A campanha da governadora Mailza Assis em Tarauacá vive um paradoxo político fascinante. Quando ela está na cidade, consegue unir em um mesmo palanque grupos que antes eram ferozes antagônicos. De um lado estão Jesus e Néia Sérgio, casal que, após a derrota nas urnas em 2024 para a prefeitura, foi amparado com cargos no governo estadual e agora disputa vagas de deputado federal e estadual pelo PL. Do outro lado está Rodrigo Damasceno, o atual prefeito que venceu os Sérgios, é filiado ao partido da governadora e, recentemente, antes das convenções partidárias, garantiu dois cargos estaduais com salários superiores a R$ 8 mil para o tio e o padrasto.
Ocorre que essa unidade dura apenas enquanto Mailza está presente. Na ausência dela, os grupos saem à caça de votos em separado. Afinal, enquanto Jesus e Néia caminham com suas próprias candidaturas, Rodrigo Damasceno e seu grupo apoiam uma salada de nomes para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Federais, com destaque para Socorro Neri e Fábio Rueda.
Diante desse cenário, surge a grande dúvida: quando as urnas forem abertas, caso a vitória sorria para a governadora em Tarauacá, quem será o pai dos votos? E, se o resultado for ruim, quem vai assumir a culpa?
Não custa lembrar a regra de ouro da política local: quando o prefeito abraça uma candidatura, muita gente pode trabalhar nos bastidores, mas no final o nome que fica em evidência é o dele, seja para o positivo ou para o negativo. Se Mailza vencer, Rodrigo Damasceno usará o peso da máquina municipal para reivindicar a paternidade dos votos, embora o grupo de Jesus e Néia certamente vá tentar dividir os créditos apostando na capilaridade de sua base tradicional. Por outro lado, em caso de derrota, a corda tende a arrebentar justamente do lado do prefeito. Como ele mantém apoios divididos para outros parlamentares e já flertou no passado com a oposição estadual, Damasceno será o alvo preferencial para carregar a culpa pelo revés, abrindo margem para os Sérgios cobrarem exclusividade política do Palácio Rio Branco.

