6 min de leitura
Pesquisador da NASA avista no mar de Weddell um iceberg tão reto que parece ter sido cortado por uma máquina, registra dois cantos quase perfeitos e superfície plana, e descobre que o formato incomum provavelmente surgiu porque o bloco havia se separado recentemente da plataforma Larsen C
Escrito por Carla Teles
Publicado em 01/09/2026 às 14:42
Atualizado em 01/09/2026 às 14:43
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Fotografado durante um sobrevoo científico da NASA sobre o mar de Weddell, na Antártida, o iceberg chamou atenção pela geometria incomum; Jeremy Harbeck disse nunca ter visto dois cantos tão próximos de ângulos retos, enquanto a agência apontou bordas pouco desgastadas como sinal de desprendimento recente da plataforma Larsen C.
Um iceberg com formato tão regular que poderia lembrar um enorme bloco recortado artificialmente chamou a atenção do pesquisador da NASA Jeremy Harbeck durante um voo sobre o mar de Weddell, na Antártida. A fotografia foi feita na semana anterior a 24 de outubro de 2018, enquanto pesquisadores da agência sobrevoavam a região para acompanhar mudanças no gelo.
O bloco apresentava superfície plana, bordas relativamente retas e dois cantos que se aproximavam de ângulos retos. Apesar da aparência incomum, a NASA apontou uma explicação natural: essas características sugeriam que o iceberg havia se desprendido recentemente de uma massa maior de gelo e provavelmente tinha origem na plataforma Larsen C.
Iceberg chamou atenção até de pesquisador acostumado a observar gelo
Jeremy Harbeck já havia observado muitos icebergs com bordas relativamente retas durante seu trabalho, mas aquele bloco no mar de Weddell se destacou pela combinação das formas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O pesquisador afirmou que achou a estrutura particularmente interessante porque nunca havia visto um iceberg com dois cantos tão próximos de ângulos retos. Foi justamente essa regularidade que fez a fotografia ganhar repercussão.
Dois cantos quase retos deram ao bloco aparência artificial
O aspecto mais impressionante da imagem está na geometria. Observado do alto, o bloco lembra uma enorme placa retangular colocada sobre o oceano, com duas extremidades bastante definidas.
Essa aparência pode causar a impressão de que o gelo foi cortado por algum equipamento, mas não existe no caso qualquer indicação de intervenção humana. O formato resulta de processos naturais ligados à fratura e ao desprendimento do gelo.
Superfície plana também ajuda a explicar o formato
Além dos cantos, a NASA destacou a superfície praticamente plana do bloco. Essa combinação é característica de estruturas conhecidas como icebergs tabulares, que podem surgir quando grandes pedaços se desprendem de plataformas de gelo.
Eles recebem esse nome justamente porque lembram enormes placas ou mesas flutuantes. Portanto, a existência de um iceberg relativamente plano e reto não é, por si só, uma anomalia.
Icebergs tabulares não são raros na Antártida
Grandes plataformas de gelo podem desenvolver fraturas e liberar blocos extensos no oceano. Quando a separação ocorre de maneira relativamente limpa, o resultado pode apresentar lados quase lineares.
Por isso, icebergs tabulares fazem parte dos processos naturais das regiões polares. O diferencial daquele fotografado pela NASA não era simplesmente ser plano, mas apresentar uma geometria particularmente bem definida.
Bordas afiadas indicavam que separação poderia ser recente
Icebergs permanecem sujeitos à ação contínua do oceano depois que se desprendem. Ondas, temperatura e outros processos começam progressivamente a desgastar suas extremidades.
No bloco observado no mar de Weddell, porém, as bordas ainda pareciam bastante agudas e pouco erodidas. Para a NASA, essa característica indicava que a separação de uma massa maior provavelmente havia ocorrido pouco tempo antes.
Ondas acabam apagando a geometria com o passar do tempo
Uma forma tão definida não tende a permanecer intacta indefinidamente. Depois de entrar no oceano, um iceberg começa a ser alterado pelas condições ambientais às quais fica exposto.
As ondas desgastam as bordas e diminuem gradualmente a nitidez dos cantos. Dessa maneira, um bloco recém-separado pode inicialmente conservar linhas muito mais retas do que apresentará depois de algum tempo no mar.
Plataforma Larsen C aparece como provável origem do bloco
A NASA indicou que o iceberg provavelmente havia se originado na plataforma de gelo Larsen C, localizada na região antártica. A conclusão foi apresentada como a origem provável, não como uma certeza absoluta estabelecida apenas pela fotografia.
O formato recente do desprendimento, a localização do bloco e o contexto glaciológico da região contribuíram para essa interpretação. Assim, a geometria incomum estava ligada à própria dinâmica de fratura da plataforma.
Larsen C é uma enorme estrutura de gelo ligada ao continente
Plataformas de gelo são extensões flutuantes alimentadas pelo gelo continental. Embora permaneçam conectadas à terra em parte de sua estrutura, avançam sobre o oceano e podem perder grandes blocos em eventos de desprendimento.
Esse processo é conhecido como calving, ou desprendimento de gelo. Quando uma fratura alcança uma extensão suficiente, um segmento pode se separar da plataforma e começar a flutuar de maneira independente.
Formato retangular nasceu da maneira como o gelo se rompeu
A chave para compreender o iceberg está, portanto, na física da própria ruptura. Grandes massas de gelo acumulam fraturas e tensões que podem produzir linhas de quebra relativamente regulares.
Dependendo de como essas fraturas se encontram, um fragmento pode se desprender com lados quase retos e cantos surpreendentemente definidos, mesmo sem qualquer processo artificial moldando a estrutura.
Fotografia foi feita durante missão científica de cinco semanas
Assista o vídeo
O encontro com o iceberg aconteceu enquanto pesquisadores participavam de uma missão da NASA dedicada a medir mudanças nas alturas do gelo em diferentes geleiras.
A campanha científica estava prevista para durar cinco semanas. O objetivo não era procurar icebergs com formatos curiosos, mas reunir informações sobre alterações nas estruturas de gelo observadas durante os sobrevoos.
Avião havia partido de Punta Arenas, no Chile
O voo em que o bloco foi fotografado havia partido de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, uma localização estratégica para operações aéreas voltadas à Antártida.
A partir dali, a equipe sobrevoou áreas polares e registrou diferentes formações. Foi durante uma dessas passagens sobre o mar de Weddell que Harbeck percebeu a geometria incomum no oceano.
Foto extraordinária nasceu durante uma operação científica rotineira
O registro ganhou destaque principalmente porque transforma um processo natural conhecido em uma imagem visualmente difícil de ignorar. O iceberg parecia uma enorme placa geométrica flutuando em meio a formas muito mais irregulares de gelo.
Ainda assim, sua explicação não exige máquinas, cortes artificiais ou qualquer fenômeno misterioso. A própria formação dos icebergs tabulares, combinada ao fato de aquele bloco provavelmente ser relativamente recente, explica boa parte de sua aparência.
Iceberg mostra como a natureza pode produzir linhas quase perfeitas
O bloco fotografado no mar de Weddell ficou famoso justamente porque desafia uma expectativa comum: a de que estruturas naturais necessariamente apresentem contornos irregulares. Fraturas no gelo podem produzir formas surpreendentemente geométricas antes que o oceano comece a desgastá-las.
No caso registrado por Jeremy Harbeck, dois cantos próximos de ângulos retos, a superfície plana e as bordas pouco erodidas apontavam para um iceberg provavelmente recém-separado de uma massa maior e possivelmente originado na Larsen C. Se você visse apenas a fotografia, acreditaria imediatamente que essa forma foi produzida naturalmente? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

