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Mulher caminhava de madrugada quando viu um clarão no céu e foi atingida no ombro por destroço de foguete lançado 9 meses antes; peça do tamanho de uma lata fez dela um caso único na história
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 16/09/2026 às 11:49
Atualizado em 16/09/2026 às 11:50
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Em janeiro de 1997, uma funcionária dos Correios dos Estados Unidos viu uma bola de fogo atravessar o céu de Oklahoma e, minutos depois, sentiu um objeto cair sobre seu ombro. A investigação identificou um provável fragmento de foguete lançado em abril de 1996, transformando Lottie Williams na primeira pessoa conhecida a ser atingida por lixo espacial.
Uma caminhada noturna terminou em um episódio que entrou para a história da exploração espacial. Em 22 de janeiro de 1997, a norte-americana Lottie Williams foi atingida no ombro por um pequeno fragmento que havia retornado à Terra depois de permanecer meses em órbita.
Conforme reportagem publicada pelo Guinness World Records, em setembro de 2026, a investigação envolveu astrônomos, pesquisadores e a Força Aérea dos Estados Unidos. Os especialistas concluíram que o objeto provavelmente pertencia ao segundo estágio de um foguete Delta II.
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O episódio não deixou ferimentos. Entretanto, transformou Williams em um caso singular: ela se tornou a primeira pessoa conhecida a ser atingida por um fragmento de lixo espacial, episódio posteriormente reconhecido pelo Guinness World Records.
Caminhada às 3h36 terminou com um objeto desconhecido caindo sobre seu ombro
Na madrugada de 22 de janeiro de 1997, Lottie Williams caminhava com outras mulheres pelo O’Brien Park, em Turley, Oklahoma, nos Estados Unidos. O grupo costumava se exercitar naquele horário porque suas integrantes trabalhavam em turnos que começavam cedo ou terminavam tarde.
A temperatura estava próxima de zero grau Celsius. Além disso, as nuvens que haviam encoberto a região durante o dia se dissiparam, permitindo que as mulheres observassem o céu estrelado.
Por volta das 3h36, Williams percebeu um objeto luminoso atravessando o céu de norte a sul. A luz passou pelo horizonte oeste e produziu um clarão intenso antes de desaparecer. Inicialmente, ela acreditou ter presenciado uma estrela cadente.
Entretanto, alguns minutos depois, a caminhada tomou um rumo inesperado. Williams ouviu um barulho semelhante ao de uma bola atingindo os galhos de uma árvore. Logo em seguida, um objeto pequeno acertou seu ombro e caiu na grama.
Ela procurou o fragmento e encontrou uma peça escura, deformada e com aparência de plástico derretido. O material tinha aproximadamente o tamanho e o peso de uma lata de refrigerante vazia.
Embora não soubesse naquele momento, a norte-americana acabara de protagonizar o primeiro caso conhecido de uma pessoa atingida por lixo espacial.
Mulher levou fragmento à biblioteca e iniciou investigação que chegou à Força Aérea dos EUA
Intrigada com a possibilidade de o objeto estar relacionado ao clarão, Williams decidiu procurar respostas. Seu primeiro destino foi a biblioteca pública da região.
Os funcionários também consideraram o material incomum e recomendaram que ela procurasse o clube de astronomia de Tulsa. Os integrantes identificaram características de um objeto fabricado por seres humanos e ajudaram a encaminhar o caso aos especialistas.
Posteriormente, Williams conseguiu contato com pesquisadores da Universidade de Tulsa e do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.
A investigação ganhou outra dimensão quando a Força Aérea norte-americana tomou conhecimento do episódio. O fragmento seguiu para a Aerospace Corporation, instituição de pesquisa que trabalha com o setor aeroespacial.
No laboratório, os cientistas utilizaram microscópios, espectrômetros de raios X e outros equipamentos para investigar sua composição.
As análises identificaram fibra de vidro de qualidade aeroespacial com sinais de derretimento. Além disso, os pesquisadores encontraram pequenos resíduos de alumínio incorporados à superfície do material.
Segundo o Guinness World Records, essas características indicavam que o fragmento provavelmente fazia parte do revestimento isolante de um tanque de propelente. Os vestígios de alumínio eram compatíveis com material de um estágio de foguete que havia aquecido durante a passagem pela atmosfera.
Assim, os cientistas conseguiram identificar a natureza do objeto. Restava descobrir de qual missão espacial ele havia saído.
Foguete Delta II havia sido lançado em abril de 1996 e voltou à atmosfera nove meses depois
O clarão observado por Williams forneceu a principal pista da investigação.
Com base no depoimento da norte-americana e nos relatos de outras testemunhas em Kansas, Oklahoma e Texas, especialistas da Força Aérea reconstruíram a trajetória do objeto luminoso.
Em seguida, compararam os dados com informações sobre componentes espaciais que estavam em órbita naquele período.
A investigação apontou para o segundo estágio Aerojet AJ10-118K de um foguete Delta II, utilizado em uma missão militar norte-americana.
O foguete havia partido da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, em 24 de abril de 1996, para colocar um satélite da Força Aérea dos Estados Unidos em órbita.
Depois de cumprir sua função, o estágio permaneceu no espaço, em uma órbita que se degradava gradualmente. Aproximadamente nove meses depois, voltou à atmosfera terrestre.
Durante a reentrada, a estrutura começou a se desintegrar. Além disso, uma explosão, possivelmente relacionada à ignição de combustível remanescente, espalhou destroços por áreas dos Estados Unidos.
Um dos fragmentos acabou atingindo Williams.
O caso mostra o destino que componentes de foguetes podem ter após concluir suas missões. No Brasil, a indústria aeroespacial também desenvolve tecnologias próprias. Em reportagem do CPG, Roberta Souza detalhou como a Força Aérea Brasileira realizou o lançamento de um foguete de sondagem 100% nacional durante a Operação Potiguar, em novembro de 2024.
Entretanto, o veículo brasileiro era suborbital e não deve ser confundido com o estágio do Delta II, que permaneceu meses em órbita antes de retornar à Terra.
Um tanque de 250 quilos também caiu do foguete, mas mulher escapou sem ferimentos
O fragmento que atingiu Williams era pequeno e leve. Por isso, o impacto foi pouco intenso e não provocou ferimentos.
A peça acertou o ombro com força insuficiente para causar dor significativa através do casaco que ela vestia.
Contudo, outros destroços da mesma reentrada apresentavam dimensões muito maiores.
Segundo o Guinness World Records, o maior fragmento individual identificado foi um tanque de propelente de aproximadamente 250 quilos, que caiu nas proximidades de uma propriedade rural em Georgetown, no Texas.
A diferença de massa ajuda a explicar por que o desfecho poderia ter sido diferente caso um componente maior tivesse atingido alguém.
Apesar disso, não há registro de que Williams tenha sofrido qualquer lesão física.
Após a investigação, a Força Aérea permitiu que ela ficasse com o fragmento. A norte-americana colocou a peça em um saco plástico com fechamento hermético e a guardou em um cofre bancário.
O objeto se tornou uma lembrança de um encontro improvável com um equipamento que havia permanecido meses acima da atmosfera terrestre.
Por que o lixo espacial pode sobreviver à atmosfera e alcançar o solo?
Quando um objeto artificial retorna do espaço, ele enfrenta um ambiente extremo durante a passagem pela atmosfera. O aquecimento provocado pela compressão do ar e os esforços mecânicos podem destruir grande parte de sua estrutura.
Entretanto, nem todos os componentes desaparecem completamente. Dependendo das características do material, da massa e da trajetória, algumas peças conseguem sobreviver e alcançar a superfície terrestre.
Foi exatamente o que aconteceu com o estágio do Delta II.
O material que atingiu Williams apresentava sinais de derretimento, enquanto o tanque de 250 quilos demonstrou que componentes muito maiores também podem resistir à reentrada.
Atualmente, o problema ganha relevância com a expansão das atividades orbitais. A multiplicação dos satélites aumenta a importância do planejamento de suas operações e da destinação dos equipamentos ao final da vida útil.
Esse cenário também envolve grandes projetos comerciais. Em outra reportagem do CPG, Roberta Souza apresentou os planos de expansão da SpaceX, incluindo um complexo para operações com foguetes Starship e infraestrutura energética. A iniciativa ilustra a escala dos projetos de infraestrutura espacial, embora não constitua, por si só, evidência de aumento do risco de impactos sobre pessoas.
Assim, o desafio não consiste apenas em colocar equipamentos no espaço. Também envolve definir o que acontecerá com eles quando deixarem de funcionar.
O que aconteceu com Lottie Williams depois de entrar para a história?
Depois de receber o fragmento, Williams passou a tratar o episódio como uma história curiosa de sua vida.
Entretanto, sua notoriedade não terminou quando a investigação identificou a origem do material. Durante os anos seguintes, jornalistas voltaram a procurá-la sempre que um objeto espacial de grandes dimensões estava prestes a retornar à Terra.
Isso aconteceu, por exemplo, em 2001, quando a estação espacial russa Mir realizou sua reentrada, e novamente em 2008, após os Estados Unidos destruírem o satélite espião USA-193.
Apesar da repercussão, Williams não transformou o episódio em um empreendimento ou em uma carreira pública. Ela simplesmente conservou o fragmento como uma lembrança.
O caso também evidencia como a investigação de materiais espaciais depende de conhecimento científico e tecnologia especializada. No episódio de Oklahoma, os pesquisadores combinaram depoimentos, informações orbitais e análises laboratoriais para reconstruir a trajetória de um objeto que parecia impossível de identificar.
No Brasil, os avanços nesse campo também aparecem em projetos de desenvolvimento tecnológico. Roberta Souza abordou, no CPG, a parceria da Força Aérea Brasileira para desenvolver um novo foguete destinado ao veículo hipersônico 14-X, iniciativa que envolve conhecimentos de propulsão e engenharia aeroespacial. Trata-se de um projeto distinto da investigação do fragmento que atingiu Williams, mas relacionado ao desenvolvimento de tecnologias para veículos de alta velocidade.
Ela continua sendo a única pessoa conhecida atingida por lixo espacial?
Até a publicação da reportagem do Guinness World Records, em setembro de 2026, Lottie Williams continuava sendo reconhecida como a única pessoa conhecida a ter sido atingida por um fragmento de lixo espacial.
Entretanto, existe uma distinção importante: o episódio não significa que ela tenha sido a primeira pessoa atingida por qualquer material vindo do espaço.
Em 30 de novembro de 1954, Ann Hodges sofreu o impacto de um meteorito que atravessou o telhado de sua residência no Alabama. Nesse caso, o objeto tinha origem natural, diferentemente do fragmento artificial que atingiu Williams.
Portanto, os dois episódios precisam ser diferenciados para evitar que registros históricos distintos sejam confundidos.
No caso de Williams, a investigação associou o fragmento a uma missão espacial realizada nove meses antes do acidente. A peça caiu sobre seu ombro durante uma caminhada, não provocou ferimentos e acabou guardada como lembrança.
Quase três décadas depois, a história continua documentando um encontro raro entre uma pessoa e os restos de uma missão espacial.
E você: se encontrasse um fragmento de foguete que caiu do céu, guardaria a peça como lembrança ou entregaria o objeto para uma instituição científica?
Fonte
Guinness World Records
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

