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Papagaio que não voa, vive à noite, pesa até 4 quilos e só se reproduz a cada dois ou quatro anos bate recorde de 90 filhotes e faz população saltar de apenas 51 para 325 aves na Nova Zelândia
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 18/09/2026 às 11:04
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Kākāpō chegou a 325 indivíduos em 2026 após temporada reprodutiva histórica na Nova Zelândia, três décadas depois de população cair para apenas 51 aves.
Em 2026, o kākāpō, um raro papagaio da Nova Zelândia que não voa, vive à noite e pode passar anos sem se reproduzir, alcançou um marco histórico ao chegar a 325 indivíduos. O resultado veio depois que 90 filhotes sobreviveram até os 150 dias e foram oficialmente incorporados à população pelo Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC).
O feito chama atenção não apenas pelo número de filhotes, mas pelo ponto de onde começou a recuperação. Em 1995, restavam apenas 51 kākāpō, sendo 31 machos e 20 fêmeas, cenário que colocou a espécie diante de problemas como baixa diversidade genética, dificuldades reprodutivas e risco de desaparecimento.
A recuperação está longe de significar que o perigo acabou. O kākāpō continua criticamente ameaçado e ainda depende de áreas protegidas, monitoramento e manejo para enfrentar predadores, doenças, baixa diversidade genética e falta de habitats seguros.
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Kākāpō é o papagaio mais pesado do mundo, não consegue voar e passa grande parte da vida caminhando pelo chão
Grande, verde e de hábitos noturnos, o kākāpō possui características que o diferenciam de outros papagaios. Os machos podem atingir aproximadamente 4 quilos, tornando a espécie conhecida como o papagaio mais pesado do mundo, enquanto sua incapacidade de voar faz com que os animais se desloquem principalmente pelo chão.
A reprodução também segue um comportamento incomum. O kākāpō é o único papagaio conhecido que utiliza um sistema de acasalamento chamado lek, no qual os machos ocupam determinadas áreas e tentam atrair as fêmeas durante a noite.
Antes disso, eles passam semanas preparando caminhos e pequenas depressões no solo. Nesses locais, produzem vocalizações graves conhecidas como “booms”, usadas durante o período de acasalamento para chamar possíveis parceiras.
Reprodução acontece a cada dois ou quatro anos e acompanha grandes produções de frutos das árvores rimu
O desafio de recuperar a população aumenta porque os kākāpō não se reproduzem todos os anos. O ciclo normalmente acontece a cada dois ou quatro anos, acompanhando períodos nos quais as árvores rimu produzem grandes quantidades de frutos na Nova Zelândia.
As fêmeas podem colocar entre um e cinco ovos durante uma temporada. Mesmo assim, normalmente apenas um filhote consegue chegar ao estágio de deixar o ninho, característica que ajuda a explicar por que reconstruir uma população tão pequena exige décadas de trabalho.
A situação se tornou ainda mais delicada depois que o número de animais caiu drasticamente. Com apenas 51 indivíduos registrados no programa em 1995, a baixa diversidade genética passou a influenciar fatores como fertilidade e sucesso na eclosão dos ovos.
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Viviane Alves
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Programa de recuperação iniciado com 51 aves passou a acompanhar individualmente cada kākāpō
A trajetória que levou aos 325 animais registrados em 2026 ganhou força em 1995, quando o programa neozelandês contabilizava somente 51 kākāpō. A partir daquele cenário, acompanhar reprodução, localização, ovos e filhotes tornou-se parte essencial da estratégia para evitar que a população diminuísse ainda mais.
A tecnologia ganhou papel importante nesse trabalho. Cada kākāpō utiliza um transmissor de rádio, equipamento que permite aos pesquisadores acompanhar sua localização e atividade, enquanto sistemas de monitoramento remoto ajudam a observar comportamentos e acompanhar os ninhos durante a reprodução.
O manejo dos filhotes também pode envolver intervenção direta. Dependendo da necessidade, as equipes utilizam incubação, alimentação suplementar e até transferência de filhotes entre fêmeas para ampliar as possibilidades de sobrevivência.
Temporada de 2026 começou com 236 aves e marcou primeira reprodução do kākāpō em quatro anos
Antes do nascimento dos novos filhotes, a população adulta era formada por 236 kākāpō. A reprodução de 2026 ganhou importância adicional porque representava o primeiro ciclo da espécie desde 2022, encerrando um intervalo de quatro anos.
O Departamento de Conservação da Nova Zelândia anunciou o início da temporada em 6 de janeiro de 2026. Pouco mais de um mês depois, em 14 de fevereiro, nasceu o primeiro filhote, enquanto as equipes continuaram acompanhando ninhos e ovos ao longo dos meses seguintes.
A temporada avançou até produzir um resultado sem precedentes no programa. Ao todo, 90 filhotes chegaram aos 150 dias de vida, número utilizado para que fossem oficialmente incorporados à população.
Recorde de 90 filhotes levou população a 325 indivíduos e superou marca que antes exigiu 16 anos
Em 1º de setembro de 2026, o Departamento de Conservação confirmou que os 90 filhotes haviam alcançado a idade necessária para entrar na contagem populacional. Com isso, o número total de kākāpō chegou a 325 indivíduos, estabelecendo o maior patamar registrado desde o início do atual programa de recuperação.
O tamanho do resultado fica mais evidente quando comparado aos primeiros anos do projeto. Segundo o DOC, foram necessários 16 anos para alcançar quantidade semelhante de filhotes sobreviventes nas primeiras décadas do programa, enquanto a temporada de 2026 conseguiu atingir esse número em um único ciclo reprodutivo.
O crescimento também abriu espaço para mudanças na estratégia de conservação. Depois de anos de intensa intervenção para proteger ovos e filhotes, pesquisadores começaram a testar uma abordagem na qual algumas etapas ficam mais próximas do comportamento natural das aves.
Pesquisadores começaram a reduzir intervenções para preparar espécie para sobreviver com maior independência
Com uma população maior, mais ovos passaram a permanecer nos próprios ninhos, enquanto algumas verificações foram reduzidas. A alimentação suplementar também diminuiu em determinadas áreas, permitindo observar como os animais respondem a um manejo menos intensivo.
A intenção é preparar gradualmente a espécie para uma realidade na qual consiga se reproduzir e sobreviver de maneira mais independente. Isso não significa abandonar o acompanhamento, já que o kākāpō continua exposto a ameaças capazes de comprometer décadas de recuperação.
Predadores, doenças, baixa diversidade genética e disponibilidade limitada de habitats seguros permanecem entre os principais obstáculos. Por esse motivo, ultrapassar a marca de 300 animais representa um avanço, mas não significa que a espécie esteja fora de perigo.
Recuperação do kākāpō mostra como população de apenas 51 aves conseguiu ultrapassar 300 indivíduos em três décadas
A passagem de 51 kākāpō em 1995 para 325 em 2026 deixou de representar apenas uma sequência de temporadas reprodutivas. O crescimento mostra o resultado acumulado do monitoramento individual, da proteção dos habitats, do manejo de ovos e filhotes e do uso de tecnologia durante três décadas.
A temporada de 2026 tornou essa transformação ainda mais evidente. Uma espécie incapaz de voar, que pode esperar entre dois e quatro anos para se reproduzir, conseguiu adicionar 90 filhotes sobreviventes à população durante um único ciclo.
O marco de 325 aves não encerra o trabalho de conservação. Ele mostra, sobretudo, como uma população reduzida a poucas dezenas de indivíduos conseguiu voltar a crescer quando reprodução, tecnologia, monitoramento e proteção do habitat passaram a trabalhar em conjunto.
O que você acha que deve ser prioridade na recuperação do kākāpō: manter o acompanhamento intensivo para proteger cada filhote ou reduzir gradualmente a intervenção para que a espécie consiga sobreviver com mais independência? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

