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Angola muda plano de perfuração offshore e envia sonda Borr Grid ao poço Impala-2, com custo limitado a US$ 60 milhões e meta de produzir 4 mil barris por dia em janeiro de 2027
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 13/10/2026 às 23:31
Atualizado em 13/10/2026 às 23:32
Setor Offshore
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Mudança anunciada pela Afentra altera a sequência das operações no Bloco 3/05, antecipa a perfuração do Impala-2 e permite que a sonda retorne posteriormente a outra descoberta de petróleo, onde foram identificados 136 metros de reservatório com óleo.
A Angola prepara uma nova operação de perfuração offshore com a sonda Borr Grid, que será deslocada para o poço Impala-2, no Bloco 3/05, localizado na costa do país africano. A decisão faz parte de uma reorganização do programa de desenvolvimento de petróleo conduzido pela Sonangol e seus parceiros, com o objetivo de iniciar a produção do novo poço em janeiro de 2027.
Segundo comunicado divulgado pela empresa britânica Afentra em 12 de outubro de 2026, o Impala-2 deverá começar a ser perfurado ainda na segunda quinzena deste mês. A expectativa é que as atividades de perfuração e completação durem aproximadamente 80 dias, com conclusão prevista para o final de dezembro.
A meta é alcançar uma produção bruta inicial de aproximadamente 4 mil barris de petróleo por dia, caso o desenvolvimento seja concluído conforme o planejamento.
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Os parceiros do empreendimento também aprovaram uma mudança no financiamento. O poço terá um mecanismo de limitação de custos fixado em US$ 60 milhões, valor bruto que não deve ser confundido com uma previsão de desembolso integral ou com o custo de toda a campanha offshore.
A alteração foi anunciada após dificuldades operacionais em outro poço do mesmo bloco, o Pacassa SW, que exigirá uma nova intervenção antes de entrar em produção.
Sonda Borr Grid deixa operação planejada em Pacassa para acelerar perfuração do Impala-2
A reorganização envolve uma unidade do tipo jack-up, plataforma de perfuração autoelevatória utilizada em operações marítimas de águas relativamente rasas.
A Borr Grid estava associada às atividades de desenvolvimento da descoberta Pacassa SW. Entretanto, problemas operacionais restringiram o acesso ao interior do poço, tornando necessária uma perfuração lateral corretiva, procedimento conhecido na indústria como sidetrack.
Em vez de manter a unidade aguardando a conclusão dos preparativos e a mobilização dos equipamentos necessários para essa intervenção, os parceiros decidiram alterar a ordem das operações.
A sonda será direcionada primeiro ao Impala-2. Depois de concluir a perfuração e completação desse poço, deverá retornar a Pacassa SW para executar o trabalho pendente.
A estratégia busca reduzir períodos improdutivos e aproveitar melhor a disponibilidade do equipamento.
Em uma campanha offshore, a sequência de utilização de uma sonda é decisiva para o cronograma financeiro e operacional. Equipamentos dessa categoria exigem equipes especializadas, logística marítima e uma estrutura de serviços que precisa permanecer coordenada durante toda a campanha.
Uma mudança na ordem dos trabalhos pode evitar que uma dificuldade localizada comprometa o andamento de outros projetos.
O diretor-presidente da Afentra, Paul McDade, explicou no comunicado que a decisão permite manter o ritmo operacional enquanto os preparativos técnicos para Pacassa SW são concluídos.
A expectativa da parceria é que tanto o Impala-2 quanto o Pacassa SW possam iniciar a produção durante o primeiro trimestre de 2027.
Poço Impala-1 voltou a produzir depois de ficar fechado desde 2017 e ajudou a planejar nova perfuração
A decisão de avançar com o Impala-2 também é sustentada pelos resultados obtidos no Impala-1, outro poço do mesmo campo.
O Impala-1 permaneceu fechado desde 2017, mas voltou a produzir em 2026 após uma intervenção técnica destinada a recuperar suas condições operacionais.
Durante os testes, o poço apresentou vazões brutas de até aproximadamente 4.700 barris diários. Posteriormente, a produção foi mantida em torno de 3 mil barris por dia, de maneira controlada, para administrar a produção de água e preservar o desempenho do reservatório.
Os trabalhos permitiram identificar e remover uma obstrução no interior do poço, além de obter informações sobre pressão e produtividade.
Esses dados foram incorporados ao planejamento do Impala-2, reduzindo parte das incertezas técnicas antes da nova perfuração.
De acordo com as informações financeiras da Afentra referentes ao primeiro semestre de 2026, o Impala-2 deverá alcançar uma área do reservatório situada aproximadamente 1.000 metros do Impala-1.
A experiência com o poço anterior é particularmente importante porque permite à empresa planejar o novo desenvolvimento com base em informações obtidas diretamente do mesmo campo petrolífero.
Ainda assim, a previsão de produzir 4 mil barris diários permanece uma meta. O volume efetivamente alcançado dependerá dos resultados da perfuração, da completação e do desempenho do reservatório.
Descoberta Pacassa SW revelou 136 metros de petróleo e poderá acrescentar recursos estimados em até 70 milhões de barris
Enquanto o Impala-2 avança no cronograma, a descoberta Pacassa SW continua sendo uma das prioridades da parceria que atua no Bloco 3/05.
O poço exploratório identificou 136 metros de espessura líquida de reservatório com petróleo, resultado considerado relevante pela Afentra.
Essa medida corresponde à espessura das formações identificadas como portadoras de petróleo, e não a uma coluna de óleo livre nem a uma estimativa direta do volume de reservas comercialmente recuperáveis.
Apesar do resultado geológico, problemas durante as operações restringiram o acesso ao poço. Por esse motivo, será necessário executar o sidetrack antes de concluir sua preparação para produzir.
Segundo a Afentra, estudos de reinterpretação geológica e remapeamento estão sendo realizados com os dados obtidos na descoberta.
A companhia trabalha com a possibilidade de identificar recursos adicionais de até aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo, número que ainda depende da atualização das avaliações técnicas.
Não se trata, portanto, de um volume de reservas comprovadas ou de petróleo cuja produção já esteja garantida.
O planejamento prevê conectar Pacassa SW à infraestrutura de produção existente na região, com expectativa de início das atividades durante o primeiro trimestre de 2027.
Essa possibilidade é relevante porque o aproveitamento de instalações existentes pode facilitar o desenvolvimento de novas acumulações, evitando a necessidade de implantar toda a infraestrutura de produção a partir do zero.
Parceiros aprovam financiamento direto e limitam exposição a custos do novo poço offshore
Outra mudança importante anunciada em outubro envolve a forma de financiar o Impala-2.
Pelo mecanismo anterior, a campanha estava vinculada a um acordo de financiamento com recuperação dos custos por meio das receitas futuras provenientes do aumento de produção.
Agora, os parceiros optaram por financiar diretamente a execução do Impala-2.
A estrutura revisada permite que a Afentra participe das receitas de produção desde a entrada em operação do novo poço, além de aproveitar o tratamento contratual relacionado aos investimentos realizados no projeto.
O mecanismo de proteção contra estouros de custos foi mantido, mas com um teto bruto reduzido para US$ 60 milhões.
Esse limite não significa que cada empresa investirá individualmente US$ 60 milhões. O valor se refere ao mecanismo de custo bruto estabelecido para o poço, enquanto os compromissos econômicos de cada participante seguem os termos da parceria.
A operação integra um programa mais amplo de recuperação e desenvolvimento de campos maduros offshore em Angola, liderado pela Sonangol.
Para 2027, a Afentra também prevê iniciar um programa de intervenções hidráulicas em poços do Bloco 3/05, destinado a melhorar o aproveitamento da infraestrutura e recuperar oportunidades adicionais de produção.
Nova campanha poderá colocar dois poços em produção nos primeiros meses de 2027
O cronograma divulgado pela Afentra estabelece uma sequência de operações concentrada nos próximos meses.
A perfuração do Impala-2 está prevista para começar em meados de outubro de 2026, com conclusão até o fim de dezembro e primeira produção em janeiro de 2027.
Após essa etapa, a Borr Grid deverá retornar ao Pacassa SW para executar a perfuração lateral corretiva e concluir a preparação do poço.
O objetivo é que Pacassa SW também comece a produzir no primeiro trimestre de 2027, utilizando a infraestrutura já disponível no campo.
A companhia prevê divulgar uma nova atualização operacional e financeira em novembro, quando poderão ser conhecidos mais detalhes sobre o andamento da campanha.
Para a indústria offshore angolana, a importância da operação está na tentativa de combinar recuperação de campos existentes, novas perfurações e aproveitamento das instalações já construídas.
O principal desafio agora será cumprir o cronograma de aproximadamente 80 dias para o Impala-2 sem comprometer o retorno da Borr Grid ao Pacassa SW.
Se as duas operações forem concluídas conforme o planejamento, Angola poderá incorporar novos volumes de produção no início de 2027. Os resultados definitivos, entretanto, dependerão do desempenho dos poços e da conclusão dos trabalhos offshore.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

