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Tumba de 600 anos é encontrada no Peru com restos de 38 pessoas, peças de ouro e cobre, armas, joias, tecidos e cerca de 200 vasos de cerâmica
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 17/09/2026 às 13:01
Atualizado em 17/09/2026 às 13:22
Ciência e Tecnologia
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Mausoléu encontrado em Chan Chan permaneceu praticamente intacto por séculos e preservava esqueletos, peças de ouro e cobre, armas, tecidos e cerâmicas que podem revelar detalhes sobre a elite e os rituais Chimú no Peru
Uma tumba de aproximadamente 600 anos com restos mortais de pelo menos 38 pessoas foi descoberta em Chan Chan, antiga capital da civilização Chimú, no norte do Peru. O mausoléu permaneceu praticamente intacto durante séculos e preservava objetos de cobre e ouro, armas de metal, joias, tecidos coloridos e cerca de 200 vasos de cerâmica preta com pigmentos vermelhos.
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A estrutura foi escavada neste ano no complexo Utzh An, dentro da cidadela de Chan Chan, próxima à atual cidade de Trujillo. Camadas de areia, terra e pedra cobriam a entrada e contribuíram para manter o conjunto funerário protegido.
O arqueólogo Jorge Meneses, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou à AFP que o estado de preservação permite analisar tanto os indivíduos quanto os artefatos da maneira como foram depositados. Segundo ele, essa condição representa um “valor excepcional para a arqueologia peruana”.
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Tumba encontrada: Câmara central pode ter recebido integrante da elite Chimú
O acesso ao mausoléu é feito por uma escadaria que leva à câmara central, com aproximadamente 1,2 metro de largura e 4,9 metros de profundidade.
Nesse espaço, os pesquisadores encontraram os restos de uma pessoa que aparentemente ocupava uma posição de destaque dentro da estrutura funerária.
O crânio apresentava vestígios de um pigmento vermelho possivelmente identificado como cinábrio, mineral composto por sulfeto de mercúrio. Parte dos ossos desse indivíduo não estava mais no local.
Uma das hipóteses apresentadas é que esses restos tenham sido deslocados ou reenterrados posteriormente.
A manipulação dos mortos depois do sepultamento era conhecida entre sociedades andinas, que podiam manter relações rituais com antepassados e líderes após a morte.
Henry Luis Gayoso, funcionário do Ministério da Cultura do Peru, disse ao The New York Times que a configuração da tumba e os bens sofisticados encontrados indicam que esse indivíduo provavelmente tinha alguma ligação com a elite Chimú.
A sala principal era acompanhada por outras duas câmaras. Uma delas estava praticamente vazia. Na segunda, foram encontrados aproximadamente 20 conjuntos de restos humanos junto a diferentes objetos. Outros 17 esqueletos apareceram durante a escavação da plataforma funerária.
Ouro, cobre, armas, tecidos e cerâmicas cercavam os mortos na tumba
Entre os materiais recuperados estão peças de cobre e ouro, armas, adornos, joias, tecidos e aproximadamente 200 vasos de cerâmica preta decorados com pigmentos vermelhos.
A presença conjunta de restos humanos e bens funerários poderá ajudar os pesquisadores a investigar como funcionavam relações sociais e práticas rituais entre os Chimú.
Ainda não está definido, porém, quem eram exatamente as pessoas enterradas, qual relação existia entre elas ou em que circunstâncias morreram.
Estudos futuros deverão buscar informações sobre idade, sexo, condições de saúde e possíveis relações familiares ou sociais entre os indivíduos encontrados.
Chan Chan foi o centro de uma sociedade que prosperou antes dos incas
A civilização Chimú desenvolveu-se na costa norte do atual Peru aproximadamente entre os anos 900 e 1470. Antes da expansão do Império Inca, formou um poderoso Estado em uma das regiões mais áridas da América do Sul.
A agricultura dependia de sistemas de irrigação capazes de levar água até as áreas cultivadas. À revista Smithsonian, o engenheiro hidráulico Charles Ortloff descreveu os Chimú como a “primeira sociedade verdadeiramente engenheira do Novo Mundo”, em referência à complexidade dessas obras.
Chan Chan era o principal centro político e urbano desse reino. Construída predominantemente em adobe, a cidade possuía grandes complexos cercados por muros.
Seus governantes ocupavam palácios que também podiam incluir plataformas funerárias destinadas a líderes e integrantes da corte.
Em seu auge, estima-se que Chan Chan tenha abrigado dezenas de milhares de habitantes e figurado entre os maiores assentamentos das Américas de seu período.
Hoje, o sítio é reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco, embora apenas uma pequena parte da antiga capital tenha sido investigada por arqueólogos.
Esta reportagem foi produzida a partir das informações fornecidas sobre as escavações em Chan Chan e de declarações atribuídas à AFP, ao The New York Times e à revista Smithsonian.
Fonte
https://revistagalileu.gl
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

