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Trabalhadores do petróleo cruzam os braços em Macaé e na Bacia de Campos após impasse na CCT 2026/2027; greve por tempo indeterminado alcança operações onshore e offshore e começa no aeroporto
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 21/09/2026 às 15:03
Atualizado em 21/09/2026 às 16:06
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Movimento começou às 7h30 no Aeroporto de Macaé, envolve profissionais de manutenção e montagem industrial e chegou a unidades offshore; sindicato cobra reajuste de 15%, vale-alimentação de R$ 1 mil e mudança na escala de embarque
Trabalhadores de manutenção e montagem industrial ligados ao setor de petróleo iniciaram uma greve por tempo indeterminado em Macaé e na Bacia de Campos após o fracasso das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027.
O movimento começou na sexta-feira, 18 de setembro, às 7h30, com concentração no Aeroporto de Macaé, um dos principais pontos de embarque de profissionais destinados às plataformas da região. A mobilização alcança trabalhadores de atividades onshore e offshore. G1
A categoria é representada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário, Ladrilhos, Hidráulicos, Produtos de Cimento, Mármores, Granitos, Engenharia Consultiva, Montagens Industriais, Manutenção e Limpezas Industriais, inclusive nas Plataformas Marítimas da Bacia de Campos, o SINTPICC-RJ.
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Segundo informações divulgadas sobre a mobilização, a greve foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelo Sindicato das Empresas de Engenharia de Montagem e Manutenção Industrial do Rio de Janeiro, o SINDEMON, durante as negociações da nova convenção coletiva.
A paralisação não tem data definida para terminar. Esse detalhe muda o peso da mobilização: não se trata de um protesto programado para algumas horas, mas de uma disputa trabalhista cuja duração dependerá da reabertura das negociações.
Reajuste de 15%, vale-alimentação de R$ 1 mil e escala 14×21 estão entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores na negociação coletiva
Entre as reivindicações atribuídas à categoria estão reajuste salarial de 15%, vale-alimentação no valor de R$ 1 mil, melhorias nas condições de trabalho e segurança e revisão de diferenças de benefícios existentes entre trabalhadores terceirizados e empregados próprios da Petrobras.
Outro ponto chama atenção no ambiente offshore: a reivindicação de alteração da escala de trabalho.
Os trabalhadores defendem a passagem do regime de 14 dias embarcados por 14 dias de folga para 14 dias de trabalho por 21 dias de descanso, de acordo com as informações divulgadas sobre a pauta da categoria.
A escala é um ponto especialmente sensível na atividade offshore porque não envolve apenas remuneração. Tempo embarcado, período de descanso, deslocamento e permanência longe de casa fazem parte da própria organização da vida profissional de quem trabalha no mar.
A convenção anterior entre SINTPICC-RJ e SINDEMON já estabelecia regras específicas para trabalhadores onshore e offshore, incluindo pisos, adicionais e condições relacionadas às jornadas de embarque. O instrumento de 2025/2026 tinha vigência de 1º de maio de 2025 a 30 de abril de 2026 e abrangia Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus.
É justamente por isso que a discussão atual vai além de um percentual de reajuste: a nova CCT determina condições que alcançam parte da rotina de profissionais empregados em uma das regiões mais importantes da indústria offshore brasileira.
Sindicato aponta adesão em dezenas de unidades offshore da Bacia de Campos, mas presença de trabalhadores em greve não significa interrupção automática da produção de petróleo
O SINTPICC informou que a greve também chegou às unidades marítimas da Bacia de Campos.
Na relação divulgada pela entidade aparecem P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-70, P-74, P-75, P-77, PNA1, PCH1, PCH2, UMPC, UMAR, P-51, P-43, Sayan Polaris, UMTJ, P-Merluza e ADG (Alexandre de Gusmão). A relação e a informação sobre a adesão nessas unidades são atribuídas ao próprio sindicato.
Esse ponto exige uma distinção importante.
Dizer que uma plataforma possui trabalhadores envolvidos na greve não significa necessariamente que a unidade deixou de produzir petróleo ou gás. Profissionais de manutenção e montagem industrial integram a cadeia operacional das instalações, mas uma plataforma reúne diferentes equipes, empresas e funções.
A própria Petrobras informou que acompanha as negociações entre trabalhadores e empresas contratadas e declarou que está adotando medidas para garantir a continuidade segura dos serviços a bordo.
Segundo a estatal, as plataformas que estão em produção continuam operando normalmente e não houve impacto na produção nem no abastecimento. A companhia não divulgou, porém, quantos trabalhadores aderiram ao movimento nem especificou quais unidades registraram impacto nas equipes contratadas.
Esse contraste é central para entender o estágio atual da greve: há mobilização confirmada de trabalhadores em terra e no ambiente offshore, enquanto a operadora sustenta que a produção permanece preservada.
Aeroporto de Macaé virou ponto de concentração porque é uma das portas de entrada dos trabalhadores que seguem para as plataformas
A escolha do Aeroporto de Macaé para marcar o início da mobilização tem relação direta com a logística offshore.
O local funciona como ponto de passagem e embarque de equipes destinadas às instalações marítimas da região. Foi ali que a categoria começou a concentração às 7h30 do dia 18 de setembro.
O movimento também ultrapassa os limites de Macaé. A representação do SINTPICC alcança trabalhadores em Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, além dos profissionais embarcados na Bacia de Campos.
Essa extensão ajuda a explicar por que uma negociação coletiva envolvendo manutenção e montagem industrial ganha rapidamente dimensão regional. A cadeia offshore não termina na plataforma: ela depende de aeroportos, bases em terra, empresas contratadas, oficinas, logística e milhares de profissionais distribuídos por diferentes municípios.
Petrobras diz que acompanha as negociações; sindicato mantém greve sem prazo para terminar e pressiona por nova rodada de conversas
A Petrobras informou que acompanha as tratativas entre suas empresas contratadas e os trabalhadores. Segundo a companhia, os contratos mantidos pela estatal estão de acordo com a legislação e reuniões já foram realizadas com representantes das empresas envolvidas.
Do lado dos trabalhadores, o SINTPICC afirma permanecer aberto à retomada das negociações.
Até o momento, porém, a greve continua aprovada por tempo indeterminado, sem uma data previamente estabelecida para encerramento.
O próximo capítulo, portanto, não depende apenas do tamanho da adesão nas plataformas. O ponto decisivo será saber se trabalhadores e setor patronal voltarão à mesa e se surgirá uma nova proposta capaz de encerrar o impasse da CCT 2026/2027.
Enquanto isso, duas situações coexistem na Bacia de Campos: trabalhadores de manutenção e montagem industrial mantêm uma mobilização que já alcançou terra e mar, e a Petrobras afirma que a produção de petróleo continua normalmente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

