebeu 110 projetos nesta edição, e o trabalho de Blumenau ficou em segundo lugar na categoria Projeto Inovador.
O prêmio é promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, braço do sistema da indústria voltado à aproximação entre universidade e empresa.
Assim, o critério não é acadêmico puro. Ele pesa aplicabilidade industrial.
A etapa nacional acontece em dezembro
Os vencedores da etapa catarinense representam o estado na fase nacional, marcada para dezembro de 2026.
É quando os projetos estaduais disputam entre si, com bancas formadas por representantes da indústria de todo o país.
Até lá, o trabalho costuma passar por refinamento, com ajuste de apresentação e de demonstração prática.
Projetos que chegam à final nacional com aplicação já rodando em empresa levam vantagem. Portanto, os próximos meses valem mais como validação industrial do que como preparação de palco.
Engenharia têxtil é um curso pequeno e muito específico
A UFSC de Blumenau é uma das poucas instituições brasileiras com formação dedicada à engenharia têxtil em nível de pós-graduação.
É uma área que combina química de fibra, mecânica de máquina e processo industrial, e que emprega diretamente no polo da região.
Por isso um projeto assim raramente fica na gaveta. Ele nasce perto da fábrica que tem o problema.
IIoT deixou de ser conversa de congresso e virou item de orçamento
Há cinco anos, internet industrial das coisas aparecia mais em palestra do que em chão de fábrica brasileiro. O custo de sensor e de conectividade segurava a adoção.
Esse custo caiu. Hoje um nó de medição sai por valor que uma empresa média aprova sem reunião de diretoria, e a conexão usa a mesma rede que já existe no galpão.
Portanto, o gargalo deixou de ser preço e passou a ser quem sabe integrar sensor, máquina antiga e painel de gestão.
O que não foi divulgado sobre o projeto
A universidade não informou a idade do premiado nem o nome da indústria têxtil onde a plataforma foi aplicada.
Também não há, no material oficial, número de máquinas conectadas ou ganho percentual de produtividade medido.
A publicação com a entrevista está no portal de notícias da UFSC.
Conectar máquina velha é mais barato que comprar máquina nova
O recado do projeto serve para além do setor têxtil. Metalúrgica, cerâmica, moveleira e alimentícia convivem com o mesmo parque envelhecido.
Um sensor e um software custam uma fração do preço de um equipamento novo, e entregam a informação que falta para gerir a operação.
Quem acompanha esse tema pode ver também outros projetos de modernização industrial brasileira. O que você acha dessa solução?
A fábrica onde você trabalha ainda anota a produção no papel ou já mede tudo em tempo real?
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Fonte
UFSC — Estudante da UFSC Blumenau recebe prêmio por projeto inovador
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

