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A 2.735 metros de profundidade, Equinor instala no Brasil o gasoduto submarino mais profundo do mundo para levar gás de um projeto com mais de 1 bilhão de barris equivalentes
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/10/2026 às 13:43
Atualizado em 06/10/2026 às 13:45
Petróleo e Gás
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Equinor conclui trecho recordista do gasoduto Raia, que terá 200 km, capacidade de 16 milhões de m³ de gás por dia e começará a operar em 2028.
Segundo a Equinor, uma tubulação de aço acaba de ser instalada no fundo do Atlântico em um ponto onde existem 2.735 metros de água acima dela. A companhia classifica o trecho como o gasoduto mais profundo do mundo. A estrutura faz parte do projeto Raia, na Bacia de Campos, e será responsável por transportar gás natural de uma região localizada aproximadamente 200 quilômetros mar adentro até Cabiúnas, em Macaé, no Rio de Janeiro.
Quando todo o sistema entrar em operação, previsto para 2028, sua capacidade de exportação será de até 16 milhões de metros cúbicos de gás por dia, volume que poderá representar cerca de 15% da demanda brasileira estimada para o início da produção.
A tubulação é apenas uma parte de um empreendimento estimado pela Equinor em aproximadamente US$ 9 bilhões, seu maior investimento internacional até agora.
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Gasoduto desceu até uma região mais profunda que muitos cânions
A marca de 2.735 metros dá dimensão do desafio. Nessa profundidade, não há mergulhadores fazendo conexões manualmente. Todo o trabalho depende de navios especializados, equipamentos operados remotamente e sistemas capazes de posicionar tubos no fundo do oceano com grande precisão.
A Equinor concluiu em 2026 a instalação da parte de águas profundas do gasoduto. A região do projeto chega a lâminas d’água próximas de 2.900 metros, colocando Raia entre os grandes desenvolvimentos de águas ultraprofundas do Brasil.
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Pressão, peso da tubulação, relevo submarino e resistência dos materiais precisam ser considerados antes que cada trecho seja colocado no fundo.
A tubulação terá cerca de 200 quilômetros até Macaé
O gasoduto completo terá aproximadamente 200 quilômetros de extensão. Ele partirá do FPSO Raia e seguirá pelo fundo do mar até a região de Cabiúnas, em Macaé.
Ali, o gás poderá ser entregue à infraestrutura integrada de transporte brasileira. A parte em águas rasas já havia sido concluída em setembro de 2025, antes da finalização da seção mais profunda em 2026.
A distância é semelhante a uma viagem rodoviária entre duas grandes cidades, mas toda a estrutura ficará escondida no fundo do Atlântico.
Quase todo o aço do gasoduto veio da indústria brasileira
O projeto também movimentou fornecedores nacionais. Segundo a Equinor, 99% do aço utilizado na fabricação dos tubos do gasoduto foi produzido por empresas brasileiras.
Isso significa que a construção não ocorre apenas nos navios que lançam tubos no oceano. Existe uma cadeia anterior envolvendo fabricação do aço, produção dos tubos, revestimentos, logística, inspeção e preparação para a instalação offshore.
A empresa estima que Raia poderá gerar até 50 mil empregos diretos e indiretos ao longo dos cerca de 30 anos de vida do campo.
Mais de 1 bilhão de barris equivalentes estão sob o projeto
Raia reúne três descobertas feitas no pré-sal da Bacia de Campos: Pão de Açúcar, Gávea e Seat. Em conjunto, elas possuem recursos recuperáveis superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente.
O termo barril de óleo equivalente permite colocar petróleo e gás numa mesma unidade de energia. Isso não significa que exista 1 bilhão de barris de petróleo líquido no local. Boa parte do recurso é gás natural.
As descobertas originais foram realizadas pela Repsol Sinopec em 2010. A Equinor assumiu a operação do bloco em 2016 e hoje controla 35% do projeto.
Equinor, Repsol Sinopec e Petrobras dividem o empreendimento
O desenvolvimento não pertence a uma única companhia. A Equinor possui 35% e atua como operadora, enquanto a Repsol Sinopec Brasil possui outros 35%.
A Petrobras participa com os 30% restantes.
A decisão final de investimento ocorreu em 2023. Desde então, o projeto avançou simultaneamente em várias frentes, incluindo construção do FPSO, sistemas submarinos, perfuração de poços e instalação do gasoduto.
Em março de 2026, a Equinor anunciou o início da campanha de perfuração dos poços de produção.
Seis poços serão perfurados antes do início da produção
A campanha utiliza o navio-sonda Valaris DS-17. O contrato relacionado à perfuração foi estimado em US$ 498 milhões, incluindo mobilização, modificações e serviços integrados.
O plano prevê inicialmente seis poços ligados ao desenvolvimento. A perfuração começou em 2026 para preparar o campo para a partida prevista em 2028.
Esses poços precisam atravessar milhares de metros de água e depois continuar pelo subsolo até alcançar os reservatórios.
Depois de perfurados, serão ligados por equipamentos e tubulações submarinas ao FPSO que ficará permanentemente instalado sobre o campo.
Um FPSO vai produzir petróleo e tratar o gás no próprio mar
O centro do sistema será o FPSO Raia. FPSO é a sigla para uma plataforma flutuante que produz, processa e armazena petróleo antes de transferi-lo para outros navios.
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A unidade está sendo construída pela MODEC. Seu projeto prevê capacidade próxima de 125 mil a 126 mil barris de óleo e condensado por dia e armazenamento para aproximadamente 2 milhões de barris.
O gás seguirá outro caminho. Em vez de ser armazenado dentro do FPSO, ele será tratado, colocado dentro das especificações comerciais e enviado diretamente pelo gasoduto.
A MODEC prevê entregar a unidade em 2027. A Equinor mantém 2028 como previsão para o início da produção do projeto.
Até 16 milhões de metros cúbicos poderão sair do mar diariamente
A capacidade de exportação do sistema será de 16 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Documentos energéticos brasileiros trabalham com uma vazão média próxima de 14 milhões de metros cúbicos por dia quando a produção estiver estabelecida.
A diferença existe porque capacidade máxima e volume médio esperado não representam a mesma coisa.
Segundo a Equinor, o potencial equivale a cerca de 15% da demanda nacional de gás considerada para 2028, ano previsto para o início das operações.
É um volume capaz de ter peso significativo num mercado que abastece indústrias, usinas termelétricas, fertilizantes e outros consumidores.
Cabiúnas não foi escolhida por acaso. A região de Macaé já possui uma extensa infraestrutura ligada à produção offshore da Bacia de Campos.
Ao chegar ao litoral, o gás de Raia poderá entrar na rede existente e seguir para diferentes mercados consumidores.
O Ministério de Minas e Energia inclui o projeto entre as grandes novas fontes nacionais previstas para ampliar a disponibilidade de gás nesta década. O governo trabalha também com projetos como Rota 3 e Sergipe Águas Profundas para elevar a oferta doméstica.
Quanto maior a oferta produzida no próprio país, maior pode ser a competição com outras fontes, inclusive gás natural liquefeito importado.
Plataforma usará o calor que normalmente seria desperdiçado
Raia também foi projetado para reduzir as emissões associadas à própria produção. O FPSO utilizará turbinas a gás em ciclo combinado. Nesse sistema, o calor produzido por uma turbina é reaproveitado para gerar vapor e alimentar outra etapa de geração de energia.
Em uma instalação convencional, parte desse calor seria simplesmente perdida.
A Equinor estima intensidade média inferior a 6 quilos de CO₂ por barril de óleo equivalente ao longo da vida do projeto. Para comparação, a empresa cita cerca de 17 quilos como média atual da indústria considerada em sua análise.
Isso se refere às emissões da produção, não às emissões futuras geradas quando o gás ou condensado forem consumidos.
Raia é o maior investimento internacional da Equinor
A escala financeira acompanha a engenharia. A companhia estima o investimento total em aproximadamente US$ 9 bilhões.
A Equinor classifica Raia como seu maior investimento internacional realizado até agora.
O dinheiro cobre uma cadeia que vai muito além do gasoduto recordista. Existem poços, árvores submarinas, manifolds, linhas de produção, cabos de controle, FPSO, perfuração, estruturas de exportação e instalações de recebimento.
A TechnipFMC recebeu contrato para fornecer e instalar boa parte do sistema submarino, incluindo equipamentos que conectarão os poços à plataforma.
O projeto entra na reta final antes da produção em 2028
A instalação do trecho mais profundo do gasoduto remove uma das etapas críticas do cronograma.
Agora, perfuração, conclusão dos poços, sistemas submarinos, construção do FPSO e integração da infraestrutura precisam avançar até que todo o conjunto esteja pronto para produzir.
A previsão mais recente da Equinor continua apontando 2028 para o início das operações.
Quando isso acontecer, gás localizado a cerca de 200 quilômetros da costa poderá subir de reservatórios do pré-sal, ser tratado numa gigantesca plataforma em alto-mar e iniciar uma viagem de 200 quilômetros por uma tubulação que, em seu ponto mais extremo, repousa sob 2.735 metros de água.
A mesma estrutura terá capacidade para movimentar até 16 milhões de metros cúbicos por dia e conectar recursos superiores a 1 bilhão de barris equivalentes ao sistema energético brasileiro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

