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Argentina mira o agro brasileiro e prevê investimento de US$ 2,7 bilhões para financiar fábrica de ureia com capacidade de produzir 2,1 milhões de toneladas por ano
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 02/10/2026 às 19:44
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Projeto da Pampa Energía utilizará gás de Vaca Muerta, prevê operação no fim de 2029 e estima mais de 3.500 empregos diretos no pico das obras, além de cerca de 300 postos permanentes
A Pampa Energía aprovou um investimento de US$ 2,7 bilhões para construir uma fábrica de ureia granulada na Argentina, com capacidade de 2,1 milhões de toneladas por ano. O empreendimento ficará em Bahía Blanca, na província de Buenos Aires, e terá o Brasil como principal mercado pretendido para suas exportações.
Segundo reportagem da CNN Brasil publicada em 29 de setembro de 2026, o presidente da companhia, Marcelo Mindlin, apresentou o projeto ao secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Oliveira Soares. O representante brasileiro confirmou a reunião, mas esclareceu que não houve negociação de compra de fertilizantes até aquele momento.
Assim, o interesse no mercado brasileiro ainda não corresponde a um contrato de fornecimento. A previsão anunciada pela empresa é iniciar a operação no fim de 2029.
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Gás de Vaca Muerta será transformado em fertilizante
O projeto marca a entrada da Pampa no negócio de fertilizantes e pretende agregar valor ao gás natural de Vaca Muerta. Essa formação geológica argentina concentra recursos de petróleo e gás não convencionais.
Em vez de comercializar apenas o combustível, a companhia pretende utilizá-lo em uma cadeia industrial que produz insumos para a agricultura.
A conexão tem uma explicação técnica. Conforme a Petrobras, o gás natural é utilizado na produção de amônia, matéria-prima para fertilizantes nitrogenados como a ureia.
Portanto, disponibilidade e competitividade do gás são fatores importantes para essa indústria. A implantação da fábrica aproxima a produção energética argentina do mercado regional de insumos agrícolas.
Complexo terá 80 hectares e acesso à infraestrutura portuária
A subsidiária Fértil Pampa, integralmente controlada pela Pampa Energía, desenvolverá o empreendimento. Segundo o comunicado de aprovação do investimento, a instalação ocupará 80 hectares no complexo industrial de Bahía Blanca.
A companhia apresenta o projeto como a futura fábrica de ureia de maior capacidade da América Latina. Entretanto, esse potencial depende da conclusão do empreendimento e de sua entrada em operação.
O planejamento inclui produção, armazenamento e escoamento. A localização permite integrar o abastecimento de gás à infraestrutura destinada ao transporte do fertilizante.
Obras devem mobilizar milhares de trabalhadores
Segundo a Pampa, o pico da construção deverá exigir mais de 3.500 empregos diretos, além de milhares de postos indiretos na cadeia de fornecedores. Após a entrada em operação, a estimativa é manter aproximadamente 300 empregos permanentes.
Além disso, a empresa informou que pretende priorizar trabalhadores e fornecedores de Bahía Blanca e da região.
O complexo deverá reunir uma planta de amônia, duas linhas de ureia granulada, silos e sistemas de carregamento de caminhões e navios. Também estão previstas uma unidade de dessalinização para abastecimento de água e nova infraestrutura portuária.
A execução envolve diferentes frentes de engenharia, com Tecnimont nas atividades de engenharia e aquisição de equipamentos e SACDE na construção.
Brasil depende fortemente de fertilizantes importados
O interesse no agronegócio brasileiro ocorre em um mercado com elevada participação de fornecedores externos. Em publicação de abril de 2026, o Ministério da Agricultura informou que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país.
Nesse contexto, a pasta destacou a importância de diversificar fornecedores e fortalecer a produção nacional. As duas medidas podem ampliar as alternativas de abastecimento.
A dimensão das compras aparece também nos dados divulgados pela Conab. Em 2025, as importações brasileiras de fertilizantes chegaram a 45,5 milhões de toneladas, superando as 44,28 milhões de toneladas de 2024.
Esses volumes abrangem diferentes fertilizantes. Portanto, não representam exclusivamente importações de ureia.
Nova oferta regional poderá ampliar as opções de abastecimento
Uma fábrica argentina acrescentaria uma alternativa regional ao mercado brasileiro. Contudo, o projeto ainda precisa atravessar as etapas de implantação antes de disponibilizar sua produção.
Para o Brasil, diversificar origens faz parte de uma estratégia mais ampla de segurança de fornecimento. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da produção industrial nacional permanece entre as prioridades citadas pelo Ministério da Agricultura.
A proposta da Pampa conecta essas discussões ao aproveitamento do gás argentino, com uma nova capacidade de fabricação prevista para o fim da década.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

