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440 mil metros cúbicos de biodiesel e planta dobrada em Goiás: Caramuru aposta no B17, mas a lei previa o B16 em março e o diesel da bomba segue travado no B15
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 09/10/2026 às 11:14
Biocombustíveis Renováveis
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O presidente da Caramuru Alimentos disse à CNN que espera a mistura de biodiesel subir do B15 para o B17. O cronograma oficial conta outra história, e a conta do preço do diesel na bomba vai junto.
A Caramuru Alimentos quer mais biodiesel no tanque do caminhoneiro. Em entrevista ao programa É Negócio, da CNN Brasil, publicada nesta quinta-feira (9), o presidente da empresa, Marcus Thieme, disse que a expectativa é ver a mistura avançar do atual B15 para o B17.
A empresa goiana produz hoje cerca de 440 mil metros cúbicos de biodiesel, ou 440 milhões de litros. E já se preparou para vender mais: a planta de Ipameri (GO) foi ampliada no ano passado.
Quanto biodiesel a Caramuru produz e onde ela cresceu?
Os números vieram na própria entrevista à CNN. A Caramuru processa 2,4 milhões de toneladas de soja e fabrica cerca de 440 mil metros cúbicos de biodiesel.
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Em Ipameri, a capacidade de processamento saiu de cerca de 450 mil toneladas para perto de 930 mil toneladas. A conta é simples: 930 dividido por 450 dá 2,07. A planta ficou pouco mais que duas vezes maior.
O peso do combustível no caixa também é grande. Em 2025, a receita líquida foi de R$ 8,2 bilhões, e os biocombustíveis responderam por 31% dela. Multiplicando, são cerca de R$ 2,5 bilhões vindos desse negócio em um ano.
Além de Ipameri, a empresa tem unidades em Itumbiara e São Simão, também em Goiás, e em Sorriso (MT).
O que diz o cronograma oficial da mistura de biodiesel?
Aqui a aposta da empresa encontra a régua do governo.
A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, prevê que o biodiesel ganhe um ponto percentual por ano no diesel a partir de março de 2025, até chegar a 20% em março de 2030, como registrou a Agência Senado na sanção da lei.
Na mesma reportagem, a Agência Senado lembra que quem bate o martelo é o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O percentual pode ficar entre 13% e 25%.
Seguindo a escada de um ponto por ano, o B16 viria em março de 2026 e o B17, em março de 2027. Só que nem o degrau de 2026 saiu do papel.
Por que o diesel da bomba continua no B15?
A página oficial do biodiesel na ANP registra a última mudança: a mistura de 15% passou a valer em 1º de agosto de 2025, pela Resolução CNPE nº 9/2025. Não há mudança posterior listada pela agência.
O motivo do atraso está nos testes. Em maio, o Ministério de Minas e Energia aprovou a Portaria Normativa MME nº 133, de 19 de maio de 2026, com o plano de testes para misturas acima de 15% e até 25%.
O texto da portaria é direto: aprovar o plano não presume a viabilidade técnica de nada acima do B15. O ministério ainda tem até 30 de novembro de 2026 para publicar o cronograma atualizado dos ensaios.
Em agosto, a diretora do Departamento de Biocombustíveis do MME, Lorena Mendes, disse a jornalistas que os testes de misturas até o B20 devem terminar em fevereiro de 2027, segundo reportagem do portal eixos sobre a Biodiesel Week.
Se houver ajuste na especificação, a expectativa vai para agosto de 2027.
Na mesma reportagem, o eixos registra que o teor obrigatório atual é de 15%.
O próprio presidente da Caramuru tocou no assunto. Ele disse à CNN que a guerra no Oriente Médio e a demora nos testes atrasaram o B16.
O que o B17 muda no diesel e no preço?
Cada ponto a mais significa menos diesel de petróleo e mais óleo vegetal em cada litro. No B15, são 150 mililitros de biodiesel por litro. No B17, seriam 170 mililitros.
Para quem está do lado da usina, isso vira demanda garantida por lei. Para quem está na bomba, a pergunta é o preço.
O preço médio do diesel S10 no Brasil ficou em R$ 7,35 por litro na semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026, pelo levantamento semanal de preços da ANP. Em Goiás, terra da Caramuru, a média foi de R$ 7,29.
Uma estimativa do Santander, publicada pela Exame em reportagem sobre o setor de biodiesel em 2026, calcula que a passagem para o B16 teria impacto inferior a 1% no preço do diesel ao consumidor.
Com o preço médio da ANP, 1% de R$ 7,35 dá cerca de R$ 0,07 por litro. Num tanque de 500 litros de caminhão, o teto da conta fica perto de R$ 36,75 por abastecimento.
Essa conta vale só para o primeiro ponto, do B15 para o B16. Para o B17, que soma dois pontos, não achamos estimativa oficial nem de banco, e multiplicar por dois seria chute.
O que a Caramuru ganha se a mistura subir?
Com a planta de Ipameri maior, a empresa diz ter mais segurança para investir se a regra avançar. Thieme também citou à CNN que há estudos até para o B20.
O ano, porém, foi mais duro do que a aposta sugere. No mesmo programa, ele contou que farelos de soja de alto teor de proteína, exportados principalmente para a criação de salmão na Noruega, ajudaram a compensar a fraqueza dos biocombustíveis.
Até o CNPE decidir, a bomba segue com 15%. E a Caramuru segue com 440 milhões de litros de capacidade de produção esperando a régua subir.
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Biodiesel
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

