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Uma chimpanzé de 59 anos em estado terminal se recusava a comer e beber, até que seu antigo cuidador apareceu. No instante em que o reconheceu, ela abriu um sorriso e o envolveu em um abraço… quase como uma despedida
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/09/2026 às 23:51
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Chimpanzé de 59 anos, em seus últimos dias de vida, reconhece antigo cuidador após décadas e protagoniza um abraço comovente antes de morrer
Mama estava encolhida sobre a palha, debilitada pela idade e praticamente sem reagir ao que acontecia ao redor. A chimpanzé de 59 anos recusava comida e água nos últimos dias de vida quando Jan van Hooff entrou em seu recinto. Ela demorou alguns instantes para perceber quem estava diante dela. Então seu rosto mudou: Mama abriu a boca em uma expressão descrita como um grande sorriso, ergueu o braço, tocou o homem que conhecia havia mais de quatro décadas e o puxou para perto em um longo abraço.
Segundo o Royal Burgers’ Zoo, em Arnhem, nos Países Baixos, Mama morreu em 5 de abril de 2016, aos 59 anos, uma idade extremamente avançada para um chimpanzé. Van Hooff não era apenas uma figura conhecida de seu passado: professor de biologia comportamental, pesquisador de primatas e um dos responsáveis pela histórica colônia de chimpanzés do zoológico, ele convivia com Mama desde o início da década de 1970. O encontro registrado em vídeo ocorreu na semana anterior à morte dela e acabaria percorrendo o mundo.
Mama estava entre os chimpanzés mais velhos da Europa
A história de Mama começou muito antes daquele abraço. O Royal Burgers’ Zoo estima que ela tenha nascido em 1957, na natureza. Posteriormente, viveu durante alguns anos no zoológico de Leipzig, na Alemanha, antes de ser transferida em 1971 para Arnhem, acompanhada por duas outras fêmeas chamadas Gorilla e Franje.
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Quando morreu, Mama era o chimpanzé mais velho dos Países Baixos. Segundo o próprio zoológico, apenas dois indivíduos da espécie na Europa eram mais velhos naquele momento. Seus 59 anos não representavam apenas longevidade: ela havia acompanhado praticamente toda a história de uma experiência social que transformou o grupo de Arnhem em referência internacional para estudos sobre comportamento de primatas.
A velha chimpanzé que aparece quase imóvel nas primeiras imagens do vídeo, portanto, tinha sido durante décadas uma das figuras mais importantes de uma colônia observada por alguns dos principais pesquisadores de comportamento animal de sua geração.
Uma experiência que muitos especialistas acreditavam que terminaria em desastre
A chegada de Mama, Gorilla e Franje a Arnhem ajudou a formar uma experiência incomum para a época. O Royal Burgers’ Zoo afirma que aquela foi a primeira vez na história dos zoológicos em que vários chimpanzés adultos foram mantidos conjuntamente em uma mesma área.
Especialistas chegaram a prever problemas sérios. Chimpanzés possuem estruturas sociais complexas, coalizões, disputas de posição e relações individuais capazes de mudar ao longo dos anos. A experiência, porém, prosperou e passou a atrair pesquisadores.
Entre eles estavam Jan van Hooff e, mais tarde, Frans de Waal. A Universidade de Utrecht registra que Van Hooff se especializou no estudo da comunicação e do comportamento social de primatas, com trabalhos particularmente conhecidos sobre expressões faciais, sorriso e riso entre macacos, grandes primatas e seres humanos.
Era justamente esse cientista que, décadas mais tarde, entraria no recinto de Mama em seus últimos dias.
Durante décadas, Mama ocupou uma posição extraordinária dentro do grupo
Mama não era uma chimpanzé socialmente periférica. Durante seus melhores anos, permaneceu no topo da hierarquia entre as fêmeas e exerceu enorme influência sobre o restante da colônia.
O primatólogo Frans de Waal iniciou seus estudos com o grupo de Arnhem na década de 1970 e transformou muitas dessas observações no livro Chimpanzee Politics. O Royal Burgers’ Zoo descreve Mama como uma fêmea dominante cuja influência precisava ser considerada até pelos machos envolvidos em disputas por posição.
Ao envelhecer, seu papel ganhou outra característica. Mama passou a ser reconhecida dentro do grupo por comportamentos de reconciliação e mediação de conflitos, mantendo uma posição elevada mesmo quando sua neta Morami já havia assumido parte de sua antiga centralidade social.
Aquela longa trajetória ajuda a explicar por que sua morte provocou repercussão muito além dos limites do zoológico.
Jan van Hooff a conhecia havia mais de 40 anos
A relação entre Mama e Jan van Hooff não começou durante a velhice da chimpanzé. Quando ocorreu o último encontro, os dois se conheciam havia mais de quatro décadas.
Van Hooff participou do desenvolvimento da colônia e conduziu durante anos pesquisas relacionadas àquele grupo.
A Universidade de Utrecht o identifica como professor emérito de biologia comportamental e socioecologia, com estudos dedicados especialmente à comunicação, às relações sociais e às expressões faciais de primatas.
O próprio pesquisador relatou ao Royal Burgers’ Zoo como Mama costumava reagir à sua presença. Durante visitas ao recinto, ela chegava a atravessar a área para encontrá-lo do outro lado do fosso, emitindo vocalizações características de saudação.
No último ano de sua vida, entretanto, isso se tornou cada vez mais difícil. Van Hooff contou que Mama demorava progressivamente mais para chegar até ele e já caminhava com dificuldade.
A chimpanzé poderosa que durante décadas dominara relações sociais complexas estava chegando ao limite físico imposto pela idade.
Nos últimos dias, ela quase não reagia e recusava comida e água
Quando Van Hooff foi chamado para vê-la pela última vez, o cenário era completamente diferente daquele dos anos anteriores.
Mama estava gravemente debilitada. O registro posteriormente analisado inclusive em publicação acadêmica da Cambridge University Press mostra a chimpanzé encolhida, com pouca reação, recusando comida e água.
O encontro tinha uma característica incomum. Chimpanzés adultos são extraordinariamente fortes, e pesquisadores normalmente não entram livremente em seus recintos. Frans de Waal explicou posteriormente, em entrevista ao programa Fresh Air, que esse tipo de contato direto não fazia parte da rotina justamente porque um chimpanzé adulto pode ser perigoso e imprevisível.
Van Hooff decidiu entrar porque Mama estava morrendo e porque a conhecia havia décadas.
Quando se aproximou, porém, não houve reconhecimento imediato.
Ela demorou alguns segundos para perceber quem estava diante dela
Nas imagens, Van Hooff se aproxima da chimpanzé deitada e começa a falar e tocá-la delicadamente. Mama inicialmente permanece quase indiferente. O cansaço era evidente. Até mesmo quando o pesquisador tenta chamar sua atenção, a resposta é mínima.
Então ela olha novamente.
É nesse ponto que o vídeo muda completamente.
Mama aparentemente identifica o homem diante dela e produz uma expressão facial ampla. A descrição feita posteriormente por De Waal e por pesquisadores que analisaram as imagens é de um grande sorriso ou grin, acompanhado de vocalização e de uma mudança imediata no comportamento.
O corpo que segundos antes parecia quase sem energia se movimenta. Mama levanta um dos braços em direção a Van Hooff e começa a tocá-lo.
Mama segura sua cabeça, toca seus cabelos e o puxa para perto
A sequência que tornou o vídeo mundialmente conhecido dura poucos instantes, mas contém uma série de comportamentos muito específicos.
Mama estende a mão para Van Hooff, toca seu rosto e seus cabelos e envolve o pescoço do pesquisador. Depois, aproxima a cabeça dele da sua.
Assista o vídeo
De Waal descreveu o encontro dizendo que Mama o abraçou e deu pequenas batidas em suas costas, comportamento que ele interpretava dentro do repertório social dos primatas. Em uma entrevista posterior, o cientista chamou atenção para um detalhe ainda mais particular: na sua leitura, Mama também parecia tranquilizar Van Hooff durante aquele contato, e não apenas buscar conforto.
A Emory University descreveu posteriormente a cena como o momento em que Mama recebe o antigo conhecido com uma expressão de sorriso, abraça o professor e lhe dá um gesto tranquilizador no pescoço.
O encontro aconteceu apenas uma semana antes da morte
A importância da gravação cresceu ainda mais pelo que aconteceu poucos dias depois.
Mama morreu na manhã de 5 de abril de 2016, aos 59 anos. O Royal Burgers’ Zoo atribuiu sua morte à idade avançada e destacou que seu estado físico vinha se deteriorando havia algum tempo.
O vídeo foi registrado durante a semana anterior à morte. A descrição vinculada às imagens por Van Hooff posteriormente registrou que Mama estava gravemente doente e que demorou algum tempo para perceber sua presença antes de apresentar a intensa reação.
A cena ganharia enorme circulação internacional depois de ser publicada online. Para milhões de pessoas que jamais conheceram Mama, aqueles poucos minutos acabaram se tornando o registro definitivo de sua vida.
Para os pesquisadores, porém, ela representava muito mais do que a protagonista de um vídeo emocionante.
A chimpanzé que mal conseguia caminhar ainda reconheceu um rosto de décadas atrás
Há um contraste que atravessa toda a história. Em seus anos de força, Mama atravessava o recinto quando percebia a chegada de Van Hooff. Corria em sua direção e o saudava com vocalizações. No último ano, precisava de cada vez mais tempo para percorrer o mesmo caminho. Nos últimos dias, já permanecia deitada e recusava até comida e água.
Quando Van Hooff entrou no recinto naquela última visita, não havia mais fosso separando os dois.
Mama inicialmente parecia não perceber quem estava ali. Depois veio o olhar, a expressão facial, o braço estendido e o abraço.
Uma semana mais tarde, ela morreu.
O vídeo não permite saber tudo o que Mama compreendia naquele instante, nem transformar automaticamente gestos de chimpanzés em sentimentos humanos.
Mas registra algo muito concreto: uma chimpanzé de 59 anos, extremamente debilitada, mudou imediatamente seu comportamento quando reconheceu alguém presente em sua vida havia mais de 40 anos.
Foi esse instante, preservado por uma câmera nos últimos dias de uma vida iniciada ainda na década de 1950, que fez o mundo conhecer Mama não apenas como uma das chimpanzés mais velhas da Europa ou como a poderosa matriarca estudada durante décadas, mas como a protagonista de um último abraço que continuaria sendo visto muito depois de sua morte.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

