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Zach Norris entrou numa loja de doações em Phoenix para comprar um carrinho de tacos de golfe, remexeu na saída o cesto de relógios usados, pagou 5,99 dólares num modelo de 1959 do qual menos de mil foram feitos para os Estados Unidos e o revendeu por 35 mil
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 08/09/2026 às 13:35
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Cinco dólares e noventa e nove centavos na etiqueta.
Um homem entrou numa loja de artigos doados em Phoenix, no Arizona, para comprar uma coisa específica: um carrinho para carregar tacos de golfe. Comprou.
Na saída, parou diante do cesto de relógios usados e começou a remexer. Foi ali que ele tirou de dentro do monte uma peça com a etiqueta de 5,99 dólares, segundo o relato do caso.
O nome no mostrador
O que chamou a atenção dele foi a inscrição no mostrador: LeCoultre Deep Sea Alarm. Não era um nome que costuma aparecer num cesto de relógio de cinco dólares.
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Ele pagou os 5,99 dólares e levou. O homem se chama Zach Norris e mora em Phoenix, conforme as reportagens que apuraram o caso, e o cesto de usados é justamente o lugar onde ninguém procura: foi num brechó que apareceu o cofrinho rosa intacto com mais de 12 mil reais guardados dentro, em outro caso já noticiado.
Que relógio é esse
O Deep Sea Alarm é de 1959 e foi um dos primeiros relógios de pulso a trazer alarme pensado para mergulhador, conforme a ficha técnica do modelo. A ideia era simples e engenhosa: avisar o tempo de fundo sem depender de o mergulhador olhar para o pulso.
Fazer um alarme soar dentro de uma caixa estanque é um problema mecânico chato. Som precisa de vibração, e vedação existe justamente para impedir que a caixa vibre com o meio.
A solução da casa suíça foi usar uma segunda caixa interna e um martelinho que percute contra o fundo, transmitindo o som pela água em vez de tentar vencê-la. Funciona melhor submerso do que ao ar livre.
Isso explica por que o modelo entrou para a história do relojoeiro e não só para a do mergulhador. Era um problema que ninguém tinha resolvido de forma prática até ali.
Por que LeCoultre e não Jaeger-LeCoultre
Essa diferença de assinatura no mostrador é o que separa um relógio comum de um raro. Peças assinadas apenas LeCoultre eram destinadas ao mercado americano, e as assinadas Jaeger-LeCoultre iam para o resto do mundo, segundo o material técnico sobre o modelo.
É uma distinção de distribuição, não de qualidade. Mas é ela que define a raridade e, portanto, o preço.
Havia um acordo comercial antigo por trás disso, que separava a distribuição no mercado americano do restante do planeta. Quem compra hoje procura o mostrador com uma assinatura só.
Para quem está de fora, é uma letra a mais ou a menos. Para quem coleciona, é a diferença entre uma peça comum e uma peça de vitrine.
Menos de mil unidades
Foram feitos menos de mil exemplares dessa versão para o mercado americano, conforme os levantamentos de colecionadores. É um número pequeno para qualquer produto industrial.
Sessenta e sete anos depois, quantos ainda existem em condição de uso é outra história. Relógio de mergulho apanha do sal, da pressão e do tempo.
Umidade entra por junta ressecada, corda enferrujada trava e mostrador de relógio antigo descasca com o calor. Quem guarda no fundo da gaveta costuma acelerar esse processo, não travá-lo.
Por que estava num cesto de cinco dólares
Loja de doação recebe caixa fechada e precisa girar estoque. Ninguém tem tempo de pesquisar cada peça, e relógio antigo sem brilho parece exatamente o que parece: relógio velho.
O modelo de operação é justamente esse: volume alto, triagem rápida, preço baixo e giro constante. Peça que fica encalhada ocupa espaço e vira prejuízo.
Acontece o tempo todo. Foi assim no caso já noticiado da mulher que pagou 34,99 dólares num busto de mármore largado debaixo de uma mesa e levou para casa quase 24 quilos de escultura romana.
Como ele soube que tinha valor
Norris reconheceu o nome. Quem circula em fórum de relógio sabe que Deep Sea Alarm é peça de catálogo histórico, e isso bastou para ele não deixar a coisa no cesto.
A confirmação veio depois, com pesquisa e avaliação. É a etapa que a maioria das pessoas pula, e é justamente ela que transforma um achado em dinheiro.
Entre reconhecer o nome e provar a autenticidade existe um caminho de fórum especializado, relojoeiro e comparação de número de série. É trabalho, não é sorte.
Quanto ele conseguiu
O relógio saiu por 35 mil dólares, segundo o relato do caso. O negócio não foi um leilão público: foi venda direta, e incluiu também um Omega Speedmaster Pro no pacote.
Vale registrar isso com clareza, porque muda o número. Não foram 35 mil dólares por um relógio só, foram 35 mil por um conjunto em que o LeCoultre era a peça principal.
Esse tipo de detalhe some quando a história é recontada, e o número vai inflando a cada versão. É por isso que valor de achado de brechó precisa sempre vir com a forma da venda anexada.
O que quase aconteceu com peças assim
O risco maior de um achado desses não é ser roubado, é ser destruído por quem não sabe o que tem. Muita peça histórica virou matéria-prima.
Foi o que quase ocorreu no caso já noticiado do sucateiro que comprou um ovo de ouro numa feira para derreter e pesquisou na internet antes de acender o maçarico.
Como uma peça dessas vai parar na doação
O caminho mais comum é inventário de espólio. Alguém morre, a família esvazia a casa em dois fins de semana e o que não tem valor sentimental vai para a caixa da doação.
Relógio de pulso é vítima preferencial desse processo. Está no fundo da gaveta, não funciona porque a bateria acabou ou a corda travou, e ninguém para para conferir o nome no mostrador.
A pessoa que separa a doação está resolvendo um problema de espaço, não avaliando patrimônio. E raramente há alguém na família que saiba o que é um mostrador assinado.
O que olhar num cesto de relógios
Colecionador experiente olha primeiro a assinatura do mostrador, depois o fundo da caixa e por último a coroa. É onde ficam nome, número de série e referência.
O segundo sinal é o peso. Caixa de aço maciço de fabricação suíça antiga pesa diferente de caixa de relógio de moda, e a mão percebe isso antes do olho.
O terceiro é o vidro. Cristal acrílico abaulado e riscado, típico das décadas em que o modelo foi feito, é sinal de peça antiga de verdade, e não de reprodução recente.
Por que colecionador paga tanto
O valor não está no ouro nem na precisão, está na história. Um relógio que foi um dos primeiros a resolver um problema técnico específico ocupa um lugar no catálogo que nenhum outro ocupa.
É o mesmo motivo pelo qual papel velho vira dinheiro, como no caso já noticiado do comerciante que pagou 20 libras num caderno de bazar e levou um registro de 1915 com 900 voluntários da Primeira Guerra.
O outro lado da conta
Para cada história dessas existem milhares de pessoas remexendo cestos e achando relógio quebrado de dez reais. O viés de sobrevivência é brutal nesse assunto.
A diferença de Norris não foi sorte pura. Ele sabia ler um mostrador, e é isso que separa quem encontra de quem passa a mão por cima.
Vale lembrar também que ele não estava caçando relógio. Tinha ido comprar um carrinho de golfe e parou dois minutos num cesto no caminho da porta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

