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Técnica de enfermagem de 34 anos atende por 11 anos, nas visitas do posto de saúde, uma idosa agredida e abandonada pela própria filha, encontra a mulher desnutrida e com um tumor no peito, a leva para casa depois da internação e entra na Justiça para adotar oficialmente a “mãe” de 59 anos, no segundo caso de adoção de idosos do Brasil
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/09/2026 às 11:59
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Maria Verônica Grossi conheceu Maria Martins Ferreira há 11 anos, em visita do posto de saúde do distrito de Conceição, em Carangola, a 349 km de Belo Horizonte. Após achá-la desmaiada, gravemente desnutrida e com tumor entre coração e pulmão, virou responsável por procuração e pediu a adoção na Justiça
A técnica de enfermagem Maria Verônica Grossi, de 34 anos, entrou na Justiça para adotar Maria Martins Ferreira, de 59, abandonada pela família na zona rural de Carangola, a 349 km de Belo Horizonte. As duas se conheceram nas visitas domiciliares do posto de saúde do distrito de Conceição, e a relação de 11 anos passou por agressões da filha da idosa, uma internação por desnutrição grave e o diagnóstico de um tumor entre o coração e o pulmão.
As informações foram publicadas pelo Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) em 27 de agosto de 2019, com relatos da própria Verônica sobre cada etapa da história.
Encontro começou há 11 anos nas visitas domiciliares em Conceição
Há 11 anos, contados da publicação de 2019, Verônica começou a trabalhar em um posto de saúde no distrito de Conceição, que pertence a Carangola. A função dela incluía atendimentos domiciliares aos idosos da região.
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Foi em uma dessas visitas que ela conheceu Maria Martins Ferreira. Segundo a técnica, as duas se aproximaram como velhas conhecidas desde o primeiro contato.
“Eu não me pareço tanto com a minha mãe quanto eu pareço com ela”
“Quando eu conheci a Dona Maria eu me apaixonei por ela. É engraçado como nós somos idênticas. Eu não me pareço tanto com a minha mãe quanto eu pareço com ela”, revelou Verônica.
A semelhança citada por ela aparece antes de qualquer ideia de adoção. Na época, a relação era a de uma profissional de saúde com uma paciente atendida em casa.
Filha barrava consultas: “Eu marcava os médicos mas ela não deixava a mãe ir”
Maria morava então com a filha, um genro e um neto. Verônica percebeu que a mulher passava por dificuldades e tinha algum problema de saúde, e que a filha tentava afastá-la.
“Eu marcava os médicos para a Dona Maria mas ela não deixava a mãe ir. Não gostava que nós duas fôssemos próximas e sempre me recebia mal. Eu nunca me intimidei e continuei visitando a minha amiga”, contou a técnica.
Vizinhas há cinco anos: fome, tapas e pedidos de comida
Há cinco anos, a idosa se tornou vizinha de Verônica, e as visitas ficaram mais frequentes. Foi nesse período que a técnica percebeu que Maria sofria agressões físicas e verbais.
“Ela passava fome, então, ia a minha casa para pedir comida. Uma vez eu vi a filha dar um tapa forte na mão da mãe que ela caiu no chão”, relatou Verônica.
Fogão à lenha sem fumaça foi o sinal de alerta
Um dia, Verônica sentiu falta das visitas da amiga e comentou com a própria mãe. A mãe da técnica também havia estranhado um detalhe: não saía fumaça do fogão à lenha da casa de Maria.
A ausência da fumaça, em uma casa onde se cozinhava no fogão à lenha, indicava que ninguém estava preparando comida. Foi esse sinal que levou Verônica até a casa da vizinha.
Encontrada desmaiada no pé da cama, internada com pressão alta e desnutrição grave
Verônica encontrou Maria caída no chão. “Eu a encontrei desmaiada no pé da cama. A princípio eu achei que ela estava morta e entrei em desespero, ela não tinha sinais de violência mas estava muito suja e debilitada. Nós a colocamos no carro e a levamos para o hospital”, contou.
A idosa foi internada com pressão alta e desnutrição grave. O quadro de desnutrição confirmava o que Verônica já via nos pedidos de comida da vizinha.
Filha disse que a mãe “estava acostumada a ficar sozinha” e assinou procuração
Dois dias após o episódio, Verônica procurou a filha de Maria para entender por que a idosa estava naquelas condições. A resposta foi que a mãe estava acostumada a ficar sozinha.
Terminado o período de internação, a filha assinou uma procuração para que Verônica se tornasse responsável por Maria. A partir daí, a técnica de enfermagem passou a responder legalmente pela idosa.
Tumor entre o coração e o pulmão e nenhum benefício: a decisão de adotar
Os médicos do hospital informaram a Maria que ela tinha um tumor entre o coração e o pulmão. Foi nesse momento que Verônica decidiu adotá-la.
Segundo a técnica, a idosa não recebe nenhum tipo de benefício, porque não é aposentada. “Eu decidi torná-la oficialmente da minha família porque ela não tinha ninguém. Eu peguei um amor que uma mãe tem por uma filha”, revelou.
“Minha filha você vai ter coragem de me tirar desse sofrimento?”
Restava saber se Maria queria morar com Verônica. “Eu disse para a Dona Maria que precisava conversar um coisa séria com ela e a perguntei se ela queria ir morar comigo”, contou a técnica.
“Ela pegou a minha mão, começou a chorar e disse: Minha filha você vai ter coragem de me tirar desse sofrimento?”, relatou Verônica. A resposta da idosa selou a mudança de casa.
Segundo caso de adoção de idosos no Brasil, após Araraquara em 2016
O pedido de Verônica é o segundo caso de adoção de idosos no Brasil, de acordo com a publicação do Coren-ES. O primeiro aconteceu em 2016, em Araraquara, no interior de São Paulo.
A raridade do procedimento explica a atenção ao caso de Carangola. A adoção, aqui, envolve uma mulher de 59 anos sem renda, sem aposentadoria e sem amparo da família de origem.
Em agosto de 2019, a ação de adoção corria na Justiça
Quando a publicação foi feita, em 27 de agosto de 2019, Verônica estava com a ação de adoção de Maria Martins Ferreira em andamento na Justiça. A procuração assinada pela filha já a tornava responsável pela idosa, mas a adoção oficial dependia da decisão judicial.
O texto do Coren-ES não informa o resultado da ação nem o tratamento do tumor identificado pelos médicos. O que estava registrado era o pedido feito por uma técnica de enfermagem de 34 anos para transformar em mãe, por lei, a paciente que atendia havia 11 anos.
Na sua opinião, a adoção de idosos abandonados pela família deveria ser um caminho mais conhecido e facilitado no Brasil, ou casos como o de Carangola precisam antes de resposta do poder público contra a violência e o abandono? Deixe sua opinião nos comentários.
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técnica de enfermagem adota idosa abandonada em Carangola
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

