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Bahia vai construir 4 novos rebocadores de 70 toneladas para a SAAM Towage enquanto Estaleiro Belov amplia capacidade e aposta na retomada da indústria naval brasileira
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 05/10/2026 às 12:28
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A SAAM Towage encomendou quatro rebocadores azimutais de 70 toneladas ao Estaleiro Belov, na Bahia. O contrato coincide com a expansão da fábrica, investimento superior a R$ 70 milhões e nova fase da indústria naval brasileira.
A Bahia vai construir quatro novos rebocadores azimutais para uma das maiores operadoras de apoio portuário do país. A SAAM Towage contratou o Estaleiro Belov para produzir as embarcações, que terão 70 toneladas de bollard pull, sistema de combate a incêndio FiFi 1 e projeto da canadense Robert Allan.
O contrato coloca o estaleiro baiano em uma nova etapa de crescimento e se conecta diretamente à expansão da própria SAAM no Brasil. A companhia informou que opera em 19 portos brasileiros com mais de 65 embarcações e considera o país um dos mercados mais importantes de sua operação.
Quatro rebocadores de 70 toneladas serão construídos na Bahia
As novas unidades serão rebocadores azimutais, também conhecidos pela sigla ASD. Nesse tipo de embarcação, os propulsores podem direcionar o empuxo em diferentes ângulos, característica importante para manobras rápidas e precisas em áreas portuárias com espaço restrito.
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Cada embarcação terá 70 toneladas de bollard pull, medida usada pelo setor para indicar a força de tração estática do rebocador. Quanto maior esse número, maior a capacidade de auxiliar navios de grande porte em operações de aproximação, atracação, desatracação e saída de terminais.
Os quatro rebocadores também serão equipados com sistema FiFi 1. Essa configuração permite que a embarcação participe do combate a incêndios em navios e instalações portuárias, ampliando sua função para além das manobras rotineiras de apoio.
O desenho das unidades ficará a cargo da Robert Allan Ltd., empresa internacional de arquitetura naval conhecida por projetos de rebocadores e embarcações de trabalho. A escolha de um projeto especializado combina engenharia internacional com construção no Brasil e mantém no país etapas industriais de maior valor agregado.
A SAAM declarou que a encomenda faz parte de sua estratégia de renovação contínua da frota. A empresa atende operações em importantes portos brasileiros e vem reforçando a capacidade de seus rebocadores diante de uma tendência que pressiona o setor: a entrada de navios cada vez maiores nos terminais.
Belov amplia capacidade produtiva enquanto recebe nova encomenda
O contrato chega em um momento de expansão do Estaleiro Belov. Em 2026, o grupo anunciou investimento superior a R$ 70 milhões para ampliar e modernizar sua unidade em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
O plano prevê aumento da área industrial construída de 12 mil para 16 mil metros quadrados e expansão da capacidade de produção de aproximadamente 5,5 mil toneladas por ano para mais de 11 mil toneladas anuais. A primeira etapa das obras foi prevista para ser concluída ainda em 2026.
A modernização inclui novo galpão de construção naval, áreas de almoxarifado e pintura de blocos, máquinas de corte CNC, dobradeiras de tubo, pontes rolantes, equipamentos de carga e sistemas automatizados de soldagem. A combinação desses investimentos com uma encomenda seriada de quatro embarcações cria demanda direta para a nova estrutura.
Em agosto, Belov e SAAM formalizaram publicamente o contrato durante a Navalshore 2026, realizada no Rio de Janeiro. O grupo baiano afirmou que a construção das quatro unidades representa um novo desafio industrial e demonstra a intenção de disputar projetos de maior complexidade.
Para a cadeia naval da Bahia, o efeito potencial não fica restrito ao casco dos rebocadores. Projetos desse tipo envolvem engenharia, corte e conformação de aço, soldagem, pintura, integração elétrica, propulsão, navegação, sistemas de segurança e uma rede de fornecedores de equipamentos e serviços.
Encomenda vinha sendo preparada e acompanha renovação da frota brasileira
Os quatro rebocadores já apareciam nos planos da SAAM antes da escolha definitiva do estaleiro. Em 2025, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante concedeu prioridade de financiamento a um projeto de quatro rebocadores azimutais da empresa, com valor total então estimado em R$ 257,6 milhões.
Naquele momento, o estaleiro indicado na resolução era o Detroit, em Santa Catarina. O próprio setor observava que valores e fornecedores poderiam mudar durante o processo de contratação. Meses depois, a SAAM confirmou a Belov como construtora das quatro novas unidades destinadas ao mercado brasileiro.
A renovação ocorre em um ambiente de exigência crescente sobre as operações portuárias. A SAAM já havia destacado que navios maiores demandam rebocadores mais potentes, confiáveis e equipados para operações especiais. A companhia mantém embarcações distribuídas ao longo da costa justamente para atender diferentes perfis de terminal e de carga.
A empresa também anunciou em 2026 a contratação de cinco novos rebocadores no estaleiro Sanmar, na Turquia, destinados a operações em outros países das Américas. Essas unidades fazem parte de um plano mais amplo de investimento e renovação de frota até 2030.
A diferença do contrato com a Belov é industrialmente relevante para o Brasil: as quatro embarcações serão construídas no país. Isso direciona trabalho, compras e integração de sistemas para uma estrutura naval instalada na Bahia e dá ao estaleiro uma oportunidade de ampliar seu histórico recente de projetos.
A encomenda também mostra como a recuperação da indústria naval pode ocorrer por várias frentes. Grandes navios de petróleo concentram atenção pelo valor dos contratos, mas rebocadores, embarcações de apoio e unidades portuárias formam um mercado recorrente, com demanda ligada diretamente à movimentação dos portos e à renovação das frotas.
Construção local pode abrir espaço para novos contratos
Para a SAAM, os quatro rebocadores reforçam uma frota que já está entre as maiores do mercado brasileiro. Para a Belov, o contrato chega enquanto o estaleiro amplia capacidade, automatiza processos e busca projetos de maior complexidade.
Uma produção seriada entregue dentro dos padrões de qualidade, prazo e desempenho pode fortalecer a posição do estaleiro em futuras concorrências e ampliar a participação da Bahia na construção de embarcações de apoio marítimo e portuário.
A indústria naval brasileira vive uma fase de retomada de encomendas em diferentes segmentos, e contratos como esse ajudam a distribuir atividade para além dos grandes polos tradicionais. Na Bahia, quatro rebocadores de 70 toneladas passam a representar também uma vitrine para a capacidade industrial instalada no estado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

