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Multinacional francesa com 9 mil funcionários encerra fábrica de lã de vidro após 75 anos no Brasil, afeta cerca de 150 trabalhadores e toma decisão que muda completamente sua operação no país: antigo complexo industrial de São Paulo deixará de produzir e passará a distribuir materiais fabricados no exterior após acordo envolvendo reclamações de moradores e órgãos ambientais
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 18/09/2026 às 18:28
Atualizado em 18/09/2026 às 18:56
Indústria
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Após 75 anos fabricando lã de vidro em São Paulo, a Isover desliga suas linhas industriais, afeta cerca de 150 trabalhadores e encerra uma era no Brasil: acordo motivado por reclamações de moradores transforma a antiga fábrica em centro de distribuição, enquanto materiais antes produzidos no país passam a chegar de unidades estrangeiras e mudam completamente a estratégia da multinacional francesa no mercado brasileiro
Uma fábrica responsável por abastecer a construção civil e diferentes segmentos da indústria brasileira encerrou suas linhas de produção após 75 anos de atividade. A decisão atingiu cerca de 150 postos diretos e indiretos e mudou a estratégia da multinacional no país.
A unidade pertence à Isover, fabricante de materiais para isolamento térmico e acústico controlada pelo grupo francês Saint-Gobain. Instalada em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, a fábrica produzia lã de vidro desde 1951.
Com o encerramento, a companhia deixou de fabricar esse material em território nacional. Entretanto, a Isover não abandonou o mercado brasileiro. A empresa continuará vendendo seus produtos, mas passará a depender de materiais produzidos no exterior.
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Além disso, parte do antigo complexo industrial será transformada em uma estrutura de armazenagem e distribuição.
Isover encerra produção de lã de vidro no Brasil
A unidade paulista fabricava mantas, painéis, feltros, tubos e outras soluções feitas com lã de vidro. Esses materiais ajudam a controlar temperaturas e reduzir a propagação de ruídos.
Por isso, os produtos aparecem em imóveis residenciais, edifícios comerciais, fábricas, veículos e grandes obras de infraestrutura.
A fábrica, porém, entrou em um processo definitivo de desativação. Conforme o cronograma estabelecido, a fabricação de lã de vidro terminou em 4 de julho de 2026.
A companhia também iniciou o desligamento dos equipamentos usados nas etapas industriais. Entre eles está o forno de fusão, uma das estruturas centrais do processo produtivo.
O encerramento representa uma mudança importante para a operação brasileira. Durante décadas, parte dos materiais comercializados pela Isover saía diretamente da unidade de Santo Amaro.
Agora, a marca precisará importar produtos fabricados em outras unidades internacionais. A Isover possui uma rede global com aproximadamente 60 fábricas distribuídas por 28 países.
Fechamento afeta cerca de 150 trabalhadores
Quando o processo de encerramento começou, aproximadamente 100 funcionários diretos trabalhavam na fábrica. Outros 50 profissionais exerciam atividades indiretas ligadas à operação.
Dessa forma, cerca de 150 postos estavam associados ao complexo industrial.
A empresa informou que conduziria a paralisação gradualmente para reduzir os impactos sobre os trabalhadores e suas famílias. Contudo, a mudança da atividade fabril para a logística altera tanto o número quanto o perfil das vagas disponíveis.
Um centro de distribuição ainda precisa de profissionais para receber, armazenar, organizar e despachar mercadorias. Entretanto, essa estrutura não demanda as mesmas equipes necessárias para operar fornos, máquinas e linhas industriais.
Por isso, a manutenção do endereço não significa a preservação de todos os empregos existentes durante a fase de produção.
Apesar do impacto local, os 9 mil funcionários mencionados na dimensão da empresa correspondem à estrutura mundial da Isover, e não apenas à fábrica brasileira. Já a Saint-Gobain, controladora da marca, possui cerca de 160 mil trabalhadores em suas operações globais.
Reclamações ambientais antecederam encerramento
A desativação ocorreu após um processo envolvendo a empresa, moradores da região e órgãos ambientais.
Residentes próximos à fábrica apresentaram reclamações relacionadas a odores, fumaça, emissões e ruídos. Entre 2023 e 2025, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo também registrou autos de infração envolvendo a unidade.
Em 22 de dezembro de 2025, a Isover firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
O acordo definiu um cronograma para reduzir e encerrar as atividades industriais. Também estabeleceu obrigações ligadas ao controle das emissões, à desmontagem das instalações e ao acompanhamento ambiental do terreno.
Antes do fechamento, a companhia adotou medidas para diminuir os incômodos relatados pela vizinhança. A fábrica reforçou sistemas de isolamento acústico e implantou tecnologias voltadas ao controle das emissões.
Além disso, interrompeu determinadas atividades nos fins de semana e deixou de realizar alguns descarregamentos durante a noite.
A empresa declarou que cumpria a legislação aplicável e sustentou que não havia comprovação de prejuízos à saúde dos funcionários provocados pela operação. Mesmo assim, o acordo firmado com os órgãos públicos determinou o encerramento gradual da produção.
Segundo informações divulgadas sobre o TAC que definiu a desativação, a antiga planta deverá manter os controles ambientais necessários durante todo o processo.
Desmontagem do complexo seguirá até 2028
Embora a fabricação tenha terminado em 2026, o encerramento completo da estrutura industrial exigirá mais tempo.
A Isover ainda precisa desmontar equipamentos, remover instalações e encaminhar corretamente os resíduos gerados durante a desmobilização. O terreno também deverá passar por investigações e procedimentos ambientais.
Por esse motivo, algumas etapas poderão continuar até 2028.
Paralelamente, a companhia adaptará parte do espaço para a nova operação logística. O complexo receberá materiais produzidos no exterior e funcionará como base para abastecer os clientes brasileiros.
A mudança preserva a presença comercial da Isover no Brasil, mas encerra a fabricação nacional de lã de vidro mantida pela empresa.
Multinacional não deixou completamente o Brasil
Apesar da repercussão do fechamento, a decisão não representa a saída integral da Isover nem da Saint-Gobain do país.
A marca continuará atendendo clientes, vendendo materiais e mantendo atividades de distribuição. A Saint-Gobain também controla outros negócios e unidades industriais em território brasileiro.
Portanto, o que chegou ao fim foi a produção da Isover em Santo Amaro. A empresa deixou de fabricar lã de vidro no Brasil e passou a abastecer o mercado nacional por meio de importações.
Ainda assim, o encerramento possui forte peso histórico. A fábrica atravessou diferentes ciclos da construção civil, acompanhou a expansão urbana de São Paulo e permaneceu ativa durante aproximadamente sete décadas e meia.
Agora, o antigo endereço industrial começa outra fase. Onde funcionavam fornos e linhas de produção, a companhia pretende manter estoques e organizar a distribuição de mercadorias vindas de outros países.
Na sua opinião, transformar uma fábrica brasileira em centro de distribuição de produtos importados representa uma modernização necessária ou um preocupante sinal de perda industrial do país?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

