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Barra dos Coqueiros começa a erguer uma usina de quase R$ 7 bilhões que pode mudar a escala industrial do litoral de Sergipe
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/10/2026 às 14:50
Atualizado em 05/10/2026 às 15:40
Economia
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Barra dos Coqueiros recebe quase R$ 7 bilhões para uma nova termelétrica da Eneva, com até 3 mil empregos e operação prevista para 2028.
Máquinas começaram a preparar o terreno enquanto trabalhadores eram chamados para disputar centenas de vagas em Barra dos Coqueiros, na Grande Aracaju. O canteiro pertence a um projeto que deve permanecer em obras por cerca de dois anos e acrescentar uma nova estrutura industrial ao litoral sergipano. Segundo o Governo de Sergipe, a Eneva projeta aplicar quase R$ 7 bilhões até 2028 na expansão do Hub Sergipe, com a construção da UTE Porto de Sergipe II e a geração de até 3 mil oportunidades de trabalho durante o período das obras.
A nova estrutura ficará ao lado da atual Porto de Sergipe I e do terminal marítimo de gás natural liquefeito, aproveitando uma infraestrutura que já recebe gás pelo mar e está conectada à rede nacional de gasodutos.
O projeto saiu do leilão e chegou ao canteiro de obras
A mudança de escala começou em 18 de março de 2026. Naquele dia, a Eneva venceu contratos no Leilão de Reserva de Capacidade, mecanismo usado pelo setor elétrico para garantir que o país tenha potência disponível quando o consumo sobe ou outras fontes não conseguem entregar energia suficiente.
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O projeto Porto de Sergipe II garantiu contrato para aproximadamente 1,2 GW de potência por 15 anos. A receita fixa será corrigida pelo IPCA, enquanto pagamentos adicionais podem ocorrer quando a usina for chamada a gerar eletricidade.
Poucos dias depois, o Governo de Sergipe já apresentava o investimento de quase R$ 7 bilhões e o cronograma de implantação até 2028.
A nova usina vai nascer ao lado de uma estrutura que já produz 1,6 GW
O terreno escolhido não começa do zero. Barra dos Coqueiros já abriga a UTE Porto de Sergipe I, que tem aproximadamente 1,6 GW de capacidade instalada e utiliza gás natural para gerar eletricidade.
Ao lado dela funciona o terminal de gás natural liquefeito, conhecido pela sigla GNL. É uma instalação capaz de receber gás transportado por navios em estado líquido, transformá-lo novamente em gás e enviá-lo para consumo.
A nova usina será construída no mesmo complexo. Segundo a Eneva, o projeto Porto de Sergipe II reúne as unidades Porto de Sergipe II, III e V.
Essa proximidade permite compartilhar parte da infraestrutura energética já existente.
Quase R$ 7 bilhões serão aplicados até 2028
O número que coloca o projeto entre os grandes investimentos industriais em andamento no Nordeste é o capital previsto para sua implantação.
A projeção apresentada pela Eneva ao Governo de Sergipe chega perto de R$ 7 bilhões até 2028.
O dinheiro não corresponde apenas ao prédio onde ficarão as turbinas. Uma usina dessa escala exige fundações pesadas, sistemas elétricos, tubulações, equipamentos de geração, conexão com a rede, estruturas para gás e uma extensa área de apoio.
A expansão também ocorre dentro de um hub que já possui terminal marítimo, geração elétrica e ligação ao sistema de transporte de gás.
É esse conjunto que transforma Barra dos Coqueiros em algo maior do que o endereço de uma única termelétrica.
Até 3 mil trabalhadores podem passar pelo projeto
Antes de a nova usina produzir seu primeiro megawatt, o impacto mais visível está no emprego.
A estimativa divulgada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Sergipe é de até 3 mil postos no pico das obras.
Terraplenagem, fundações, montagem industrial, estruturas metálicas, tubulações, elétrica e acabamento exigem equipes diferentes.
Em abril, o Governo de Sergipe organizou mutirões em Barra dos Coqueiros, Aracaju e Pirambu para encaminhar trabalhadores às primeiras oportunidades.
Mais de 750 vagas relacionadas à construção foram colocadas nessa fase inicial.
Pedreiros, carpinteiros e operadores já entraram na procura por vagas
Os primeiros mutirões também mostram quais profissões começam a ganhar espaço antes de a parte tecnológica da usina estar pronta.
Entre os cursos de qualificação oferecidos apareceram funções como pedreiro polivalente, carpinteiro e operador de motoniveladora.
São trabalhadores necessários quando o empreendimento ainda está concentrado em preparação de terreno e construção civil.
Mais adiante entram montadores, eletricistas, soldadores, técnicos, operadores e especialistas ligados aos grandes equipamentos industriais.
O movimento levou o estado a tentar preparar moradores da própria região para disputar as vagas, em vez de depender apenas de profissionais trazidos de outros centros industriais.
As licenças mostram que a obra avançou além do anúncio
O projeto também deixou sinais concretos nos registros ambientais. Em 6 de maio de 2026, a Administração Estadual do Meio Ambiente de Sergipe registrou autorização ambiental para o canteiro de obras e o acesso para construção do Complexo Porto Sergipe II.
No mês seguinte, em 2 de junho, aparece uma licença de instalação ligada a atividades de subsuperfície do complexo.
Essas etapas envolvem trabalhos realizados abaixo do nível do terreno e fazem parte da preparação para estruturas industriais pesadas.
O cronograma ainda tem várias fases pela frente, mas o empreendimento já ultrapassou a etapa em que existia somente como projeto apresentado em um leilão.
A potência do hub pode chegar perto de 2,9 GW
A usina existente tem cerca de 1,6 GW. A expansão é apresentada pelo Governo de Sergipe com aproximadamente 1,3 GW adicionais de capacidade de geração, enquanto o contrato conquistado no leilão corresponde a cerca de 1,2 GW de potência contratada.
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Os números são diferentes porque capacidade instalada e potência comercializada no leilão não representam exatamente a mesma coisa.
Quando a expansão estiver concluída, a capacidade instalada do conjunto poderá se aproximar de 2,9 GW, praticamente o dobro da escala atual.
Para comparação simples, 1 GW corresponde a mil megawatts.
Isso coloca no mesmo ponto do litoral uma quantidade muito grande de máquinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de potência.
A usina não foi contratada para funcionar o tempo inteiro
Uma termelétrica de reserva tem um papel diferente de uma usina que precisa gerar eletricidade continuamente.
O Brasil possui uma grande quantidade de geração hidrelétrica, solar e eólica. Essas fontes, porém, não entregam a mesma potência em todos os momentos.
À noite, por exemplo, a geração solar desaparece. O vento também muda ao longo do dia. Em períodos secos, algumas hidrelétricas enfrentam limitações.
É nesse cenário que usinas capazes de responder quando o sistema necessita de potência ganham importância.
O Leilão de Reserva de Capacidade de março contratou cerca de 19 GW em diferentes empreendimentos para reforçar essa segurança.
Porto de Sergipe II faz parte dessa estratégia.
Um navio consegue alimentar o complexo com gás natural liquefeito
A localização junto ao mar resolve uma parte difícil da operação. O Hub Sergipe possui uma unidade flutuante capaz de armazenar e transformar GNL novamente em gás.
Sua capacidade de regaseificação chega a aproximadamente 21 milhões de metros cúbicos por dia.
A atual Porto de Sergipe I pode consumir perto de 6 milhões de metros cúbicos diariamente quando opera com elevada carga.
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A Eneva informa que o gás necessário para atender o contrato da Porto de Sergipe II também poderá vir do terminal de GNL existente no complexo.
Um navio carregado com GNL pode chegar ao terminal, descarregar o combustível e alimentar uma infraestrutura capaz de produzir eletricidade poucos quilômetros adiante.
Sergipe Águas Profundas aparece no horizonte dessa infraestrutura
A Petrobras avança com o projeto Sergipe Águas Profundas, que prevê duas plataformas para produzir petróleo e grandes volumes de gás no oceano.
A infraestrutura projetada poderá enviar até 18 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em direção à costa.
Esse volume não está contratado exclusivamente para Porto de Sergipe II. O abastecimento previsto pela Eneva para atender o novo contrato também conta com o terminal de GNL.
Mesmo assim, a futura chegada de uma nova fonte de gás ao estado amplia as possibilidades de integração entre produção offshore, transporte, geração elétrica e indústria.
Barra dos Coqueiros passa a estar perto de várias dessas peças ao mesmo tempo.
Gás natural amplia a segurança, mas continua sendo combustível fóssil
A expansão ocorre em um momento em que o Nordeste também bate recordes na implantação de parques solares e eólicos.
As tecnologias cumprem funções diferentes.
Solar e eólica produzem eletricidade sem queimar combustível durante a geração, mas dependem da disponibilidade do sol e dos ventos.
Usinas a gás conseguem ser acionadas de acordo com a necessidade do sistema e ajudam a entregar potência controlável.
Por outro lado, a queima de gás natural produz dióxido de carbono. Mesmo emitindo menos que algumas alternativas fósseis mais intensivas, ele continua sendo uma fonte fóssil.
O desafio do sistema elétrico é equilibrar segurança de fornecimento, custo e redução de emissões enquanto aumenta a participação de fontes renováveis.
A corrida agora é para entregar a estrutura em 2028
O cronograma divulgado coloca 2028 como ano previsto para a entrada em operação da nova unidade. Até lá, o terreno terá de receber uma quantidade crescente de equipamentos, estruturas e trabalhadores.
A obra passa por etapas. Primeiro aparecem acessos, movimentação de terra e fundações. Depois, o canteiro muda de perfil com a chegada das grandes peças da usina.
No outro lado do empreendimento, a infraestrutura de gás já está instalada e integrada ao hub existente. A diferença é que agora ela terá de atender uma instalação muito maior.
Barra dos Coqueiros começou com uma usina de 1,6 GW e um terminal capaz de receber gás pelo oceano. Com quase R$ 7 bilhões adicionais, o mesmo terreno prepara espaço para uma segunda geração de equipamentos que pode levar o complexo perto de 2,9 GW.
Antes de a eletricidade começar a sair pelas linhas de transmissão, milhares de trabalhadores terão de transformar o canteiro em uma das maiores estruturas energéticas do litoral nordestino.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

