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Após naufrágio de sonda no Gabão, BW Energy suspende previsão de investimentos de até US$ 650 milhões
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/10/2026 às 23:24
Petróleo e Gás
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Acidente com a Prospector 5 interrompe cronograma de perfuração na África, enquanto companhia reorganiza novos poços e mantém projetos no Brasil.
O naufrágio da sonda de petróleo Prospector 5, ocorrido em 24 de outubro de 2026 na costa do Gabão, levou a BW Energy a suspender sua previsão anual de investimentos, anteriormente estimada entre US$ 600 milhões e US$ 650 milhões. A companhia também precisará reorganizar a perfuração de novos poços no campo de Dussafu, enquanto continuam as operações de busca e recuperação das vítimas do acidente.
As mudanças foram anunciadas pela petrolífera nesta quinta-feira, 29 de outubro, em seu relatório do terceiro trimestre de 2026, e detalhadas pela revista especializada World Oil. O incidente também motivou uma atualização da Borr Drilling, proprietária da sonda, que confirmou a localização de três corpos e informou que outros dois trabalhadores permaneciam desaparecidos.
Acidente com a Prospector 5 deixa três mortos confirmados e dois desaparecidos
A Prospector 5 afundou na noite de 24 de outubro, enquanto realizava procedimentos de posicionamento para uma campanha de perfuração na licença marítima de Dussafu, no litoral do Gabão, na África Central.
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A unidade pertencia à Borr Drilling e estava contratada para executar serviços para a BW Energy. No momento do acidente, havia 115 pessoas a bordo, das quais 110 conseguiram retornar em segurança.
Em comunicado divulgado em 29 de outubro, a Borr Drilling informou que um veículo submarino operado remotamente localizou os corpos de três trabalhadores. As equipes iniciaram os procedimentos de recuperação e mantiveram as buscas pelos outros dois desaparecidos.
A companhia informou ainda que os 110 sobreviventes estavam em terra, no Gabão, recebendo assistência e acompanhamento.
As informações preliminares indicam que o naufrágio ocorreu durante uma operação de pré-carga, utilizada para verificar a sustentação das pernas da sonda no fundo do mar.
Segundo a Borr Drilling, a unidade sofreu um evento conhecido como punch-through, quando uma estrutura de apoio penetra de forma repentina uma camada menos resistente do leito marinho. A perda de sustentação pode comprometer a estabilidade de sondas autoelevatórias, chamadas de jack-ups.
As causas definitivas ainda dependem da investigação técnica. O acidente já havia sido relatado pelo CPG na cobertura sobre a sonda de petróleo que afundou no Gabão, publicada em 26 de outubro, quando cinco trabalhadores ainda eram considerados desaparecidos.
BW Energy suspende previsão de até US$ 650 milhões e reavalia perfuração no Gabão
A perda da Prospector 5 atingiu diretamente o planejamento de investimentos da BW Energy para 2026.
A empresa havia estabelecido uma previsão de despesas de capital, conhecidas como capex, entre US$ 600 milhões e US$ 650 milhões. Com a necessidade de reorganizar o programa de poços em Dussafu, essa projeção foi suspensa.
A decisão não significa que os investimentos foram cancelados ou que a companhia perdeu esse valor. Trata-se da retirada temporária da previsão financeira enquanto o novo cronograma operacional é preparado.
O principal projeto afetado é a segunda fase de desenvolvimento de MaBoMo, que previa ampliar a produção de petróleo por meio de novos poços.
Antes do acidente, a campanha havia registrado duas descobertas em poços de avaliação, acrescentando entre 8 milhões e 9 milhões de barris de volumes recuperáveis estimados.
A BW Energy esperava que os cinco novos poços produtores planejados para a campanha acrescentassem até 20 mil barris de petróleo por dia, em termos brutos, no pico de produção.
A companhia informou que ainda não consegue estabelecer uma data para a retomada da segunda fase de perfuração. Os poços restantes deverão ser incorporados ao planejamento mais amplo de Dussafu.
O presidente-executivo Carl K. Arnet afirmou que o acidente afeta o momento em que esses volumes poderão entrar em produção, sem alterar os recursos identificados nos reservatórios.
Produção de petróleo em MaBoMo é retomada após interrupção preventiva
Embora o naufrágio tenha provocado mudanças na campanha de perfuração, a instalação de produção de MaBoMo não sofreu danos relatados pela BW Energy.
A produção havia sido interrompida preventivamente antes da entrada da sonda na área de segurança da instalação. Após as verificações, as atividades foram retomadas em 28 de outubro.
A companhia também informou que um serviço de intervenção em poço, originalmente previsto para ser executado com a Prospector 5, deverá ser realizado com uma unidade hidráulica de manutenção.
Esse equipamento permite executar determinados trabalhos em poços existentes sem depender da mesma configuração de uma sonda de perfuração convencional.
Enquanto reorganiza as atividades, a empresa acompanha os possíveis efeitos ambientais do naufrágio.
Segundo a Borr Drilling, aproximadamente 280 metros cúbicos de diesel marítimo estavam a bordo da Prospector 5 quando ocorreu o acidente.
A companhia informou que mobilizou recursos em conjunto com autoridades locais e a BW Energy para reduzir eventuais impactos ambientais. A existência de combustível na unidade não confirma, por si só, vazamento ou contaminação do mar.
Produção da BW Energy recua e companhia reduz projeção para 2026
Os efeitos do acidente chegam em um período de dificuldades operacionais enfrentadas pela BW Energy em seus ativos no Gabão e no Brasil.
No terceiro trimestre de 2026, a produção líquida da companhia em Dussafu caiu de 19,3 mil para 16,8 mil barris de petróleo por dia.
A redução esteve relacionada principalmente à paralisação de um poço que apresentou problemas em uma bomba submersa elétrica, equipamento utilizado para auxiliar a retirada do petróleo do reservatório.
Considerando todas as operações, a produção líquida do grupo ficou em 21,5 mil barris diários no trimestre.
Diante desse desempenho, a BW Energy reduziu sua projeção de produção para 2026 para aproximadamente 23 mil barris por dia. A estimativa anterior trabalhava com a faixa de 24 mil a 27 mil barris diários.
O ajuste representa uma redução de mil barris por dia em relação ao limite inferior da previsão anterior.
No Brasil, o campo de Golfinho, localizado na Bacia do Espírito Santo, também enfrentou restrições operacionais.
A disponibilidade operacional do ativo caiu para 58%, devido a problemas na disponibilidade de compressores utilizados no sistema de gas lift e à falha de uma bomba em um dos poços.
O gas lift é uma técnica que utiliza a injeção de gás para facilitar a elevação do petróleo até a superfície. Quando esse sistema apresenta limitações, a capacidade de produção pode ser reduzida.
Projetos Maromba e Golfinho seguem no planejamento da BW Energy no Brasil
Apesar dos atrasos no Gabão, a BW Energy informou que seus principais projetos de desenvolvimento continuam dentro dos cronogramas e orçamentos anunciados.
No Brasil, a companhia trabalha na preparação do projeto Maromba, localizado na Bacia de Campos, onde pretende utilizar uma plataforma adaptada para atividades de perfuração e produção.
A estrutura está sendo convertida em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e se aproxima da conclusão dessa etapa.
Segundo o relatório do terceiro trimestre, a unidade deverá atravessar o Estreito de Ormuz ainda em 2026, como parte do planejamento de transporte para sua futura operação.
A companhia não anunciou, no documento divulgado em 29 de outubro, uma alteração no cronograma de Maromba em consequência do acidente com a Prospector 5.
O desenvolvimento brasileiro integra a estratégia internacional da BW Energy, que também possui atividades de produção no campo de Golfinho.
A utilização de unidades marítimas adaptadas faz parte de diferentes projetos da indústria, que envolvem sondas e estruturas offshore preparadas para novas campanhas de exploração e produção.
No Gabão, a empresa também mantém o desenvolvimento de Bourdon. A conversão de uma sonda autoelevatória na plataforma de cabeças de poço Akoum avança em Dubai, com apoio de um financiamento de leasing de US$ 208 milhões.
BW Energy mantém meta de superar 100 mil barris diários em 2028
Mesmo com a suspensão da previsão de investimentos de 2026, a BW Energy manteve sua meta de produzir mais de 100 mil barris de petróleo por dia em 2028.
O planejamento inclui a ampliação das atividades no Gabão, o desenvolvimento de projetos no Brasil e a entrada em Angola.
A companhia informou que sua expansão angolana deverá acrescentar aproximadamente 8 mil barris diários de produção líquida a partir do primeiro trimestre de 2027.
Para Dussafu, a definição de um novo cronograma dependerá da reorganização dos poços ainda não perfurados e da disponibilidade de equipamentos para executar os serviços.
O andamento da investigação sobre a Prospector 5 e a continuidade das operações de busca também permanecem entre os assuntos acompanhados pelas empresas e autoridades gabonesas.
A BW Energy informou que apresentará novas informações ao mercado quando concluir o planejamento das atividades restantes em MaBoMo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

