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Submarino alemão afundou com 18 minas e 6 torpedos em 1917, ficou perdido por quase 100 anos e agora cientistas encontram TNT na água e em animais marinhos perto dos destroços
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 17/09/2026 às 21:00
Atualizado em 17/09/2026 às 21:01
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Um submarino alemão que afundou durante a Primeira Guerra Mundial continua liberando substâncias explosivas no Mar do Norte mais de um século depois. Pesquisadores encontraram vestígios de TNT na água, nos sedimentos e em organismos marinhos próximos ao UC-30, embarcação que transportava 18 minas e seis torpedos quando naufragou. Além disso, um levantamento identificou 10.127 naufrágios em águas dinamarquesas, levantando preocupações sobre os riscos ambientais de estruturas militares que permanecem no fundo do oceano.
Uma embarcação militar que desapareceu em 1917 voltou a chamar a atenção dos cientistas por um motivo inesperado. O submarino alemão UC-30, que afundou com 27 tripulantes e uma carga de explosivos, continua liberando resíduos químicos no ambiente marinho mais de um século depois do naufrágio.
Segundo reportagem publicada pelo ScienceDaily em 14 de setembro de 2026, pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, encontraram vestígios de TNT na água, no fundo do mar e em organismos que vivem próximos aos destroços.
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Além disso, a investigação revelou uma preocupação mais ampla: milhares de embarcações das duas guerras mundiais continuam submersas e podem representar fontes de contaminação conforme suas estruturas se deterioram.
Entretanto, os pesquisadores ainda não determinaram toda a extensão dos impactos ambientais provocados pelo UC-30. Por enquanto, os resultados confirmam a presença de substâncias explosivas no ambiente ao redor do submarino.
Submarino UC-30 afundou em 1917 depois de atingir mina britânica no Mar do Norte
A história começou durante a Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha utilizava submarinos para atacar embarcações inimigas e instalar minas em rotas marítimas.
Em abril de 1917, o UC-30 navegava próximo à ilha de Rømø, na Dinamarca, depois de abandonar uma missão destinada à Irlanda por causa de problemas no motor.
A tripulação decidiu retornar à Alemanha. Entretanto, a embarcação nunca conseguiu completar a viagem.
Em 19 de abril de 1917, o submarino atingiu uma mina britânica e afundou. Todos os 27 tripulantes morreram.
Naquele momento, a embarcação transportava 18 minas e seis torpedos, além de outros equipamentos militares.
Consequentemente, o naufrágio deixou uma quantidade de material explosivo no fundo do Mar do Norte.
Durante quase um século, o submarino permaneceu desaparecido. Somente em 2016, o mergulhador dinamarquês Gert Normann Andersen conseguiu localizar seus destroços.
Cientistas encontraram TNT na água, nos sedimentos e em animais marinhos
Após a descoberta, pesquisadores passaram a investigar os impactos ambientais do submarino.
A professora Katrine Juul Andresen, do Departamento de Geociências da Universidade de Aarhus, participou da análise do naufrágio no âmbito de um projeto de pesquisa sobre embarcações históricas.
Com o apoio de mergulhadores da Marinha dinamarquesa, a equipe coletou amostras de água e sedimentos em diferentes pontos próximos ao UC-30.
Além disso, os cientistas examinaram estrelas-do-mar e mexilhões encontrados na região.
As análises identificaram vestígios de TNT nos organismos marinhos, no fundo do mar e na coluna de água.
Portanto, o material explosivo que permanece dentro do submarino já alcança o ambiente externo.
Entretanto, a pesquisa ainda precisa determinar a extensão dessa contaminação e seus efeitos sobre os ecossistemas.
A identificação de resíduos químicos também não significa que todos os animais examinados apresentem danos comprovados ou que toda a região do Mar do Norte esteja contaminada na mesma intensidade.
Corrosão do submarino pode expor mais explosivos e aumentar a contaminação
O tempo representa um dos principais problemas associados aos naufrágios militares.
Durante décadas, a água salgada, as correntes marítimas e outros fatores ambientais provocaram a deterioração gradual da estrutura do UC-30.
Consequentemente, partes do casco e dos compartimentos podem perder sua capacidade de manter o material explosivo isolado.
Segundo Katrine Juul Andresen, a contaminação provavelmente permanece relativamente localizada, mas pode aumentar conforme os destroços se deterioram.
Além disso, novas aberturas na estrutura podem expor quantidades maiores de explosivos presentes nas minas.
Por isso, os pesquisadores também utilizaram fotografias e vídeos para avaliar as condições do submarino e a exposição das munições.
Entretanto, a equipe não divulgou uma previsão exata de quando a liberação poderá aumentar nem calculou a quantidade total de TNT que ainda permanece no naufrágio.
Assim, o estudo identifica um risco ambiental em evolução, sem afirmar que ocorrerá necessariamente um desastre de grandes proporções.
Mar do Norte recebeu cerca de 190 mil minas durante a Primeira Guerra Mundial
O UC-30 representa apenas uma pequena parte do legado militar que permanece no fundo do Mar do Norte.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Alemanha e Reino Unido disputaram o controle das rotas marítimas que garantiam o abastecimento de suas economias.
Além dos confrontos entre navios e submarinos, os países instalaram grandes quantidades de minas para atacar embarcações inimigas.
Segundo a Universidade de Aarhus, as forças militares colocaram aproximadamente 190 mil minas no Mar do Norte durante o conflito.
Consequentemente, o fundo do mar acumulou destroços de embarcações, armamentos e outros materiais militares.
Entretanto, nem todos esses objetos permanecem intactos ou representam riscos ambientais equivalentes.
A situação de cada naufrágio depende de fatores como localização, estado de conservação, tipo de munição e exposição às correntes marítimas.
Levantamento identifica 10.127 naufrágios em águas dinamarquesas
A dimensão do problema aparece em um levantamento realizado por Katrine Juul Andresen em 2024.
A pedido da Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental, a pesquisadora examinou os riscos ambientais associados a naufrágios históricos.
O trabalho identificou 10.127 embarcações naufragadas em águas dinamarquesas.
Além disso, aproximadamente 15% desses registros pertencem aos períodos próximos das duas guerras mundiais, entre 1910 e 1920 e entre 1940 e 1945.
O levantamento demonstra a quantidade de estruturas antigas que permanecem no ambiente marinho.
Entretanto, os 10.127 naufrágios não correspondem a 10.127 submarinos carregados de explosivos.
O conjunto inclui diferentes tipos de embarcações, períodos históricos e condições de conservação.
Por isso, os pesquisadores defendem avaliações específicas para identificar quais locais exigem monitoramento ou intervenção.
Robôs submarinos podem ajudar a localizar munições sem expor mergulhadores
A localização de explosivos no fundo do mar exige equipamentos capazes de operar em ambientes difíceis.
Por isso, pesquisadores internacionais desenvolvem alternativas para reduzir a exposição humana durante inspeções e intervenções submarinas.
Em reportagem do CPG, um drone submarino norte-americano de 5,8 metros, capaz de operar autonomamente por até dez dias e alcançar grandes profundidades, demonstrou o avanço dos veículos subaquáticos não tripulados.
Entretanto, o equipamento daquela reportagem não participa da investigação dinamarquesa.
No caso do UC-30, os cientistas estudam sistemas robóticos capazes de localizar munições e acompanhar a deterioração dos naufrágios.
Além disso, alguns equipamentos poderão futuramente recolher objetos perigosos e auxiliar na neutralização dos explosivos.
Por enquanto, a retirada automatizada de munições representa uma possibilidade tecnológica em desenvolvimento, não uma operação já concluída no submarino alemão.
Retirar explosivos do fundo do mar pode custar caro e provocar novos impactos
Embora a remoção pareça uma solução direta, os especialistas alertam que cada intervenção exige planejamento.
Primeiramente, os mergulhadores ou robôs precisam identificar o estado das munições e avaliar as condições do local.
Além disso, correntes marítimas e características do fundo do mar influenciam os riscos da operação.
Segundo a pesquisadora da Universidade de Aarhus, a Alemanha já destinou recursos para recuperar determinados destroços e munições da Segunda Guerra Mundial no Mar Báltico.
Entretanto, a recuperação e a neutralização de explosivos submersos envolvem custos elevados.
Detonar as munições no próprio local também pode provocar problemas. Afinal, a explosão pode espalhar substâncias contaminantes pela água e pelos sedimentos.
Portanto, os cientistas precisam avaliar se a melhor alternativa consiste em retirar o material, neutralizá-lo ou manter o local sob monitoramento.
Projeto europeu investiga maneiras menos agressivas de remover armamentos
A pesquisa sobre o UC-30 também se conecta a iniciativas internacionais de desenvolvimento tecnológico.
Katrine Juul Andresen participa do projeto europeu REMARCO, que investiga alternativas para lidar com munições e naufrágios históricos.
Entre as soluções em estudo estão robôs capazes de percorrer o fundo do mar, mapear armamentos e acompanhar as condições das estruturas submersas.
Além disso, os pesquisadores analisam a possibilidade de utilizar máquinas para recolher determinados objetos.
A experiência com operações de grande profundidade também aparece em outros projetos de engenharia. Em reportagem do CPG, uma tuneladora chinesa enfrentou rochas de 191 MPa e exigiu operações humanas a 80 metros de profundidade durante a construção de um túnel ferroviário submarino.
Embora se trate de uma obra diferente, o projeto demonstra a complexidade de intervenções técnicas abaixo da superfície.
No caso das munições históricas, entretanto, as equipes também precisam considerar o risco de explosão e a dispersão de contaminantes.
Alguns naufrágios representam risco menor quando permanecem cobertos por areia
Os cientistas não defendem a remoção de todos os destroços históricos.
Segundo a Universidade de Aarhus, algumas embarcações permanecem parcialmente ou completamente enterradas nos sedimentos.
Nessas condições, a cobertura de areia pode reduzir o contato entre o material contaminante e o ambiente marinho.
Consequentemente, determinados naufrágios apresentam risco de contaminação menor do que estruturas expostas.
Por isso, os pesquisadores recomendam identificar os locais mais perigosos antes de definir quais operações terão prioridade.
Além disso, a avaliação precisa considerar as condições específicas de cada embarcação e a presença de munições.
A estratégia busca evitar intervenções desnecessárias que possam provocar novos impactos ambientais.
Infraestrutura submarina também exige monitoramento e proteção ambiental
O estudo demonstra a importância de conhecer as condições dos equipamentos e estruturas que permanecem no fundo do oceano.
Entretanto, as necessidades de monitoramento variam conforme o tipo de instalação.
Em outra reportagem do CPG, a Amazon anunciou um cabo submarino de 420 Tbps para conectar os Estados Unidos ao Japão, com previsão de entrada em operação em 2029.
Embora cabos de telecomunicações não sejam comparáveis a submarinos carregados de explosivos, ambos ilustram a presença de estruturas artificiais no ambiente submarino.
Além disso, projetos modernos precisam considerar instalação, manutenção e impactos ambientais durante sua vida útil.
No caso do UC-30, entretanto, o problema decorre especificamente da presença de armamentos históricos e da deterioração dos destroços.
Pesquisa confirma contaminação, mas ainda não determina extensão dos danos ambientais
O estudo confirmou que substâncias explosivas provenientes do naufrágio alcançaram a água, os sedimentos e organismos marinhos.
Entretanto, a equipe ainda não determinou a extensão geográfica da contaminação nem quantificou todos os efeitos sobre o ecossistema.
Os pesquisadores também não afirmaram que os 10.127 naufrágios identificados nas águas dinamarquesas representam riscos equivalentes.
Por isso, a próxima etapa envolve compreender quais embarcações exigem ações prioritárias e quais podem permanecer sob acompanhamento.
Além disso, o projeto REMARCO procura desenvolver métodos que reduzam os riscos das operações de recuperação de munições.
Assim, o UC-30 demonstra como um conflito encerrado há mais de um século ainda pode produzir consequências ambientais.
O submarino afundou em 1917, permaneceu desaparecido até 2016 e hoje fornece evidências concretas de que explosivos históricos continuam alcançando o ambiente marinho.
E você: os governos deveriam investir na retirada de munições de naufrágios centenários ou priorizar o monitoramento dos locais que apresentam maior risco de contaminação?
Fonte
Science Daily
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

