Um levantamento da plataforma HubPolítico, elaborado a partir de resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de registros eleitorais consolidados até 2024, permite traçar um retrato das características das localidades que concentraram a votação de candidatos que disputam o Governo do Acre em 2026.
A análise cruza a votação obtida pelos políticos em eleições anteriores com características dos territórios onde receberam votos, considerando indicadores como escolaridade, idade, distribuição por sexo e abstenção. Os números não representam pesquisa de intenção de voto e não permitem identificar individualmente quem votou em determinado candidato.
Como o voto é secreto, a taxa de abstenção apresentada pela plataforma também não corresponde à abstenção dos eleitores de cada político. O indicador representa a taxa de abstenção registrada nos territórios que compuseram a base de votação do candidato, com peso proporcional à votação obtida em cada localidade.
Alan Rick: perfil territorial próximo da média do Acre
Alan Rick (Republicanos), considerado pela plataforma como um político de direita, apresenta um perfil histórico bastante próximo da média estadual. Os dados de 2022, de quando ele foi eleito senador, mostram que nas localidades que compuseram sua base territorial de votação, 17% da população tinha ensino superior completo, contra 15,6% na média do Acre. O percentual de pessoas com ensino médio completo era de 44,7%, praticamente igual aos 44,3% registrados no estado.
A população com 60 anos ou mais representava 16,7%, acima dos 16,1% da média estadual. Já os jovens de até 24 anos correspondiam a 16,9%, abaixo dos 18% registrados no conjunto do Acre. As mulheres representavam 51,9% da população dessas localidades, contra 51,6% na média estadual.
A idade média era de 36,5 anos, um ano acima da média do estado, de 35,5 anos. A taxa de abstenção registrada nos territórios ponderados pela votação de Alan Rick foi de 18,6%, exatamente igual à média estadual.
Tião Bocalom: perfil praticamente idêntico à média da cidade
Tião Bocalom (PSDB), declaradamente de direita, apresenta um perfil territorial muito próximo da média da cidade no levantamento referente à eleição de 2024, quando ele foi reeleito prefeito de Rio Branco. Nas áreas que concentraram sua votação, 21,8% da população tinha ensino superior completo, exatamente o mesmo percentual registrado na média municipal.
O ensino médio completo também ficou praticamente idêntico: 49% na base territorial de Bocalom e 49% na média da cidade. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual foi de 17%, contra 17,4% na cidade. Os jovens de até 24 anos representavam 15,1%, praticamente em linha com os 15,2% da média municipal. A participação feminina foi exatamente igual à média: 53,8%.
A idade média das áreas associadas à votação de Bocalom era de 41,6 anos, contra 41,4 anos na média da cidade. Já a taxa de abstenção ficou em 22,9%, ligeiramente acima dos 22,5% registrados no município.
O resultado mostra uma das maiores proximidades entre o perfil das áreas onde um candidato concentrou seus votos e a média do eleitorado do território analisado.
Dr. Thor Dantas: maior escolaridade e idade média mais elevada
Dr. Thor Dantas (PSB), declaradamente de esquerda, apresenta um dos contrastes mais expressivos em relação à escolaridade e à idade média. Nas localidades que concentraram sua votação em 2022, 25,2% da população tinha ensino superior completo, contra 15,6% na média estadual. A diferença chega a 9,6 pontos percentuais.
O ensino médio completo também aparecia acima da média: 46,4%, contra 44,3% no estado. A população com 60 anos ou mais representava 18,5%, acima dos 16,1% registrados no Acre. Já os jovens de até 24 anos correspondiam a 14,9%, abaixo dos 18% da média estadual. As mulheres representavam 53,1% da população das localidades associadas à sua votação, contra 51,6% no estado.
Outro destaque está na idade média: 40,3 anos, 4,8 anos acima da média estadual de 35,5 anos. A abstenção registrada nas áreas ponderadas pela votação de Thor foi de 17,5%, abaixo dos 18,6% observados no estado.
Os dados são referentes à candidatura dele à Câmara Federal.
Eudo Rafael: sem informações de perfil disponíveis
Eudo Rafael (PCB) não possui informações de perfil disponíveis no levantamento apresentado. Por essa razão, não há dados de escolaridade, idade, sexo ou abstenção territorial que permitam incluí-lo na comparação quantitativa com os demais candidatos.
A ausência de informações impede também qualquer conclusão sobre as características das localidades onde eventualmente tenha concentrado sua votação histórica.
Mailza Assis: sem histórico eleitoral para comparação
A governadora e candidata à reeleição Mailza Assis não possui um perfil histórico no levantamento porque nunca havia disputado uma eleição como candidata.
Sem uma votação anterior, não existe uma base territorial histórica que possa ser cruzada pela plataforma com as características do eleitorado.
Dr. Luisinho não tem histórico de candidatura no Acre
O candidato Dr. Luisinho (Agir) foi candidato a vereador em Manaus, e portanto, as amostras nas quais se baseiam seus dados podem não refletir a realidade do eleitorado do Acre, motivo pelo qual não incluímos seus números.
O que os dados revelam sobre direita e esquerda
Alan Rick, classificado como de direita pela plataforma, apresenta um perfil territorial próximo da média do Acre. Bocalom, também de direita, tem praticamente os mesmos indicadores da média da cidade no recorte de 2024.
Thor Dantas, de esquerda, apresenta uma característica mais marcante: 25,2% de população com ensino superior completo e idade média de 40,3 anos, números acima das médias estaduais consideradas no levantamento.
Assim, o levantamento sugere que as diferenças de perfil aparecem mais claramente quando se observam escolaridade e idade das áreas de votação do que quando se tenta dividi-las simplesmente entre esquerda e direita.
Também é importante reforçar que os dados não identificam quem votou em cada candidato. Eles mostram as características demográficas e eleitorais dos territórios onde os candidatos construíram suas votações históricas, e não o perfil individual de seus eleitores.
Da mesma forma, os percentuais de abstenção não representam uma “taxa de abstenção do candidato”. São as taxas registradas nas localidades ponderadas de acordo com a distribuição dos votos obtidos por cada político.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

