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Quem cruza a praça de pedágio de Uberlândia na BR-365 já paga R$ 6,90 desde a zero hora de sábado: a tarifa subiu R$ 1 nas sete praças entre o Triângulo Mineiro e Jataí, no primeiro reajuste em dois anos, calculado sobre IPCA de 9,19%
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 08/09/2026 às 12:39
Atualizado em 08/09/2026 às 12:40
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Quem cruza a praça de pedágio da BR-365 em Uberlândia já paga seis reais e noventa centavos desde a zero hora do sábado, porque a tarifa subiu um real de uma vez nas sete praças entre o Triângulo Mineiro e Jataí, no primeiro reajuste em quase dois anos.
O aumento vale para todo o sistema BR-364/365 administrado pela Ecovias do Cerrado.
Para o carro de passeio, o valor passou de R$ 5,90 para R$ 6,90, o que representa alta de 17%, conforme o portal Estradas.
A cobrança nova começou à 0h de sábado, 5 de setembro.
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Paulo Nogueira
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As tarifas estavam congeladas desde novembro de 2024
O salto de um real de uma vez tem explicação. As tarifas do trecho não eram corrigidas desde novembro de 2024, ou seja, quase dois anos de valores parados.
Quando o reajuste enfim sai, ele carrega o acúmulo do período inteiro. É por isso que a conta chega em degrau, e não em prestação.
Para quem passa todo dia, o efeito é imediato na planilha do mês.
Um real por passagem parece pouco isolado. Contudo, quem cruza a praça duas vezes por dia útil acumula cerca de quarenta reais a mais por mês, só numa das sete praças do sistema.
Sete praças entre Uberlândia e Jataí
O reajuste atinge as sete praças do sistema, distribuídas ao longo de 437 quilômetros sob concessão entre Minas Gerais e Goiás.
Do lado mineiro, o trecho passa por Uberlândia, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Santa Vitória, seguindo depois em direção a Jataí, já em território goiano.
Quem faz o percurso completo cruza as sete e paga sete vezes.
Diferente do free flow, aqui ainda existe cabine, cancela e parada. O motorista para, paga e segue, num modelo que o país vem substituindo aos poucos, porém que segue majoritário na malha concedida.
A conta oficial usa o IPCA de 9,19%
O índice de reajuste tarifário aplicado foi de 1,63418, calculado a partir de um IPCA acumulado de 9,19% no período, segundo os dados divulgados na cobertura.
Vale um alerta de leitura aqui. O percentual final da tarifa, 17%, não bate diretamente com o IPCA de 9,19%, porque o cálculo contratual embute outros componentes além da inflação pura.
Alguns veículos publicaram 16,95% em vez de 17%, e a diferença vem do arredondamento sobre o valor final da tarifa.
É a mesma confusão que aparece em quase todo reajuste de concessão federal. O contrato corrige por índice, contudo a tarifa precisa fechar em valor redondo para caber na cabine, e o arredondamento gera a diferença.
Quem quiser conferir a conta precisa do contrato, não da notícia.
A norma que autorizou o aumento
A autorização veio por decisão da Superintendência de Regulação Econômica da Agência Nacional de Transportes Terrestres, identificada como Decisão SUROD nº 1.195/2026, conforme a imprensa regional.
O acesso ao texto integral no Diário Oficial exige login, portanto o artigo de vigência não foi conferido diretamente na fonte oficial para esta matéria.
A página institucional da concessionária também retornou acesso negado durante a apuração.
Por isso os valores aqui vêm da imprensa especializada em rodovias e da imprensa regional, que publicaram a tabela antes da entrada em vigor.
O que a concessionária diz ter investido
O contrato prevê contrapartida em obra, e é esse o argumento que sustenta qualquer reajuste de pedágio no Brasil.
Conforme os números que circularam na cobertura, a Ecovias do Cerrado aplicou cerca de R$ 1,8 bilhão no trecho até dezembro de 2025, com previsão de mais R$ 190 milhões ao longo de 2026.
Duplicação, faixas adicionais e passarelas entram nessa conta.
Quem roda pelo trecho sabe que a obra existe, e sabe também que ela ainda não terminou. É essa lacuna entre o que já foi entregue e o que foi prometido que costuma azedar a conversa sobre reajuste.
Por que a BR-365 pesa mais do que parece
O corredor liga o Triângulo Mineiro ao sudoeste goiano, numa região que concentra grão, cana, laticínio e agroindústria pesada.
Cada real a mais na praça de pedágio entra no custo do frete. O frete entra no preço da saca, do leite e do etanol que saem dali, portanto o reajuste não fica restrito a quem dirige carro de passeio.
Além disso, caminhão paga por eixo.
Uma carreta de seis eixos multiplica o valor da praça, e faz isso sete vezes ao longo do percurso. Numa viagem de ida e volta, portanto, a conta do pedágio vira item relevante da planilha do frete.
Duas rodovias, dois modelos de cobrança, no mesmo feriado
O detalhe cronológico é curioso e diz algo sobre o momento da malha federal.
No sábado, a BR-365 reajustou a tarifa das cabines tradicionais. Na segunda-feira, o feriado da Independência, a BR-060 e a BR-364 entre Goiás e Mato Grosso ligaram a cobrança automática sem cancela, o mesmo modelo que já gerou milhões de multas suspensas no país.
Ou seja, o motorista que atravessa o Centro-Oeste hoje encontra os dois sistemas na mesma viagem, com regras de pagamento completamente diferentes.
O que ainda não está detalhado
A tabela completa por categoria de veículo não foi divulgada de forma consolidada nas fontes consultadas, apenas o valor do carro de passeio.
Também não há informação pública sobre a data do próximo reajuste, nem sobre o cronograma restante das obras contratadas.
Quem já rodou nesse trecho sabe que a discussão sobre tarifa nunca é só sobre o valor. É sobre o que aparece na pista depois que o valor sobe.
A tabela por categoria e o detalhamento do índice estão na publicação do portal Estradas.
Você confia que um real a mais na praça vira asfalto novo, ou só vira caixa da concessionária?
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Fontes
Estradas
Clube Notícia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

