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Antes de plantar na Lua, NASA e parceiros vão preparar um laboratório agrícola na Terra
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 03/10/2026 às 13:42
Atualizado em 03/10/2026 às 13:43
Agronegócio
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Carta de intenções une NASA, Agência Espacial Canadense e DLR em torno de um laboratório agrícola de testes, que vai reproduzir condições parecidas com as previstas para uma base lunar. Obra e verba ainda não estão decididas.
A NASA, a Agência Espacial Canadense (CSA) e o centro aeroespacial alemão (DLR) assinaram uma carta de intenções, divulgada em 30 de setembro de 2026. Ela abre o preparo de um laboratório agrícola na Terra, que vai testar plantas em condições parecidas com as da Moon Base.
Fazenda funcionando na Lua não existe. E a carta, por si só, também não é obra: segundo o próprio documento, ela não é compromisso legal, não garante verba e não promete licitação nem contrato.
Que laboratório agrícola NASA, CSA e DLR querem preparar?
É o Lunar Agriculture Module-Ground Test Demonstrator, o LAM-GTD. Em tradução livre, demonstrador de testes em solo de um módulo agrícola lunar.
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Segundo a NASA, o laboratório agrícola serve para desenvolver tecnologias de cultivo. Também vai estudar como as plantas se saem em atmosferas e ambientes controlados parecidos com os esperados nas missões da Moon Base.
Na descrição da agência, a Moon Base é o caminho para uma presença humana duradoura perto do polo sul da Lua. O laboratório agrícola vai ensaiar na Terra o cultivo de plantas para a Moon Base.
De acordo com o DLR, a ideia é investigar o comportamento das plantas também em atmosfera de pressão reduzida.
O que vai dentro desse laboratório agrícola?
Três peças, de acordo com o DLR, todas ainda no papel:
- Módulo Agrícola de Solo (GAM): cultivo de plantas em alta densidade.
- Módulo de eclusa (ALM): regula a pressão e a composição do ar.
- Módulo de habitat: não será construído fisicamente, e entra como parte do simulador HabSim.
O que o DLR quer acompanhar é a conversa entre a estufa e o habitat: a troca de oxigênio, gás carbônico e água.
A carta resume o objetivo: usar esse laboratório para demonstrar tecnologias que ajudem futuros sistemas biorregenerativos de suporte à vida (BLSS, na sigla em inglês) em missões de espaço profundo.
Para que servem plantas numa base lunar?
Para comer, respirar e reciclar. Segundo a NASA, as plantas dão a equipes em missões de espaço profundo, como as da Moon Base, comida integral e mais variedade no cardápio.
A agência afirma que elas também absorvem gás carbônico, produzem oxigênio e reciclam água. Essas funções ganham peso à medida que as missões se afastam da Terra, na avaliação da NASA.
A carta inclui ainda o bem-estar psicológico entre as funções esperadas do módulo.
Quem faz o quê nessa parceria?
Cada agência ficou com uma frente do laboratório agrícola. A carta divulgada pela NASA divide assim:
- CSA: subsistemas críticos.
- DLR: engenharia e integração de sistemas.
- NASA: escolha das culturas, ciência, planejamento de operações e tecnologias relacionadas.
O DLR afirma que o projeto já tem equipes de institutos seus, da NASA e da CSA. Equipes do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá (NRC) também participam.
Quando o laboratório agrícola fica pronto?
Ainda não há data firme de entrega, e a decisão de construir nem foi tomada. Segundo o DLR, o trabalho preparatório vai definir se e como o demonstrador será construído, até 2032 no máximo.
A carta fala numa meta indicativa (“notional goal”, no original): uma instalação operando na Terra até 2030. Duas datas, dois documentos. Nenhuma é promessa fechada.
Outro detalhe de calendário: a carta foi assinada em agosto de 2026, conforme o DLR, mas as assinaturas do DLR e da CSA no PDF trazem datas de julho. O anúncio da NASA é de 30 de setembro.
O que isso muda para quem planta aqui na Terra?
Por enquanto, o laboratório agrícola não entrega nada que já chegue ao campo. O DLR aponta dois ganhos possíveis.
O primeiro ganho possível são projetos de estufa para regiões desérticas e secas, onde a água é rara.
O segundo é produzir alimento de forma mais eficiente e controlada. Isso pode reduzir o uso de pesticidas e melhorar a qualidade do alimento, na visão do centro.
São benefícios possíveis, não resultados medidos.
O DLR já operou uma estufa de teste em lugar hostil. Segundo o centro, a equipe da EDEN ISS passou cinco anos na Antártida, a partir de 2018. Ela coletou dados sobre produção, energia, água, segurança dos alimentos e até a psicologia do grupo.
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NASA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

