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Toyota mantém fora do Brasil uma “Hilux gigante” híbrida de 437 cv: Tundra i-FORCE MAX despeja 790 Nm, reboca até 5,4 toneladas e combina V6 biturbo com motor elétrico e câmbio de 10 marchas
Escrito por Débora Araújo
Publicado em 07/09/2026 às 17:25
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Vendida em mercados como o norte-americano, a picape de grande porte aposta no conjunto híbrido para entregar força elevada, alta capacidade de reboque e desempenho acima da conhecida Hilux.
A Toyota vende nos Estados Unidos uma picape que leva a receita de robustez associada à Hilux para uma escala completamente diferente. A Tundra 2026 com sistema híbrido i-FORCE MAX combina um V6 3.4 biturbo com motor elétrico, entrega oficialmente 437 hp, cerca de 443 cv, produz aproximadamente 790 Nm de torque e pode rebocar até 12.000 libras, equivalentes a 5.443 kg.
Segundo a Toyota USA Newsroom, a Tundra 2026 mantém duas famílias de motorização V6 biturbo, mas é o i-FORCE MAX eletrificado que concentra os números mais impressionantes. Enquanto a Toyota do Brasil oferece oficialmente apenas Hilux Cabine Dupla e Hilux Cabine Simples entre suas picapes, a Tundra permanece fora da gama regular brasileira, deixando por aqui uma lacuna justamente no segmento das full-size.
Toyota Tundra está uma categoria inteira acima da Hilux
Chamar a Tundra de “Hilux gigante” ajuda a dimensionar a proposta, embora tecnicamente sejam produtos de categorias diferentes. A Hilux é uma picape média global voltada a trabalho, agronegócio e uso misto. A Tundra nasceu para disputar o mercado norte-americano de picapes full-size, enfrentando modelos como Ford F-150, Chevrolet Silverado e Ram 1500.
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A diferença aparece imediatamente nas dimensões. Dependendo da combinação de cabine e caçamba, a Tundra pode superar 6,4 metros de comprimento. Mesmo uma CrewMax com caçamba curta mede aproximadamente 5,93 metros, enquanto a largura fica ao redor de 2,04 metros sem considerar os retrovisores.
A Hilux 2026 vendida no Brasil mede 5,325 metros de comprimento e 1,855 metro de largura nas versões convencionais. Isso significa que a Tundra CrewMax curta já adiciona cerca de 60 centímetros ao comprimento e quase 20 centímetros à largura, aproximando-se das proporções das enormes picapes americanas que ainda são raras nas ruas brasileiras.
Sistema i-FORCE MAX combina V6 biturbo e motor elétrico
O conjunto mais poderoso da Tundra é chamado i-FORCE MAX. A base é um V6 biturbo de 3,4 litros com comando duplo no cabeçote e distribuição variável, mas a Toyota adicionou um motor-gerador elétrico diretamente ao sistema de transmissão. A fabricante declara 437 horsepower a 5.200 rpm, unidade utilizada nos Estados Unidos. Convertido para cavalo-vapor métrico, o valor corresponde a aproximadamente 443 cv. O torque máximo é de 583 lb-ft a apenas 2.400 rpm, equivalentes a cerca de 790 Nm ou pouco mais de 80 kgfm.
É justamente o torque que melhor evidencia a diferença de escala. Em vez de utilizar a eletrificação apenas para reduzir consumo, a Toyota empregou o motor elétrico para ampliar a força disponível nas situações em que uma picape pesada mais precisa dela, como arrancadas, reboque e condução fora de estrada.
O motor elétrico do conjunto híbrido entrega sozinho até 250 Nm. A potência não deve ser somada diretamente à do V6 porque a Toyota divulga a potência combinada final do sistema, mas sua atuação permite preencher a entrega do propulsor a combustão e fornecer resposta imediata.
Motor elétrico fica escondido entre o V6 e o câmbio de 10 marchas
A posição do componente elétrico é um dos aspectos mais interessantes do projeto. Em vez de utilizar um sistema híbrido semelhante ao dos Corolla e Corolla Cross vendidos no Brasil, a Tundra posiciona seu motor-gerador dentro da campana da transmissão, entre o V6 e o câmbio automático.
Uma embreagem permite administrar a conexão entre os componentes. O motor elétrico envia força pela própria transmissão de dez velocidades, enquanto o sistema também participa da partida do motor, assistência elétrica, regeneração de energia e determinadas situações de condução elétrica.
Essa arquitetura preserva características fundamentais de uma picape de trabalho. A força passa pelo câmbio automático convencional, que possui dez marchas, modo sequencial, lógica específica para subidas e descidas e programas Tow/Haul destinados ao reboque.
O resultado é um híbrido bastante diferente de um automóvel urbano focado essencialmente em economia. Na Tundra, eletrificação também significa força adicional para deslocar grandes massas.
Capacidade de reboque chega a impressionantes 5,4 toneladas
A Toyota informa capacidade máxima de reboque de 12.000 libras para a família Tundra. Convertido para o sistema métrico, o número corresponde a aproximadamente 5.443 kg, ou 5,44 toneladas. É uma capacidade suficiente para transportar grandes trailers, barcos, veículos recreativos e equipamentos de trabalho que simplesmente ultrapassariam os limites de muitas picapes médias. A capacidade específica varia conforme versão, cabine, motorização, tração e configuração escolhida.
O desenvolvimento incluiu tecnologias destinadas especificamente a facilitar o uso com reboques. Entre elas aparecem o Trailer Backup Guide e o Straight Path Assist, sistemas que utilizam sensores e eletrônica para auxiliar o motorista a manter o conjunto alinhado durante manobras de ré.
O Panoramic View Monitor também pode apresentar diferentes imagens das câmeras externas, inclusive visualização da região do engate. Em uma caminhonete que pode se aproximar de seis metros e puxar outras cinco toneladas atrás de si, câmeras deixam de ser mero item de conveniência.
Comparação com a Hilux mostra a diferença de escala
A ficha oficial da Hilux 2026 brasileira ajuda a colocar esses números em perspectiva. Seu motor 2.8 turbodiesel produz 204 cv e até 50,9 kgfm, aproximadamente 499 Nm, nas versões automáticas. A Tundra i-FORCE MAX chega a aproximadamente 443 cv e 790 Nm. Isso representa mais que o dobro da potência máxima da Hilux e cerca de 58% a mais de torque, embora os dois veículos tenham propostas, combustíveis e mercados diferentes.
A transmissão também muda. A Hilux brasileira emprega caixa automática de seis velocidades nas versões correspondentes, enquanto a Tundra utiliza dez marchas. Até o tanque acompanha o gigantismo. A Toyota tornou um reservatório de 32,2 galões padrão em todas as Tundra 2026, capacidade equivalente a aproximadamente 122 litros. A Hilux brasileira utiliza tanque de 80 litros.
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A comparação não significa que uma seja simplesmente “melhor” que a outra. A Hilux é menor, mais adequada às dimensões das cidades brasileiras e desenvolvida para requisitos globais de carga. A Tundra responde às necessidades do mercado norte-americano, onde capacidade de reboque e dimensões full-size têm peso muito maior.
Chassi fechado e suspensão traseira com molas helicoidais
A Tundra continua sendo construída sobre chassi do tipo escada totalmente fechado em aço de alta resistência, preservando a arquitetura tradicional de picape mesmo com a adoção da eletrificação. A dianteira utiliza suspensão independente com braços duplos. Na traseira, porém, a Toyota adotou uma solução que diferencia a geração atual de diversas caminhonetes tradicionais: suspensão multibraço com molas helicoidais.
O objetivo é combinar capacidade de carga e estabilidade no reboque com maior conforto quando a picape está vazia. Em determinadas versões também estão disponíveis suspensão adaptativa e controle pneumático de altura traseira.
A capacidade máxima de carga anunciada para a Tundra 2026 chega a 1.850 libras, aproximadamente 839 kg, dependendo da configuração. Nesse aspecto específico, algumas Hilux brasileiras ultrapassam uma tonelada de capacidade, evidenciando como as prioridades de homologação e configuração das duas categorias são diferentes.
Caçamba chega a mais de 2,4 metros nas versões longas
A Toyota oferece a Tundra com diferentes combinações de cabine e caçamba. As opções anunciadas medem 5,5 pés, 6,5 pés ou 8,1 pés, permitindo criar desde uma CrewMax voltada ao transporte de passageiros até uma configuração de trabalho com enorme área de carga.
A maior caçamba passa de 2,45 metros de comprimento interno, enquanto a menor fica próxima de 1,67 metro. A largura interna é de aproximadamente 1,49 metro e permanece perto de 1,24 metro entre as caixas das rodas.
Outra particularidade é o material. A Tundra utiliza caçamba composta reforçada com alumínio, desenvolvida para resistir a amassados, impactos e corrosão sem recorrer exclusivamente à solução convencional de aço estampado.
Há ainda disponibilidade de tomadas de 120 volts e até 400 watts para alimentar equipamentos. A proposta combina uso profissional, lazer e reboque pesado no mesmo veículo, aspecto fundamental para compreender o sucesso das full-size nos Estados Unidos.
TRD Pro transforma a picape híbrida em máquina para trilhas
A configuração mais extrema da Tundra 2026 é a TRD Pro, oferecida com o conjunto i-FORCE MAX. O pacote adiciona uma longa lista de componentes dedicados à condução fora do asfalto. Entre eles aparecem diferencial traseiro com bloqueio eletrônico, Multi-Terrain Select, Downhill Assist Control e Crawl Control. Este último funciona como uma espécie de controle de cruzeiro para trilhas, administrando automaticamente acelerador e freios em cinco velocidades baixas enquanto o motorista concentra atenção na direção.
A TRD Pro utiliza rodas de 18 polegadas com pneus all-terrain e recebe proteções inferiores específicas. A Toyota também disponibiliza o Multi-Terrain Monitor, capaz de mostrar imagens dianteiras, traseiras e laterais para ajudar o motorista a identificar pedras, valetas e obstáculos fora do campo direto de visão.
Para 2026, a versão ganhou ainda a cor exclusiva Wave Maker e passou a oferecer bancos IsoDynamic, tecnologia criada para reduzir o movimento do corpo dos ocupantes durante condução agressiva em terrenos acidentados.
Tela de 14 polegadas e oito airbags aproximam cabine de SUV premium
O gigantismo mecânico não significa uma cabine espartana. Dependendo da configuração, a Tundra oferece central multimídia de 14 polegadas, painel digital de 12,3 polegadas e sistema de som JBL com 12 alto-falantes, subwoofer e amplificador. Apple CarPlay e Android Auto funcionam sem fio. Versões superiores acrescentam bancos dianteiros aquecidos e ventilados, revestimentos sofisticados e sistemas destinados a aproximar o interior daquele encontrado em SUVs de luxo.
A segurança também acompanha o pacote. A Tundra 2026 possui Toyota Safety Sense 2.5 de série em todas as versões, incluindo sistema pré-colisão com detecção de pedestres, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de saída de faixa com assistência de direção, Lane Tracing Assist, reconhecimento de placas e farol alto automático. São oito airbags no total, além de recursos disponíveis como monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e assistência automática de frenagem durante manobras.
Toyota vende Hilux no Brasil, mas deixa Tundra restrita a outros mercados
A diferença de portfólio é objetiva. Em setembro de 2026, o site oficial da Toyota do Brasil lista Hilux Cabine Dupla e Hilux Cabine Simples entre suas picapes. A Tundra não aparece entre os veículos comercializados regularmente pela marca no país. Nos Estados Unidos, a situação é outra. A Tundra ocupa posição central na estratégia de picapes da Toyota, dividindo espaço com a Tacoma, menor e mais próxima conceitualmente das médias globais.
A própria produção revela o foco regional. A Tundra é montada exclusivamente pela Toyota Motor Manufacturing Texas, em San Antonio, fábrica preparada para atender a demanda norte-americana por grandes utilitários.
Isso não impede a existência eventual de unidades trazidas ao Brasil por importadores independentes, mas não equivale a uma venda oficial pela Toyota do Brasil com a mesma estrutura de catálogo, preço e distribuição das Hilux produzidas na Argentina.
Tundra mostra como seria uma Toyota para enfrentar Ram, F-150 e Silverado
A Tundra i-FORCE MAX representa uma interpretação radicalmente diferente da picape Toyota que o brasileiro conhece. Ela preserva chassi separado da carroceria, capacidade fora de estrada e robustez, mas adiciona dimensões de full-size, quase 800 Nm de torque, eletrificação e capacidade para rebocar mais de cinco toneladas.
A Toyota divulga 437 hp de potência combinada, equivalentes a aproximadamente 443 cv, e 583 lb-ft de torque, cerca de 790 Nm. O motor elétrico fica encaixado entre o V6 biturbo e a transmissão automática de dez marchas, transformando a eletrificação em parte direta do sistema responsável por mover e rebocar cargas.
Na outra extremidade da ficha estão caçambas que chegam a 8,1 pés, tanque de aproximadamente 122 litros, suspensão traseira multibraço com molas helicoidais, versões TRD Pro para uso severo e cabine com tela de até 14 polegadas.
Enquanto a Hilux continua sendo a representante oficial da Toyota entre as picapes brasileiras, a Tundra mostra o que acontece quando a fabricante japonesa aplica sua experiência em utilitários a uma categoria construída para enfrentar diretamente F-150, Silverado e Ram 1500.
O resultado é uma picape tão grande que uma Hilux deixa de parecer o topo da escala: a Tundra i-FORCE MAX combina um V6 biturbo, assistência elétrica, transmissão de dez marchas e capacidade de reboque de 5,44 toneladas, criando uma das máquinas de trabalho e lazer mais poderosas da atual gama global da Toyota.
Fonte
Toyota USA Newsroom
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

