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ABESPetro vê potencial para Brasil se tornar polo internacional de desmantelamento e reciclagem de navios e plataformas
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 02/10/2026 às 14:49
Atualizado em 02/10/2026 às 15:10
Indústria Naval
Canal
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ABESPetro avalia que o Brasil pode transformar o descomissionamento offshore em uma nova indústria e se tornar referência internacional em reciclagem de navios e plataformas.
Um mercado estimado em mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2029 pode impulsionar uma nova frente da indústria offshore brasileira. Diante da previsão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de desativação de 35 unidades de produção no período, a Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro) avalia que o Brasil tem condições de executar internamente seus projetos de descomissionamento e, em uma etapa posterior, receber navios, plataformas e equipamentos provenientes de outros países.
A ABESPetro entende que essa demanda pode movimentar investimentos, gerar milhares de empregos e ampliar a arrecadação. Para isso, porém, parte maior das atividades relacionadas ao fim da vida operacional dos ativos precisaria permanecer no país, envolvendo desde operações portuárias até processamento de materiais retirados das estruturas.
Descomissionamento pode movimentar diferentes áreas da indústria
A avaliação da ABESPetro vai além do desmonte físico de uma plataforma. O processo pode demandar serviços e infraestrutura de diferentes segmentos já presentes na economia brasileira.
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Entre as atividades que podem participar desse mercado estão:
- serviços ambientais e tratamento dos materiais retirados;
- engenharia e fornecedores especializados em petróleo e gás;
- logística e operações marítimas;
- reciclagem e aproveitamento de materiais pela indústria siderúrgica;
- construção, manutenção e reparação naval;
- atividades desenvolvidas por terminais portuários e estaleiros;
- fabricação e fornecimento de equipamentos.
Segundo o presidente-executivo da associação, Telmo Ghiorzi, empresas vinculadas à ABESPetro já estão presentes em praticamente toda essa cadeia. Em entrevista à Portos e Navios, ele afirmou que existe espaço para ampliar essa atuação tanto por meio de serviços individuais quanto por soluções que integrem diferentes etapas dos projetos.
Apesar da experiência brasileira no setor offshore, a associação identifica pontos que precisam avançar antes que o país consiga capturar parcela maior desse mercado.
Um deles é a disponibilidade de locais preparados e autorizados para receber atividades de reciclagem e desmontagem. A estrutura oferecida por portos e estaleiros também aparece entre as necessidades apontadas.
Outros desafios estão ligados ao acompanhamento dos resíduos gerados pelos projetos e à integração dos procedimentos de licenciamento. Para a ABESPetro, ampliar a rastreabilidade desses materiais e tornar os processos mais coordenados ajudaria a consolidar a atividade no território nacional.
ABESPetro pede maior previsibilidade para novos investimentos
A regulamentação é outro ponto considerado decisivo pela entidade. A associação reconhece avanços já realizados no país e destaca a Resolução ANP nº 817/2020, mas observa que um projeto de descomissionamento passa por diferentes normas, instituições e procedimentos.
Na avaliação da ABESPetro, a questão não deve ser tratada simplesmente como uma barreira regulatória. O objetivo seria tornar as regras mais claras e oferecer maior previsibilidade para empresas interessadas em ampliar capacidade, instalações e serviços.
Ghiorzi sustenta que um ambiente estável e competitivo é necessário para proporcionar segurança aos investidores e favorecer a expansão da estrutura brasileira dedicada a essas operações.
Brasil poderia atender projetos estrangeiros no futuro
A estratégia defendida pela associação começa pelo atendimento da própria demanda nacional. A escala prevista pela ANP para os próximos anos é vista como uma oportunidade para desenvolver instalações, empresas e conhecimento voltados ao encerramento de projetos offshore.
Uma indústria nacional mais estruturada poderia, posteriormente, ampliar seu alcance. A perspectiva da ABESPetro é que o Brasil tenha condições de receber também ativos estrangeiros para desmantelamento e reciclagem sustentável.
Para chegar a esse estágio, a entidade considera necessária uma articulação entre operadores, órgãos públicos e reguladores, fornecedores, portos e estaleiros.
Dessa forma, os recursos previstos para o descomissionamento de campos de petróleo e gás poderiam deixar de representar apenas o custo associado ao encerramento da produção e passar a sustentar uma cadeia industrial com atuação dentro e, futuramente, fora do mercado brasileiro.
Fonte
SINAVAL
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

