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Morador começa a cavar o quintal para construir um terraço, esbarra em algo que pensa ser ferro velho, mas começa a puxar um objeto de prata atrás do outro até descobrir um vaso repleto de moedas, joias e barras que somam 18,5 kg e formam o maior tesouro viking já encontrado na Dinamarca: “A maior surpresa da minha vida”
Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/09/2026 às 17:45
Atualizado em 03/09/2026 às 17:46
Curiosidades
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Uma reforma doméstica aparentemente comum revelou sob o quintal uma coleção viking enterrada havia cerca de mil anos, com centenas de peças de prata capazes de mostrar como riqueza, comércio e pagamentos funcionavam naquele período.
Era para ser apenas uma obra no quintal.
Um morador de Rebild, no norte da Dinamarca, retirava grama, pedras e cascalho para construir um novo terraço quando a ferramenta bateu em algo que produziu um som estranho.
Pouco depois, começaram a aparecer moedas, joias e barras de prata onde deveria existir apenas terra.
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Paulo Nogueira
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A descoberta, divulgada no fim de agosto de 2026, acabou revelando o maior tesouro de prata da Era Viking já conhecido na Dinamarca.
São aproximadamente 18,5 quilos de prata distribuídos por cerca de 700 objetos e fragmentos, quase três vezes o peso do antigo recordista do país, o Tesouro de Terslev, com aproximadamente 6,5 quilos.
Segundo o Nordjyske Museer, responsável pela investigação arqueológica, o conjunto foi enterrado durante o século X.
O homem que encontrou o material preferiu permanecer anônimo.
O que ele retirou do solo, porém, vai muito além de um conjunto de objetos valiosos.
Para os arqueólogos, a forma como barras, pedaços de joias e moedas foram reunidos ajuda a mostrar como riqueza, pagamentos e comércio funcionavam na sociedade viking há mais de mil anos.
Reforma no quintal revelou 18,5 quilos de prata viking
A descoberta ocorreu quando o proprietário preparava o terreno para instalar um terraço de piso em sua casa.
Segundo o relato divulgado pelo museu, o trabalho deveria levar apenas algumas horas.
Cerca de meia hora depois de começar a escavação, a ferramenta atingiu algo metálico.
“Deveriam ter sido apenas algumas horas de trabalho pesado no jardim”, contou o morador, que classificou o achado como “a maior surpresa da minha vida”.
No início, ele pensou ter encontrado ferro velho, pedaços de cerca e fragmentos de cerâmica.
Ao começar a retirar a terra com as mãos, percebeu que objetos metálicos continuavam surgindo.
“Depois de pouco tempo trabalhando cuidadosamente, percebi que eram joias, moedas e barras de prata”, relatou ao Nordjyske Museer.
Uma parte considerável do tesouro ainda estava concentrada no recipiente original.
Cerca de 320 objetos, pesando juntos 6,4 quilos, permaneciam dentro de um vaso de barro, enquanto o restante havia se espalhado pelo solo ao redor.
Tesouro tinha moedas, barras e um pequeno martelo de Thor
O conjunto não é formado apenas por moedas.
Os arqueólogos catalogaram numerosas barras de prata, braceletes, pedaços de joias cortados, fragmentos de prata e 47 moedas inteiras ou fragmentadas.
Entre os objetos também aparece um pequeno martelo de Thor, símbolo ligado à religião nórdica pré-cristã.
A presença desse objeto ganha um significado ainda mais curioso quando observada ao lado das moedas encontradas no mesmo depósito.
Uma delas foi produzida em York, na Inglaterra, entre 921 e 925, período em que a cidade estava sob domínio viking.
Segundo Kirstine Pommergaard, do Museu Nacional da Dinamarca, essa moeda traz um martelo e uma espada, além de uma inscrição associada a São Pedro.
Para a pesquisadora, o objeto registra um período de transição em que símbolos cristãos e da tradição nórdica podiam coexistir.
As moedas também ajudam os especialistas a estimar quando o tesouro foi escondido.
Como exemplares ingleses cunhados no início do século X fazem parte do conjunto, o enterramento necessariamente ocorreu depois que essas moedas começaram a circular.
Peso da prata ajudava a determinar o valor na Era Viking
Uma das características que mais interessam aos pesquisadores não está no desenho das joias, mas no peso das peças.
Grande parte do tesouro é composta por barras, braceletes cortados e fragmentos de prata.
Na economia viking, esses objetos podiam funcionar como reserva de riqueza e como meio de pagamento, com o valor determinado principalmente pela quantidade e pela qualidade do metal.
Isso explica por que joias aparentemente valiosas podiam ser cortadas em pedaços menores.
Segundo Torben Sarauw, arqueólogo e gestor de patrimônio cultural do Nordjyske Museer, os diferentes objetos aparecem organizados em grupos de peso semelhantes.
Para ele, isso indica que o conjunto não foi reunido aleatoriamente, mas fazia parte de um sistema estruturado de valor.
Sarauw comparou a descoberta a encontrar um “cofre da Era Viking”.
A importância, segundo ele, não está somente nos objetos preservados, mas na oportunidade de observar como uma grande quantidade de riqueza havia sido organizada antes de ser escondida.
Barra de prata traz inscrição rúnica ainda sem explicação
No meio dos centenas de objetos, uma única barra apresenta outro mistério.
Nela, alguém gravou caracteres rúnicos que podem formar a palavra “hutu”.
Os especialistas ainda não sabem exatamente o que a inscrição significa.
Entre as possibilidades consideradas estão um nome, uma marca indicando propriedade ou algum outro tipo de identificação.
O detalhe mostra que mesmo um objeto aparentemente simples, produzido para funcionar como uma quantidade de prata de determinado peso, podia carregar informações adicionais sobre quem o possuía ou utilizava.
Sem uma interpretação segura das runas, porém, o significado permanece em aberto.
Moedas ligam a Dinamarca viking à Inglaterra e ao mundo islâmico
O tesouro também ajuda a visualizar a distância percorrida por objetos no século X.
Entre as moedas estão exemplares anglo-saxões da Inglaterra e dirhams árabes, moedas de prata produzidas em regiões do mundo islâmico.
Muitos dos dirhams aparecem cortados, algo compatível com um sistema em que a prata podia ser avaliada pelo peso, independentemente de a moeda continuar inteira.
Para Torben Sarauw, essas peças mostram que a região de Rebild estava ligada a redes que alcançavam a Inglaterra a oeste e áreas do mundo islâmico a leste.
“A prata estava escondida em Rebild, mas aponta para um mundo muito maior”, afirmou o arqueólogo ao explicar as conexões reveladas pelas moedas.
A presença desses objetos não significa necessariamente que o antigo proprietário tenha viajado pessoalmente por todas essas regiões.
Mercadorias e metais podiam circular por diferentes intermediários e rotas comerciais antes de chegar à Escandinávia.
Região de Rebild já escondia outros tesouros vikings
O novo achado não é o primeiro da região.
Em 1971, outro depósito de prata da Era Viking foi encontrado nas proximidades.
Conhecido como Tesouro de Rebild, ele reúne cerca de quatro quilos de barras, joias quebradas e pequenos pedaços de prata.
Mais recentemente, em 2026, arqueólogos também encontraram na região de Rold seis braceletes de ouro intactos da Era Viking, pesando juntos 762,5 gramas.
Para o Nordjyske Museer, a concentração desses achados reforça a importância da região durante o período viking e sugere conexões econômicas e culturais muito mais amplas do que uma área isolada poderia indicar.
Tesouro será analisado pelo Museu Nacional da Dinamarca
Ainda existe uma questão sem resposta: por que alguém enterrou tanta prata e nunca voltou para buscá-la?
Como o local da descoberta está hoje dentro de uma área residencial moderna, os arqueólogos não conseguem realizar uma escavação ampla em todo o entorno.
O tesouro pode ter sido escondido perto de um assentamento, ao lado de uma antiga rota de circulação ou simplesmente em um ponto considerado seguro por seu proprietário.
Sem evidências adicionais, o motivo exato continua desconhecido.
O conjunto foi classificado como danefæ, categoria usada na Dinamarca para achados históricos valiosos que pertencem ao Estado.
O material será avaliado pelo Museu Nacional da Dinamarca.
O Nordjyske Museer também informou que pretende estudar a possibilidade de exibir o tesouro permanentemente no Vikingemuseet Fyrkat, ao lado dos seis braceletes de ouro encontrados em Rold.
Uma exposição desse porte, no entanto, dependerá de requisitos específicos de segurança, conservação, vitrines, alarmes e monitoramento.
Assim, uma obra doméstica que deveria terminar com um novo terraço acabou revelando uma coleção escondida durante aproximadamente mil anos.
Debaixo de poucos centímetros de solo estavam não apenas 18,5 quilos de prata, mas pedaços de uma rede econômica que ligava a Dinamarca viking à Inglaterra, ao mundo islâmico e a outras regiões muito além do quintal onde o tesouro voltou à luz.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

