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Vinícola na África do Sul solta mais de 1.000 patos-corredores indianos entre as videiras, as aves passam o dia caçando caracóis e insetos no meio das uvas, reduzem a necessidade de pesticidas químicos e ainda viram atração, marchando duas vezes por dia diante dos visitantes a caminho do trabalho
Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/09/2026 às 19:32
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Na histórica Vergenoegd Löw, em Stellenbosch, mais de 1.000 patos-corredores indianos circulam diariamente pelos vinhedos em busca de caracóis e insetos, ajudam no controle natural de pragas, reduzem a dependência de pesticidas químicos e ainda protagonizam uma marcha gratuita, observada duas vezes por dia por visitantes da propriedade vinícola sul-africana.
Mais de 1.000 patos-corredores indianos fazem parte da rotina agrícola da vinícola Vergenoegd Löw, na região de Stellenbosch, na África do Sul. As aves percorrem os vinhedos procurando caracóis e insetos que poderiam atacar as plantações e, dessa forma, funcionam como uma equipe natural de controle de pragas enquanto circulam entre as videiras durante o dia.
As informações constam em material publicado pela Vergenoegd Löw em 25 de janeiro de 2026. Além do trabalho nos vinhedos, o bando ganhou uma segunda função inesperada: duas vezes ao dia, às 9h e ao meio-dia, os patos atravessam áreas abertas da propriedade em direção ao trabalho, formando uma marcha que pode ser acompanhada gratuitamente pelos visitantes.
Mais de 1.000 patos entram nos vinhedos para procurar pragas
Os patos-corredores indianos não são mantidos na propriedade apenas como atração. Segundo a vinícola, eles integram diretamente a operação agrícola e passam parte do dia vasculhando os vinhedos atrás de caracóis e insetos.
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O comportamento natural das aves é aproveitado como uma ferramenta de manejo, fazendo com que animais que normalmente buscariam alimento por conta própria desempenhem uma função útil dentro da produção de uvas.
Ao caminharem entre as fileiras de videiras, os patos procuram organismos que podem causar problemas à plantação. O método transforma o próprio ecossistema da fazenda em parte da estratégia de proteção das vinhas, em vez de depender exclusivamente de intervenções químicas. A presença de um bando tão numeroso permite que essa busca aconteça diariamente em diferentes pontos da propriedade.
Patos-corredores indianos ajudam a reduzir pesticidas químicos
O principal benefício agrícola destacado pela Vergenoegd Löw está no controle natural de pragas. Ao consumir caracóis e insetos encontrados entre as videiras, os patos-corredores indianos ajudam a limitar a presença desses organismos e, segundo a propriedade, permitem cultivar as vinhas sem o uso de pesticidas químicos nocivos empregados para essa finalidade.
A lógica é simples: o alimento procurado naturalmente pelos patos coincide com parte das pragas que os produtores querem manter longe das plantas.
Com isso, uma atividade biológica cotidiana das aves passa a integrar o manejo do vinhedo. A estratégia se soma a outras práticas adotadas na propriedade e transforma os animais em parte permanente do sistema agrícola.
Vinícola combina aves com outras práticas de agricultura sustentável
Os patos fazem parte de uma estratégia mais ampla utilizada pela propriedade para reduzir impactos ambientais. A Vergenoegd Löw também mantém gado Dexter, que pasta e ajuda a fertilizar naturalmente o solo, além de empregar energia solar, irrigação por gotejamento e sistemas de reciclagem de água. O controle de pragas realizado pelas aves funciona, portanto, como uma das peças de um modelo que combina diferentes práticas.
Nesse contexto, os patos-corredores indianos representam uma solução baseada no funcionamento natural do próprio ambiente agrícola.
Em vez de terem uma função apenas ornamental, eles atuam diretamente entre as culturas. O resultado é um sistema no qual manejo de animais, cuidado com o solo, uso de água e produção de energia aparecem conectados à rotina do vinhedo.
O caminho até o trabalho virou atração duas vezes por dia
A rotina agrícola acabou produzindo uma cena que passou a chamar a atenção de quem visita a propriedade. Todos os dias, o grupo faz seu trajeto em direção aos vinhedos, atravessando áreas próximas à mansão histórica e aos jardins.
A movimentação simultânea de centenas de aves transformou o deslocamento para o trabalho em um espetáculo conhecido como corrida ou desfile dos patos.
Os horários são definidos: os visitantes podem acompanhar a passagem às 9h e novamente ao meio-dia, sete dias por semana. A experiência dura aproximadamente entre 15 e 30 minutos e pode ser vista gratuitamente, sem necessidade de reserva prévia. Durante o percurso, as aves podem ainda fazer uma rápida parada na água antes de seguirem em direção às áreas onde cumprem sua função agrícola.
Atração turística nasceu de uma atividade que continua sendo trabalho
Embora a marcha tenha adquirido forte apelo entre visitantes, o destino das aves não é simplesmente uma área preparada para exibição.
Depois de atravessarem os jardins, os patos-corredores indianos seguem para os vinhedos, onde começam a procurar caracóis e insetos. É justamente essa combinação entre espetáculo visual e função prática que tornou a rotina incomum.
A própria propriedade apresenta o bando como uma força de trabalho emplumada. A expressão resume a dupla função criada ao longo da rotina: os animais ajudam no manejo agrícola e, no caminho, atraem a atenção de quem está no local. Assim, uma tarefa destinada à proteção das videiras passou também a integrar a experiência turística oferecida pela vinícola.
Segurança dos patos também muda as regras para visitantes
A presença constante das aves exige cuidados específicos. A propriedade informa que animais de estimação não podem entrar nas instalações ligadas à atividade, justamente para preservar a segurança e o bem-estar dos patos. A proibição procura manter um ambiente controlado durante tanto a marcha quanto o período em que o bando circula pela área rural.
A medida mostra que a atração turística permanece subordinada à rotina dos animais e à atividade agrícola. Embora os visitantes possam observar os deslocamentos gratuitamente, os patos-corredores indianos continuam sendo tratados como parte ativa da operação da propriedade, e não apenas como personagens de uma apresentação criada exclusivamente para o público.
De caçadores de caracóis a símbolo da própria vinícola
O que começou como uma forma de aproveitar o comportamento natural das aves acabou assumindo diferentes funções dentro da Vergenoegd Löw.
Mais de 1.000 patos trabalham no controle de pragas, ajudam a reduzir a necessidade de pesticidas químicos e ainda atraem visitantes enquanto marcham rumo aos vinhedos. A mesma atividade reúne agricultura, manejo ambiental e turismo sem retirar dos animais sua função original.
O caso mostra uma alternativa incomum para um problema recorrente na produção agrícola: controlar organismos que atacam as plantações. Em vez de depender apenas de produtos químicos, a vinícola incorporou animais ao manejo cotidiano. Você acha que soluções naturais como essa deveriam ser mais exploradas na agricultura ou esse modelo funciona apenas em situações muito específicas? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

