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Seca severa salta de 44 para 216 assentamentos em um mês e já ameaça mais de 80% da área agropecuária de 122 municípios
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 03/09/2026 às 09:45
Atualizado em 03/09/2026 às 09:47
Economia
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A seca nos assentamentos rurais se agravou em agosto: os casos severos saltaram de 44 para 216 em um mês, enquanto 122 municípios tiveram mais de 80% de suas áreas agropecuárias potencialmente afetadas.
O monitoramento foi divulgado pelo Cemaden em 2 de setembro e combina indicadores climáticos com recortes territoriais. Ele acompanha municípios, assentamentos, áreas indígenas, unidades de conservação e zonas produtivas.
Nos assentamentos, a piora não ficou restrita à classe severa. Os registros de seca moderada passaram de 309 para 1.208 entre julho e agosto.
Também apareceram 32 assentamentos em seca extrema e um em condição excepcional, localizado no município de Monte Alegre, no Pará. As classes críticas se concentraram principalmente em Sergipe, Bahia e Alagoas.
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Paulo Nogueira
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Segundo o boletim oficial do Cemaden, a seca moderada teve alcance maior, com destaque para Bahia, Pará, Pernambuco, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.
Os números descrevem área sob condição climática, não uma contagem direta de famílias que perderam produção. Para medir dano, ainda é necessário cruzar cultura, fase da lavoura, disponibilidade de água e manejo local.
Assentamentos severos aumentam quase cinco vezes
O avanço de 44 para 216 assentamentos equivale a 172 novos registros severos. Em apenas um mês, a categoria passou a alcançar quase cinco vezes o total anterior.
A classificação integrada considera chuva, umidade do solo e condição da vegetação. A combinação evita depender de um único dado para descrever um território produtivo.
Seca meteorológica começa com falta de precipitação. Quando persiste, reduz água no solo e nos cursos d’água, alcançando produção agrícola, pastagens, reservatórios e abastecimento.
Em um assentamento, a capacidade de resposta varia entre lotes. Famílias com cisterna, poço, reserva de alimento animal ou irrigação enfrentam o mesmo clima com instrumentos diferentes.
Por essa razão, o mapa funciona como sinal para priorizar verificação em campo. Ele mostra onde procurar impacto antes que toda a informação produtiva esteja consolidada.
A classe excepcional em Monte Alegre ocupa a extremidade do índice. Um único registro não diminui sua gravidade, pois indica condição rara dentro da escala usada pelo centro.
As 32 ocorrências extremas ampliam o grupo que exige atenção imediata. Água para consumo humano e animal costuma vir primeiro, seguida pela preservação de rebanhos e cultivos permanentes.
Já os 1.208 assentamentos moderados formam uma frente extensa. Parte pode melhorar com chuva; outra pode avançar para classes piores se o déficit continuar.
A gente não deve esperar a categoria máxima para agir. Preparar distribuição, assistência técnica e linhas de apoio durante a fase moderada reduz a pressão quando a estiagem se aprofunda.
O boletim também registrou melhora em áreas indígenas, com queda de 17 para 11 polos em seca severa. Isso confirma que o quadro varia bastante entre recortes e regiões.
Bahia reúne 57 municípios com mais de 80% da área afetada
Nas áreas agroprodutivas, 208 municípios tinham ao menos 40% do território agrícola ou de pastagens potencialmente impactado. O total caiu sete posições em relação aos 215 de julho.
A aparente melhora esconde uma concentração maior no nível superior. Foram 122 municípios acima de 80%, onze a mais do que no mês anterior.
A Bahia liderou esse grupo com 57 municípios. Sergipe apareceu com 29, e Alagoas com 25. Juntos, os três estados responderam pela maior parte das ocorrências.
Na faixa entre 60% e 80%, ficaram 42 municípios. Bahia tinha 17, Alagoas nove, Sergipe oito e Amazonas seis entre os principais registros.
Outros 44 municípios apresentaram de 40% a 60% da área potencialmente atingida. Novamente, Bahia, Sergipe e Alagoas concentraram boa parte do quadro.
Percentual territorial não equivale à mesma perda econômica em todos os lugares. Uma área de pastagem, uma lavoura de sequeiro e um cultivo irrigado respondem de maneiras diferentes.
Mesmo assim, ultrapassar 80% da área agropecuária mostra pouca margem para deslocar produção dentro do município. O problema deixa de ser localizado e alcança a base produtiva municipal.
Produtores podem ajustar plantio, reduzir lotação de animais ou antecipar compra de ração. Essas decisões têm custo e dependem de previsão, crédito e orientação técnica.
Municípios usam o monitoramento para documentar a situação e planejar resposta. O Cemaden também recebe registros de ocorrências, que ajudam a relacionar o índice aos efeitos percebidos no território.
Vejo dois movimentos simultâneos no boletim: expansão forte sobre assentamentos e concentração do impacto produtivo em parte do Nordeste. Ambos pedem acompanhamento específico, não uma resposta nacional uniforme.
Chuvas futuras podem alterar o índice, mas recuperação do solo, de reservatórios e de pastagens não ocorre no mesmo ritmo. Uma precipitação isolada alivia sem necessariamente encerrar a seca.
Além disso, culturas em fases distintas respondem de maneira desigual. Uma lavoura recém-plantada pode perder germinação, enquanto outra próxima da colheita sofre mais com queda de peso e qualidade.
Na pecuária, pasto curto força suplementação ou redução do rebanho. Se muitos produtores compram alimento ao mesmo tempo, disponibilidade e preço passam a pressionar ainda mais a renda local.
A resposta pública pode combinar carros-pipa, recuperação de poços e assistência produtiva. Escolher a medida depende de confirmar em campo qual impacto aparece por trás da classificação climática.
Segundo o próprio método, o termo “potencialmente afetada” preserva essa cautela. O indicador aponta exposição, enquanto perdas efetivas precisam ser medidas por levantamentos agrícolas e relatos municipais.
O dado de agosto funciona como fotografia de um processo. A comparação com setembro mostrará se os 216 assentamentos começaram a sair da classe severa ou se o déficit continuou.
Até lá, o salto mensal fornece um aviso claro. Áreas rurais com menor infraestrutura tendem a sentir mais cedo a combinação de água curta e produção ameaçada.
A seca já alterou o plantio, a criação ou o abastecimento na sua região? Conte nos comentários.
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Fonte
Cemaden — monitoramento de secas e impactos em agosto de 2026
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

