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Testemunha vê alguém abandonar caixa numa rua do Guarujá e chama a polícia imaginando haver animais dentro, mas agentes abrem saco preto e encontram tocha da Rio 2016 furtada de ex-atleta havia cinco anos, reacendendo mistério sobre onde ela esteve desde então
Escrito por Ana Alice
Publicado em 16/09/2026 às 05:21
Atualizado em 16/09/2026 às 05:22
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Uma caixa deixada numa rua do Guarujá escondia um objeto ligado aos Jogos Rio 2016 e desaparecido havia cinco anos, reacendendo dúvidas sobre onde a peça ficou e quem a abandonou.
Uma caixa de papelão abandonada em uma esquina do Guarujá parecia esconder algo bem diferente de uma lembrança dos Jogos Olímpicos.
Uma testemunha viu uma pessoa deixando o volume na rua e, segundo relato publicado pela Veja São Paulo, chegou a imaginar que poderia haver filhotes de animais dentro dela. A Polícia Militar foi chamada para verificar.
Quando os agentes abriram a caixa, encontraram primeiro um saco plástico preto.
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Dentro dele apareceu um objeto branco, de formato inconfundível para quem acompanhou os Jogos do Rio de Janeiro: uma tocha do revezamento olímpico de 2016.
A descoberta, em 11 de agosto de 2026, ficou ainda mais curiosa depois das primeiras consultas feitas pelos policiais.
A peça correspondia à tocha que o ex-atleta Felipe Almeida havia denunciado como furtada no próprio Guarujá em março de 2021.
Ela estava desaparecida havia mais de cinco anos.
Até setembro de 2026, porém, uma pergunta continuava sem resposta pública: quem deixou a caixa naquela rua e onde a tocha permaneceu durante todo esse tempo?
A polícia não havia divulgado suspeitos pelo abandono nem explicado o caminho percorrido pelo objeto entre o furto e a recuperação.
Caixa abandonada escondia a tocha olímpica
A cena aconteceu no bairro Balneário Cidade Atlântica, na esquina da Avenida Dom Pedro I com a Rua Leonor da Silva Quadros.
Após receber a informação sobre a caixa, policiais do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior foram ao endereço e encontraram a peça escondida dentro do saco.
A Polícia Militar informou ter relacionado o objeto ao furto registrado em 2021.
A tocha foi levada para a Delegacia Sede do Guarujá, onde o caso foi registrado como apreensão de objeto.
A Polícia Civil informou à TV Tribuna que a peça seria submetida a perícia técnica para confirmação formal de sua autenticidade.
Objeto fazia parte do revezamento da Rio 2016
O que estava dentro daquela caixa tinha uma história que começava muito antes do furto.
Felipe Almeida havia sido um dos brasileiros escolhidos para participar do revezamento da chama olímpica antes dos Jogos Rio 2016.
Reportagens locais registram sua trajetória em modalidades como natação, maratona aquática, biatlo, triatlo e canoagem oceânica.
O revezamento daquele ano envolveu aproximadamente 12 mil condutores e passou por cerca de 300 cidades e municípios brasileiros antes da abertura dos Jogos.
Segundo material do Comitê Olímpico Internacional, as tochas foram produzidas com alumínio reciclado e resina e tinham segmentos móveis que se abriam quando a chama era transferida de um condutor para outro, revelando cores associadas ao Brasil.
Esse desenho fazia com que cada peça carregada durante o percurso fosse facilmente reconhecível.
A estrutura branca se abria em faixas coloridas, enquanto o formato triangular fazia referência aos valores olímpicos de excelência, amizade e respeito.
Tocha foi furtada de dentro do carro em 2021
No caso de Felipe, aquele objeto permaneceu como recordação de sua participação no revezamento até a noite de 12 de março de 2021.
Na ocasião, a tocha estava dentro do carro do ex-atleta, estacionado na Rua Paraguai, no bairro Enseada, também no Guarujá.
Felipe contou à época ao jornal A Tribuna que havia levado a peça porque pretendia mostrá-la a um amigo.
Segundo o relato publicado em 2021, ele deixou o veículo por volta das 22h e voltou aproximadamente uma hora e meia depois.
Ao abrir o automóvel, percebeu que o interior havia sido revirado e que a tocha olímpica havia desaparecido.
Havia ainda elementos estranhos dentro do carro.
Felipe relatou ter encontrado uma lata de cerveja deixada no veículo e o banco do motorista molhado.
Não havia, segundo reportagens posteriores, sinais evidentes de arrombamento.
O ex-atleta registrou o furto na delegacia no dia seguinte.
Uma reportagem da RedeTV informou posteriormente que ele tentou obter imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos, mas não conseguiu registros que ajudassem a esclarecer o desaparecimento.
Assista o vídeo
Cinco anos sem qualquer pista pública
A partir daí, a tocha simplesmente sumiu.
Durante mais de cinco anos, não houve informação pública sobre quem havia levado a peça, se ela havia sido vendida, mantida em alguma residência ou transferida para outra pessoa.
Então surgiu a caixa de papelão.
A forma como ela foi encontrada acrescentou outra camada de mistério.
Segundo a Veja São Paulo, uma testemunha teria visto alguém abandonando a caixa e chamado a polícia por imaginar inicialmente que poderia haver animais dentro.
Outras informações divulgadas pela Polícia Militar confirmam que a equipe foi acionada por causa do objeto deixado na via e que encontrou a tocha escondida no interior do saco plástico.
Tocha reapareceu no mesmo município do furto
O achado aconteceu no mesmo município em que o furto havia sido registrado.
A tocha desapareceu no bairro Enseada, em 2021, e reapareceu em Balneário Cidade Atlântica, em 2026.
O intervalo de cinco anos entre os dois episódios permanece praticamente vazio nas informações públicas disponíveis.
A própria CNN Brasil informou, após consultar a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que não havia explicação divulgada sobre como a peça chegou à caixa, nem informação de suspeitos identificados pelo furto ou pelo abandono.
Também não havia confirmação pública, até a atualização consultada, de que a tocha já tivesse sido definitivamente devolvida a Felipe.
Uma das reportagens sobre o caso informou que representantes do Comitê Olímpico do Brasil seriam chamados para os procedimentos necessários depois da perícia.
Assista o vídeo
Símbolo olímpico ainda cercado de perguntas
O cuidado faz sentido porque peças ligadas ao revezamento olímpico não são apenas objetos esportivos comuns.
No Rio 2016, milhares delas passaram pelas mãos dos condutores durante uma jornada que atravessou o Brasil e terminou com o acendimento da pira olímpica.
Para Felipe Almeida, a peça encontrada na rua estava associada também a uma experiência pessoal vivida dez anos antes da recuperação.
Ele havia sido escolhido entre milhares de pessoas para carregar o símbolo durante a passagem da chama pelo país.
Cinco anos depois de ser retirada do carro e uma década depois dos Jogos, a tocha voltou a aparecer praticamente por acaso.
Não estava em uma coleção nem foi localizada durante uma investigação que apontasse um suspeito.
Estava dentro de um saco preto, colocado em uma caixa de papelão abandonada numa esquina do próprio Guarujá.
A polícia conseguiu reconstruir de onde o objeto havia desaparecido.
O trecho mais curioso da história continua sendo justamente aquele que ninguém explicou: o que aconteceu com a tocha durante os cinco anos entre o carro de Felipe e aquela caixa deixada na rua.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

