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Anduril e Marinha dos EUA anunciam complexo de US$ 6,6 bilhões com doca de 366 metros para fabricar grandes módulos de submarinos nucleares da classe Virginia em Maryland
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 07/10/2026 às 21:04
Atualizado em 07/10/2026 às 21:10
Logística e Transporte
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O Arsenal-2 ocupará 187 acres em Sparrows Point, terá mais de 185 mil m², doca seca de 366 metros e produção inicial prevista para 2030. A fábrica construirá componentes e grandes módulos de submarinos da classe Virginia.
A Anduril Industries anunciou a construção de um gigantesco complexo industrial em Sparrows Point, no estado norte-americano de Maryland, para fabricar componentes e grandes módulos de submarinos nucleares da classe Virginia.
Batizado de Arsenal-2, o projeto envolve um investimento privado de US$ 3,7 bilhões da Anduril e um contrato de até US$ 2,9 bilhões com a Marinha dos Estados Unidos. Somados, os valores podem alcançar US$ 6,6 bilhões.
O Arsenal-2 ocupará 187 acres em Sparrows Point, terá mais de 185 mil m², doca seca de 366 metros e produção inicial prevista para 2030. A fábrica construirá componentes e grandes módulos de submarinos da classe Virginia.
Apesar de ser chamado de estaleiro pela Anduril e pelas autoridades de Maryland, o Arsenal-2 não deverá montar sozinho submarinos completos durante sua fase inicial.
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A instalação fabricará componentes complexos e grandes conjuntos estruturais. Essas peças serão transportadas para os dois principais construtores de submarinos nucleares dos Estados Unidos: a General Dynamics Electric Boat, em Connecticut, e a Newport News Shipbuilding, controlada pela Huntington Ingalls Industries na Virgínia.
Esses dois estaleiros continuarão responsáveis pela integração final dos módulos, montagem dos submarinos, instalação dos sistemas e entrega das embarcações à Marinha norte-americana.
A estratégia consiste em retirar parte do trabalho pesado dos estaleiros principais e distribuí-lo para uma nova unidade industrial. Com mais etapas acontecendo simultaneamente, a Marinha espera reduzir gargalos e aumentar a velocidade do programa da classe Virginia.
Complexo terá área equivalente a aproximadamente 40 campos de futebol
O Arsenal-2 ocupará uma área de 187 acres, equivalente a aproximadamente 76 hectares. Os edifícios industriais terão mais de 2 milhões de pés quadrados, cerca de 185,8 mil metros quadrados.
Segundo a Anduril, essa área corresponde a aproximadamente 40 campos de futebol americano. O projeto incluirá grandes galpões de montagem, setores de fabricação instalados lado a lado e linhas produtivas reconfiguráveis.
A proximidade entre fabricação, montagem, testes e integração foi planejada para reduzir o deslocamento de componentes dentro da fábrica. Em estaleiros tradicionais, peças gigantes podem permanecer temporariamente em áreas intermediárias, criando filas e atrasos entre as diferentes etapas de produção.
O complexo também terá acesso a uma doca seca funcional de 1.200 pés, aproximadamente 366 metros. Rodovias, ferrovias e instalações marítimas permitirão transportar conjuntos de grandes dimensões para os estaleiros responsáveis pela montagem final.
A localização foi escolhida justamente por estar entre a Electric Boat, ao norte, e a Newport News Shipbuilding, ao sul. Os componentes poderão seguir por terra, ferrovia ou transporte marítimo.
Fábrica produzirá tubos de torpedo e módulos estruturais
Entre os primeiros componentes previstos estão tubos de torpedo de alta precisão e tanques usados nos sistemas de lançamento de armas dos submarinos.
Com o avanço do projeto, a Anduril pretende fabricar conjuntos modulares mais complexos, incluindo estruturas com equipamentos montados sobre plataformas isoladas para reduzir vibrações e ruídos.
A empresa também planeja assumir a fabricação de seções do casco. Essas estruturas são muito maiores e exigem controle rigoroso de soldagem, alinhamento, materiais e rastreabilidade, principalmente porque os submarinos operam submetidos a elevada pressão.
O Arsenal-2 atenderá inicialmente o programa dos submarinos de ataque da classe Virginia. Movidas por propulsão nuclear, essas embarcações são utilizadas em missões de vigilância, inteligência, combate antissubmarino e lançamento de mísseis e forças especiais.
A Anduril afirma que a fábrica acrescentará cerca de 9 milhões de horas de produção por ano à base industrial de submarinos. Segundo autoridades do setor naval, isso poderia representar um aumento próximo de 15% na capacidade disponível para o programa da classe Virginia.
Essas projeções dependerão da construção da fábrica, da contratação e qualificação dos trabalhadores e do cumprimento dos padrões exigidos pela Marinha.
US$ 6,6 bilhões combinam investimento privado e contrato de produção
O valor total anunciado não representa uma transferência imediata de US$ 6,6 bilhões do governo para construir a instalação.
A Anduril comprometeu-se a investir US$ 3,7 bilhões de capital privado. Esse montante será usado para preparar o terreno, construir os galpões, instalar máquinas, desenvolver a força de trabalho e colocar os sistemas industriais em funcionamento.
A Marinha concedeu à empresa um contrato de até US$ 2,9 bilhões. De acordo com o anúncio, os pagamentos serão vinculados a resultados produtivos comprovados.
A estrutura procura transferir uma parcela maior do risco de implantação para a companhia. Caso as metas não sejam atingidas, o valor total do contrato público não estará automaticamente garantido.
Maryland e o Condado de Baltimore também ofereceram incentivos econômicos que poderão corresponder a até 13% do investimento privado previsto. Parte desse apoio ainda depende da aprovação da Assembleia Geral de Maryland e do conselho do condado.
Software acompanhará soldagens, peças e certificações
A Anduril tornou-se conhecida principalmente por drones, sistemas autônomos e softwares militares. O Arsenal-2 marcará sua entrada em uma área muito mais tradicional e intensiva em infraestrutura: a fabricação pesada para submarinos tripulados.
A empresa pretende usar sua plataforma industrial ArsenalOS como base digital do estaleiro. O sistema deverá controlar a movimentação de materiais, a sequência das tarefas, os registros de produção e a documentação exigida para certificação.
Soldagens de alta precisão poderão ser registradas digitalmente, permitindo identificar quando cada procedimento foi realizado, quais parâmetros foram usados e quem executou o serviço.
Essa rastreabilidade é especialmente importante na indústria nuclear e naval, na qual defeitos pequenos podem comprometer estruturas que precisam operar durante décadas em condições extremas.
As linhas produtivas também serão reconfiguráveis. A proposta é permitir que a fábrica altere equipamentos e sequências de trabalho conforme os requisitos da Marinha mudem ao longo do programa.
Projeto promete criar mais de 3 mil empregos diretos
A construção deverá começar depois da obtenção das licenças, com a Anduril indicando o início das obras para 2027. As primeiras operações estão previstas para 2030, seguidas por uma ampliação gradual da produção.
O complexo deverá criar mais de 3.100 empregos permanentes e apoiar mais de 11 mil postos indiretos. O governo de Maryland calcula que o impacto total ultrapassará 14 mil empregos.
A produção pode gerar aproximadamente US$ 2 bilhões por ano para a economia regional, incluindo uma estimativa de US$ 312 milhões anuais em salários.
O local escolhido tem forte ligação com a história industrial norte-americana. Sparrows Point abrigou durante décadas uma enorme siderúrgica da Bethlehem Steel e instalações ligadas à construção naval. A antiga usina encerrou suas atividades em 2012.
Atualmente, a área integra o complexo logístico Tradepoint Atlantic, que reúne porto de águas profundas, ferrovias, rodovias, armazéns e empreendimentos industriais.
A chegada do Arsenal-2 promete devolver à região uma atividade de fabricação naval em grande escala, mas com processos digitais, automação e linhas de montagem diferentes das usadas pelos antigos estaleiros.
Novo complexo tenta aliviar atraso na produção de submarinos
A indústria naval norte-americana enfrenta dificuldades para atingir o ritmo desejado pela Marinha. Falta de trabalhadores especializados, limitações na cadeia de fornecedores e atrasos acumulados restringem a entrega dos submarinos da classe Virginia.
A expansão também está ligada aos compromissos do acordo AUKUS, parceria de defesa entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. O plano prevê que a Austrália adquira submarinos norte-americanos e desenvolva futuramente sua própria capacidade de operar embarcações nucleares.
Para atender simultaneamente a frota dos Estados Unidos e esses compromissos, será necessário aumentar a produção de componentes e reduzir a concentração do trabalho em apenas dois grandes estaleiros.
O Arsenal-2 representa uma tentativa de aplicar fabricação distribuída a um dos sistemas militares mais complexos do mundo. Em vez de construir o submarino inteiro, a nova unidade produzirá blocos e equipamentos que chegarão aos estaleiros principais prontos para integração.
O tamanho da fábrica, a doca de 366 metros e o investimento bilionário mostram a escala da aposta. O resultado, porém, só poderá ser medido quando a produção começar e os primeiros módulos forem entregues dentro dos padrões técnicos e dos prazos exigidos pela Marinha.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

