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Uma das maiores obras metroferroviárias do Nordeste com capacidade projetada para 150 mil passageiros por dia avança sob Fortaleza com Tatuzão de mil toneladas e túnel de 6 metros de diâmetro escavado a 30 metros
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/09/2026 às 00:27
Atualizado em 22/09/2026 às 00:30
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Projeto somou 4,1 quilômetros de infraestrutura de via executados até julho e alcançou 50% de avanço físico global. Em setembro, uma concorrência de R$ 1,23 bilhão acrescentou uma nova etapa administrativa para a implantação de três estações subterrâneas.
A Linha Leste do Metrô de Fortaleza alcançou 50% de execução física global, enquanto a frente subterrânea somava 4,1 quilômetros de infraestrutura de via entre o Centro e o Papicu. Em setembro, o empreendimento avançou também no processo de contratação de três estações.
O marco dos túneis ocorreu em julho, quando uma das tuneladoras chegou à futura Estação Nunes Valente depois de percorrer 1.755 metros desde a Estação Colégio Militar. Nesse segmento, a máquina abriu uma galeria de aproximadamente seis metros de diâmetro a cerca de 30 metros de profundidade.
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Conhecido como “Tatuzão”, o equipamento tem aproximadamente 120 metros de comprimento e pesa mais de mil toneladas. Com a chegada à Nunes Valente, a Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra) informou que a infraestrutura de via executada havia alcançado 4,1 quilômetros.
Esse avanço representava cerca de 60% do percurso planejado naquela frente entre o Centro e o Papicu, mas o percentual não correspondia à execução de toda a Linha Leste. Em entrevista a O POVO em julho, o secretário estadual da Infraestrutura, Hélio Winston Leitão, informou que o avanço físico global da obra era de 50%.
Conforme apurou o portal CPG, os indicadores medem etapas diferentes. O primeiro acompanha o desenvolvimento da frente de escavação informada pela Seinfra, enquanto o percentual global considera também estações e outras estruturas necessárias ao empreendimento.
O segmento entre Colégio Militar e Nunes Valente foi o segundo trecho subterrâneo concluído nessa frente. A etapa anterior, entre Chico da Silva e Colégio Militar, havia sido finalizada em maio de 2025.
Projeto prevê oito estações e integração com outros transportes
Na configuração apresentada pela página oficial da Linha Leste da Seinfra, o projeto terá 7,3 quilômetros entre o Centro e o Papicu, com uma estação de superfície e sete subterrâneas. A capacidade projetada é de cerca de 150 mil passageiros por dia.
A Seinfra estima em 15 minutos o tempo de viagem entre os dois extremos. O projeto prevê conexões com as linhas Sul e Oeste do metrô, com a Linha Nordeste, operada pelo VLT Parangaba-Mucuripe, e com o Terminal de Ônibus do Papicu.
A página oficial lista as estações Tirol–Moura Brasil, Chico da Silva, Sé, Colégio Militar, Luíza Távora, Nunes Valente, Virgílio Távora e Papicu. O órgão classifica a Linha Leste como uma das maiores obras de infraestrutura e mobilidade urbana em execução no Nordeste.
A abertura dos túneis representa apenas uma das frentes necessárias para colocar a linha em funcionamento. O projeto envolve ainda estações, estruturas auxiliares, via permanente, sistemas elétricos, sinalização, equipamentos e demais serviços ligados à operação metroferroviária.
Concorrência de R$ 1,23 bilhão inclui três estações
Em setembro, foi divulgado o resultado da concorrência destinada à construção integrada de três estações subterrâneas. A proposta vencedora ficou em R$ 1.230.612.738,18, acrescentando uma nova etapa administrativa ao empreendimento.
O objeto da contratação abrange as estações Sé, Luíza Távora e Leonardo Mota, além dos projetos básico e executivo, obras civis, serviços de engenharia, equipamentos e serviços especiais necessários às três unidades.
A divulgação do resultado da licitação não significa que essa nova frente de construção já tenha começado. A formalização contratual e a emissão de ordem de serviço são etapas distintas do processo antes do início efetivo dos trabalhos vinculados ao certame.
Os documentos públicos também apresentam uma diferença de nomenclatura. O objeto da concorrência registra Leonardo Mota, enquanto a página atual da Linha Leste apresenta Virgílio Távora entre as estações do projeto, razão pela qual o nome do processo licitatório deve ser preservado ao tratar dessa contratação específica.
TCU registrou insuficiência orçamentária e atraso
O avanço registrado em 2026 ocorre após mudanças contratuais e de cronograma acompanhadas por órgãos de controle. Em fiscalização divulgada em agosto de 2025, o Tribunal de Contas da União apontou insuficiência de previsão orçamentária e atraso na execução da Fase 1 da Linha Leste.
Naquele momento, a auditoria identificou R$ 2,1 bilhões em disponibilidade orçamentária diante de aproximadamente R$ 2,3 bilhões referentes ao saldo de obrigações do empreendimento. A diferença calculada pelo tribunal era próxima de R$ 200 milhões.
O TCU também registrou que a reinclusão de componentes anteriormente retirados poderia aumentar de forma relevante a necessidade de recursos. A fiscalização considerou ainda que o ritmo observado colocava em risco o cronograma então previsto para a conclusão da obra.
Esse diagnóstico antecede os avanços subterrâneos divulgados pela Seinfra em julho de 2026 e a concorrência das três estações em setembro. Na fiscalização de 2025, o tribunal registrava outubro de 2028 como data prevista para o término das obras e avaliava que, diante da evolução observada naquele período, mesmo esse prazo estava sob risco.
Fonte
https://portal.tcu.gov.br
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

