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Poucos sabem, mas o Google está transformando lavouras de arroz no Brasil em um projeto climático gigante, com mais de 200 mil hectares, irrigação especial e rocha vulcânica para cortar metano e retirar CO₂ da atmosfera
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 16/09/2026 às 16:25
Atualizado em 16/09/2026 às 16:47
Agronegócio
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Projeto da Terradot apoiado pelo Google vai atuar em mais de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul, combinando irrigação alternada e basalto moído para reduzir metano e remover CO₂ da atmosfera por milênios
O Google vai apoiar no Rio Grande do Sul um projeto climático em mais de 200 mil hectares de arroz que combina redução de metano com intemperismo acelerado de rochas para remover CO₂. O acordo prevê impactos equivalentes a 1 milhão de toneladas em cada uma das duas frentes.
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Google é investidor: Intemperismo acelerado será usado junto com redução de metano
A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Terradot, empresa especializada em remoção de carbono por Enhanced Rock Weathering, ou ERW, tecnologia baseada no intemperismo acelerado de rochas. O Google também é investidor da companhia.
Segundo as empresas, este é o maior projeto de ERW já anunciado no mundo e a primeira iniciativa dessa escala a combinar a redução de um superpoluente, o metano, com remoção durável de dióxido de carbono.
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O Google comprará o equivalente a 1 milhão de toneladas de impacto na redução de metano no curto prazo até 2030. Também adquirirá 1 milhão de toneladas de impacto na remoção de carbono até 2040.
As duas metas serão geradas e verificadas separadamente. A primeira representa redução das emissões de metano convertida em CO₂ equivalente, enquanto a segunda corresponde à retirada efetiva e permanente de CO₂ da atmosfera.
A compra relacionada à remoção de carbono será a maior realizada pelo Google até agora.
Irrigação das lavouras será alterada para reduzir metano
Uma das principais mudanças ocorrerá na irrigação. A Terradot ajudará produtores a adotar o sistema Alternate Wetting and Drying, conhecido como AWD, baseado em períodos alternados de irrigação e drenagem.
Diferentemente do cultivo permanentemente alagado, o método permite que os campos sejam drenados antes de receberem água novamente. A mudança reduz as condições que favorecem a formação de metano nos arrozais.
O metano permanece na atmosfera durante aproximadamente uma década, enquanto o CO₂ pode se acumular por séculos. Por isso, a redução desse gás representa a parte de efeito climático mais rápido prevista pelo projeto.
Estimativa citada pela Reuters aponta que os arrozais respondem por aproximadamente 10% a 12% das emissões globais de metano.
Segundo Google e Terradot, o manejo AWD também pode reduzir o consumo de água e os custos com insumos para os produtores envolvidos.
Basalto moído será espalhado sobre mais de 200 mil hectares
A segunda frente utilizará principalmente basalto triturado, que será espalhado nas mesmas áreas agrícolas onde ocorrerá a mudança na irrigação.
O intemperismo acelerado aumenta a velocidade de um processo que já ocorre naturalmente. Quando a água entra em contato com minerais presentes em determinadas rochas, reações químicas contribuem para retirar CO₂ da atmosfera.
A trituração aumenta a superfície de contato da rocha com água e solo, acelerando essas reações.
Segundo a Terradot, o carbono removido por esse processo pode permanecer armazenado por mais de 10 mil anos. A aplicação da rocha também pode melhorar características do solo.
A combinação das tecnologias tem funções distintas. A redução de metano busca produzir efeitos mais rápidos, enquanto a remoção de CO₂ ocorre gradualmente conforme o material aplicado ao solo reage e se dissolve.
Projeto pode ser replicado em até 1,5 milhão de hectares
O Rio Grande do Sul foi escolhido por reunir condições consideradas adequadas pelas empresas, incluindo solos tropicais, clima quente e úmido, cultivo irrigado de arroz e proximidade de jazidas de basalto.
A primeira fase abrangerá mais de 200 mil hectares. As empresas afirmam, porém, que o modelo foi desenvolvido para poder ser replicado nos mais de 1,5 milhão de hectares cultivados com arroz no Brasil.
Também existe a intenção de levar a tecnologia posteriormente a outros produtores importantes de arroz, como Índia e Vietnã. A Terradot prevê projetos-piloto em diferentes países em 2026 e expansão comercial a partir de 2028.
O valor do novo acordo não foi divulgado. Também não foi informado quanto da receita relacionada aos créditos climáticos será destinada aos produtores participantes.
Em 2024, o Google já havia comprado 200 mil toneladas de créditos de remoção de carbono da Terradot e investido na empresa.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, outro contrato, envolvendo 90 mil toneladas de remoção, indicava preço próximo de US$ 300 por tonelada. A Terradot afirma que o novo projeto terá custo menor.
A empresa informa já ter aplicado mais de 500 mil toneladas de rocha em 20 mil hectares. Esses dados são utilizados para selecionar áreas, calcular a quantidade necessária de material e verificar o carbono removido.
O acordo também inclui uma bolsa de pesquisa do Google para a Terradot e o laboratório de Solo e Biogeoquímica Ambiental da Stanford Doerr School. O objetivo é ampliar os estudos sobre redução de metano obtida pelo sistema AWD.
Os resultados dessa pesquisa deverão ser publicados publicamente.
Esta matéria foi elaborada com base em informações fornecidas por Google, Terradot e Reuters, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.cnnbrasil.com
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

