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Patrão e marceneiro fazem aposta juntos, acertam prêmio de R$ 27,8 milhões na Mega-Sena, mas patrão fica com o bilhete e tenta receber tudo sozinho
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/09/2026 às 23:57
Curiosidades
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Patrão ficou com bilhete de R$ 27,8 milhões da Mega-Sena, mas marceneiro provou participação no bolão e Justiça determinou divisão igual.
Em setembro de 2007, o empresário Altamir José da Igreja e seu então empregado, o marceneiro Flávio Biassi Junior, fizeram uma aposta informal da Mega-Sena em Joaçaba, no oeste de Santa Catarina. O funcionário entregou R$ 1,50, metade do valor do jogo, e forneceu os números que acabariam sorteados.
O concurso 898 distribuiu aproximadamente R$ 55,6 milhões entre duas apostas vencedoras, deixando cerca de R$ 27,8 milhões para o bilhete catarinense. O problema começou quando o comprovante permaneceu com o patrão, que resgatou parte do dinheiro e passou a sustentar que a aposta era exclusivamente sua.
O marceneiro recorreu à Justiça alegando que os dois haviam combinado dividir qualquer prêmio. O patrão negou o acordo e afirmou que os números teriam origem em datas de aniversário dele e dos filhos, enquanto Biassi sustentou que a combinação vinha do número de seu telefone celular. Depois de anos de recursos, as decisões judiciais reconheceram a participação do empregado e determinaram a divisão em partes iguais.
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Quando o STJ manteve o resultado em 2012, o valor que inicialmente rondava R$ 27,8 milhões já era citado em aproximadamente R$ 36 milhões com as correções, deixando cerca de R$ 18 milhões para cada um.
Uma aposta de apenas R$ 3 colocou patrão e empregado diante de R$ 27,8 milhões
O caso começou com uma situação cotidiana dentro de uma marcenaria de Joaçaba. Altamir José da Igreja era empresário e empregava Flávio Biassi Junior como marceneiro. Antes do concurso 898 da Mega-Sena, os dois decidiram participar de uma aposta conjunta.
Segundo os fatos reconhecidos pelas instâncias judiciais e posteriormente relatados pelo STJ, Biassi contribuiu com R$ 1,50 para o jogo e também forneceu a combinação utilizada na aposta.
Era um bolão extremamente simples.
Não havia contrato elaborado por advogado, regulamento, cotas impressas ou documento registrado em cartório. Havia apenas duas pessoas, uma aposta e um acordo verbal de que, se os números fossem sorteados, o prêmio seria dividido.
Foi justamente essa informalidade que transformaria uma vitória extraordinária em uma disputa judicial de quase cinco anos.
Concurso 898 da Mega-Sena colocou R$ 55,6 milhões em jogo
A combinação feita em Joaçaba acertou as seis dezenas. O prêmio total do concurso chegou a aproximadamente R$ 55,6 milhões, mas havia duas apostas vencedoras. Cada bilhete, portanto, tinha direito a aproximadamente metade da fortuna.
A aposta de Santa Catarina recebeu R$ 27,8 milhões.
Em valores registrados à época, reportagens apontaram aproximadamente R$ 27,78 milhões destinados ao bilhete que desencadearia a disputa entre patrão e funcionário.
Se o acordo tivesse sido cumprido imediatamente, cada participante teria recebido aproximadamente R$ 13,9 milhões.
Mas existia uma diferença prática decisiva entre os dois.
O bilhete estava nas mãos do patrão.
Patrão ficou com o comprovante e funcionário precisou recorrer à Justiça
Nas loterias, o bilhete físico tinha importância enorme para o pagamento. Altamir estava em posse do comprovante premiado e, segundo o relato judicial reproduzido pelo UOL, chegou a sacar aproximadamente R$ 2 milhões antes que a disputa resultasse no bloqueio do restante do dinheiro.
Biassi, que não tinha o bilhete em mãos, passou então a enfrentar uma situação aparentemente desfavorável.
Ele dizia ser dono de metade de uma fortuna de dezenas de milhões de reais, mas o documento utilizado perante a Caixa estava com outra pessoa.
O marceneiro ingressou na Justiça em Joaçaba para provar que a aposta não pertencia exclusivamente ao empresário.
O que parecia uma discussão sobre quem segurava um pedaço de papel passou a ser uma discussão muito mais profunda: quem realmente era proprietário do direito econômico representado pelo bilhete?
Marceneiro disse que pagou metade e escolheu os números vencedores
A versão apresentada por Flávio Biassi tinha dois elementos fundamentais. O primeiro era financeiro. Ele afirmou ter entregue R$ 1,50, equivalente à metade da aposta realizada pelos dois.
O segundo era ainda mais curioso. Segundo o marceneiro, a combinação utilizada na Mega-Sena havia sido fornecida por ele e correspondia a números derivados de seu próprio telefone celular.
Isso dava ao caso um elemento de prova além da simples afirmação de que existira um acordo verbal.
Biassi precisava convencer a Justiça de que não estava aparecendo somente depois de descobrir que o patrão havia ganhado milhões. Sua tese era de que havia participado da aposta antes do sorteio, contribuindo tanto com dinheiro quanto com os números.
As instâncias inferiores consideraram as provas suficientes.
Patrão apresentou uma explicação completamente diferente para os números
Altamir contestou a versão do ex-empregado. Segundo o UOL, ele afirmou que a sequência apostada não havia sido fornecida por Biassi.
A defesa sustentava que os números resultavam de uma combinação baseada em sua própria data de aniversário e nas datas de aniversário de seus filhos.
Essa divergência era central.
Se o empresário conseguisse demonstrar que havia criado sozinho a aposta e pago integralmente pelo bilhete, a alegação do marceneiro perderia força.
Mas as instâncias que examinaram os fatos não aceitaram essa tese. A Justiça de Santa Catarina concluiu que havia elementos suficientes para reconhecer o bolão informal entre os dois.
Justiça determinou que R$ 27,8 milhões fossem divididos igualmente
A primeira grande derrota do empresário veio no Judiciário catarinense. A Justiça determinou que o prêmio fosse dividido em partes iguais entre patrão e empregado.
O caso não terminou ali.
Altamir recorreu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mas a decisão favorável ao marceneiro foi mantida. A controvérsia então avançou até o Superior Tribunal de Justiça.
Em vez de discutir apenas quem apresentava fisicamente o bilhete, o caso passou a produzir uma questão jurídica relevante: o portador de um bilhete de loteria é obrigatoriamente o único proprietário de todo o prêmio?
Para o STJ, a resposta foi não.
STJ decidiu que segurar o bilhete não torna alguém automaticamente dono de todo o prêmio
Esse foi o ponto jurídico mais importante da disputa. O ministro Massami Uyeda, então relator no STJ, reconheceu que os bilhetes de loteria são títulos ao portador.
Para a Caixa Econômica Federal, isso significa que o pagamento pode ser feito a quem apresenta o comprovante válido.
Mas o tribunal fez uma distinção fundamental.
Ser o portador do bilhete não significa necessariamente ser o único titular do direito ao dinheiro representado por ele.
Segundo o entendimento divulgado pelo STJ, a característica de título ao portador serve principalmente para permitir que a Caixa pague o prêmio e se libere da obrigação.
Ela não impede que duas pessoas discutam posteriormente, perante a Justiça, quem realmente possui direito sobre aquela fortuna.
Patrão e funcionário continuaram recorrendo mesmo depois da decisão
Curiosamente, a disputa não terminou imediatamente quando o STJ reconheceu a divisão. Os dois lados ainda apresentaram recursos.
O empresário continuava questionando a conclusão de que o prêmio deveria ser repartido. O marceneiro, por sua vez, buscava resolver questões relacionadas à liberação da parcela que lhe cabia.
Em outubro de 2012, o UOL informou que o STJ havia derrubado os recursos que poderiam modificar o resultado principal.
Depois de aproximadamente cinco anos de disputa, a divisão meio a meio permanecia de pé.
Durante esse período, parte significativa da fortuna ficou bloqueada judicialmente para evitar que o dinheiro desaparecesse antes de uma decisão definitiva.
Prêmio de R$ 27,8 milhões chegou a cerca de R$ 36 milhões durante a disputa
A demora judicial teve um efeito curioso sobre os valores envolvidos. Quando a Mega-Sena foi sorteada em 2007, a parcela correspondente ao bilhete de Joaçaba era de aproximadamente R$ 27,8 milhões.
Cinco anos depois, com o dinheiro bloqueado e sujeito às atualizações correspondentes, reportagens sobre o encerramento da disputa mencionavam aproximadamente R$ 36 milhões.
Isso significava cerca de R$ 18 milhões para cada participante.
A disputa que começou por uma aposta de apenas R$ 3 havia produzido uma diferença milionária para os dois lados. Se a tese do patrão prevalecesse, ele poderia ficar com praticamente todo o montante.
Se a tese do empregado fosse reconhecida, metade iria para um marceneiro que havia colocado apenas R$ 1,50 no jogo.
Foi a segunda hipótese que prevaleceu.
Fonte
r7
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

