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Nem os chefes escapam: a Volkswagen vai eliminar 50 mil postos no mundo, cargos de gestão incluídos, somar isso aos 50 mil já fechados com os sindicatos e chegar a 100 mil empregos a menos até o fim da década, no mesmo dia em que prometeu € 135 bilhões para renascer na era elétrica
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/09/2026 às 12:21
Atualizado em 04/09/2026 às 12:22
Economia
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O Conselho de Supervisão aprovou por unanimidade o Plano do Futuro 2030, divulgado ao mercado na quinta-feira (3). A meta é vender nove milhões de veículos por ano com margem operacional de 9%, cortar o portfólio pela metade até 2035 e reavaliar as fábricas de Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm
O Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen aprovou por unanimidade o Plano do Futuro 2030, considerado o programa de transformação mais profundo da história da multinacional. A medida inclui um ajuste de aproximadamente 50 mil vagas na força de trabalho em todo o mundo, incluindo cargos de gestão, e o investimento de € 135 bilhões, cerca de R$ 800 bilhões, nos próximos anos.
As informações foram publicadas pelo ND Mais em 4 de setembro de 2026, às 11h30, em texto assinado por Renato Becker, de Florianópolis, com base no comunicado ao mercado divulgado pela Volkswagen na quinta-feira (3) e em declarações do CEO e da presidente do conselho de trabalhadores.
Corte se soma a outros 50 mil já pactuados com os trabalhadores
Os 50 mil postos aprovados agora são uma etapa que se soma ao programa de redução de custos de igual tamanho que já havia sido pactuado anteriormente com as representações dos trabalhadores.
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Paulo Nogueira
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Com a nova etapa oficializada pela diretoria e pelos sindicatos, o total acumulado de cortes no Grupo Volkswagen chega à marca de 100 mil empregos eliminados até o final da década. A conta, portanto, não é de um único anúncio, e sim de dois programas de mesmo tamanho encadeados.
Redução inclui cargos de gestão e será gradual
O ajuste de pessoal prevê a redução gradual de cerca de 50 mil postos de trabalho no mundo todo, incluindo cargos de gestão.
A adequação será feita ao longo dos próximos anos, priorizando medidas como aposentadorias programadas, rescisões voluntárias e não preenchimento de vagas abertas, conforme diretrizes pactuadas com as representações dos trabalhadores. O desenho indica que a empresa pretende esvaziar posições sem demissões em massa em uma data única.
€ 135 bilhões vão para capex e pesquisa entre 2027 e 2031
O plano prevê um montante alvo de € 135 bilhões em despesas de capital (capex) e pesquisa e desenvolvimento (P&D) para o período de planejamento entre 2027 e 2031.
Na cotação citada pela publicação, o valor equivale a R$ 800,71 bilhões. O investimento é apresentado pela empresa como a contrapartida ao corte de custos: enxugar a estrutura para financiar a virada tecnológica.
Meta é vender nove milhões de veículos por ano com margem de 9%
Para atingir as metas financeiras, o grupo planeja focar no seu negócio automotivo central, projetando vendas anuais de nove milhões de veículos.
A margem operacional buscada é de 9% até 2030. Os dois números funcionam como régua do plano: volume e rentabilidade definidos para o fim da década.
Portfólio de modelos será cortado pela metade até 2035
Entre as mudanças aprovadas está o corte de cerca de 50% no portfólio de veículos até 2035.
A complexidade das ofertas deve diminuir 75%, com foco em maior volume por modelo e custos menores. Na prática, menos versões e configurações por carro, o que reduz o custo de engenharia, produção e estoque de peças.
Fábricas europeias produzem 500 mil unidades além da demanda
A capacidade atual das fábricas europeias do grupo excede a demanda em mais de 500 mil unidades, segundo o plano.
A adequação dessa capacidade é uma das frentes centrais da reestruturação, e o excedente é o que explica por que a empresa fala em fechamento de fábricas e em estruturas de produção mais eficientes.
Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm passarão por reavaliação
Quatro fábricas localizadas na Alemanha terão a capacidade de produção e as alternativas operacionais reavaliadas: Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm.
As unidades passarão por reavaliação de alocação e usos alternativos, conforme o comunicado. A publicação não informa qual será o destino de cada planta nem prazos para as decisões.
Um terço das participações não estratégicas será cortado
O grupo também aprovou a redução de cerca de um terço no portfólio de participações e empresas não estratégicas.
A medida, chamada de simplificação de investimentos, atinge a estrutura societária da Volkswagen, e não apenas fábricas e modelos: menos empresas satélites para concentrar recursos no negócio automotivo central.
América do Norte foca em segmentos lucrativos e China vira base de exportação
Além das adequações no continente europeu, o Grupo Volkswagen reestruturará suas operações na América do Norte, focando nos segmentos mais lucrativos.
Na China, a empresa adaptou suas expectativas de crescimento no mercado local e vai expandir a exportação de veículos produzidos no país asiático em direção ao “Sul Global”. A mudança transforma a operação chinesa em plataforma de exportação, e não apenas em mercado consumidor.
Empresa já negou cortes no Brasil
A Volkswagen já negou cortes no Brasil, registra a publicação.
A ressalva delimita o alcance do ajuste de 50 mil postos anunciado como global, sem que a reportagem detalhe quais países concentrarão as reduções.
Blume promete investimento “na casa dos três dígitos de bilhões”
O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, confirmou a implementação de um plano de contingência severo em meio às negociações com trabalhadores na Alemanha.
“Assumimos a responsabilidade por toda a nossa equipe, nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo. Nos próximos anos, investiremos uma quantia na casa dos três dígitos de bilhões para tornar nossas marcas icônicas ainda mais atraentes, fortes e competitivas”, declarou Blume. Segundo ele, a aprovação do conselho representa um sinal claro para o futuro da companhia.
Representante dos trabalhadores fala em segurança no emprego como meta integrada
A presidente do Conselho Geral e de Empresa do Grupo Volkswagen, Daniela Cavallo, ressaltou que a segurança no emprego e a viabilidade econômica seguem como metas corporativas integradas.
“Isso fornece a base para que a empresa continue impulsionando o sucesso com modelos atraentes e ajude a garantir um futuro para os funcionários em cada localidade”, afirmou Cavallo. A fala vem da representação dos trabalhadores, parte que pactuou o programa anterior de 50 mil cortes e as diretrizes da nova redução.
Montadoras chinesas e queda de vendas motivam a reestruturação
A medida visa adequar a capacidade produtiva à nova realidade do mercado global, caracterizada pela desaceleração das vendas em regiões-chave, pela concorrência crescente de montadoras chinesas e pela necessidade de otimizar recursos para a transição em tecnologia e mobilidade elétrica, segundo a publicação.
A transição citada pela Volkswagen é descrita como a mudança global mais rápida e profunda da história da indústria automotiva, impulsionada pela virada acelerada para a eletromobilidade, pela digitalização e pela forte pressão competitiva internacional.
Plano aprovado, cortes em curso até 2030 e fábricas sob revisão
Com a aprovação unânime do Conselho de Supervisão na quinta-feira (3), o Plano do Futuro 2030 passa a valer como programa oficial da Volkswagen: 50 mil postos a menos no mundo, cargos de gestão incluídos, 100 mil no total acumulado até o fim da década, € 135 bilhões em capex e P&D entre 2027 e 2031, portfólio reduzido pela metade até 2035 e quatro fábricas alemãs sob reavaliação.
A publicação não informa o cronograma dos cortes por país, o destino de Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm nem quais participações serão vendidas. O que está definido são as metas de nove milhões de veículos por ano e 9% de margem operacional até 2030, e a promessa de que a redução de pessoal seguirá por aposentadorias, rescisões voluntárias e vagas não preenchidas.
Na sua opinião, cortar 100 mil empregos para financiar € 135 bilhões em carros elétricos é o caminho inevitável para a Volkswagen sobreviver à concorrência chinesa, ou a montadora está transferindo para os trabalhadores o custo de decisões estratégicas atrasadas? Deixe sua opinião nos comentários.
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Plano do Futuro 2030 Volkswagen
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

