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Biocombustíveis podem ganhar espaço no Brasil, mas oferta precisa acompanhar demanda, alerta CNI
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 30/10/2026 às 13:28
Biocombustíveis Renováveis
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Estudo da CNI aponta desafios para ampliar a oferta de biocombustíveis no Brasil e projeta crescimento do consumo de etanol, biodiesel e diesel verde até 2035.
A demanda por biocombustíveis no Brasil deve aumentar nos próximos anos, mas a indústria precisará ampliar sua capacidade de produção para acompanhar esse crescimento e evitar problemas de abastecimento. O alerta é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apresentou, na quarta-feira (28 de outubro), o estudo Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização.
O documento revela que, em 2025, essas fontes renováveis já respondiam por aproximadamente 25% da energia consumida pelo setor de transportes no país. Agora, o desafio é aumentar essa participação sem comprometer o fornecimento de combustíveis nem a competitividade industrial.
O levantamento mostra que esse avanço não depende apenas de ampliar o consumo. Será necessário preparar a indústria para produzir volumes maiores, tanto dos combustíveis que já fazem parte do mercado brasileiro quanto daqueles que ainda buscam espaço comercial. Para a CNI, investimentos, acesso a financiamento e regras claras serão fundamentais para dar segurança às empresas interessadas em expandir suas operações.
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Dependência de diesel importado reforça importância dos biocombustíveis
A preocupação com o abastecimento também esteve entre os temas debatidos em um encontro realizado pela CNI no dia 28 de outubro. O evento reuniu representantes do governo, especialistas e integrantes da indústria para discutir os próximos passos do mercado brasileiro de combustíveis.
Durante a reunião, Edie Andreeto Junior, do Ministério de Minas e Energia, chamou a atenção para uma particularidade do Brasil. Embora o país exporte petróleo bruto, ainda depende de fornecedores estrangeiros para atender parte de seu consumo de derivados.
Essa situação é especialmente importante no mercado de óleo diesel. De acordo com os dados apresentados pelo representante do ministério, cerca de 25% do diesel utilizado no Brasil vem do exterior, principalmente da Rússia e dos Estados Unidos.
A ampliação do uso de combustíveis renováveis surge, nesse contexto, como uma possibilidade de reduzir parte dessa dependência. No entanto, para que isso aconteça, a produção nacional precisará acompanhar as necessidades do mercado.
O professor Edmar de Almeida, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), também participou da discussão. Na avaliação dele, o Brasil tem condições de desenvolver a indústria de petróleo e, ao mesmo tempo, fortalecer os combustíveis renováveis, aproveitando a diversidade de fontes disponíveis em sua matriz energética.
Consumo de etanol e biodiesel poderá atingir novos patamares em 2035
O etanol está entre os combustíveis com maior perspectiva de crescimento no levantamento da CNI. A projeção é que o consumo brasileiro chegue a 46 bilhões de litros em 2035, impulsionado tanto pelo uso do etanol hidratado quanto pelo aumento da participação do anidro na gasolina.
O país já possui uma cadeia produtiva consolidada, mas isso não elimina os desafios. A disponibilidade de matéria-prima muda ao longo do ano, e a decisão de destinar a produção agrícola ao açúcar ou ao etanol também interfere na quantidade de combustível que chega ao mercado.
No caso do biodiesel, a expectativa de crescimento está relacionada ao aumento dos percentuais obrigatórios de mistura ao diesel convencional. Pelas estimativas apresentadas no estudo, o consumo poderá alcançar 18 bilhões de litros em 2035.
Para atender a esse volume, será necessário expandir a estrutura produtiva. A atenção da CNI está voltada principalmente para a possibilidade de adoção de misturas superiores a 20%, que exigiriam investimentos adicionais na indústria. Sem essa ampliação, existe o risco de a quantidade produzida não ser suficiente para atender ao consumo projetado.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que o crescimento do setor precisa vir acompanhado de melhores condições de financiamento, modernização da infraestrutura e desenvolvimento de novas tecnologias. Para ele, não basta estabelecer metas de consumo mais elevadas sem considerar se as empresas terão condições de produzir os volumes necessários.
SAF terá novas obrigações em 2027 e precisará ampliar a produção
A situação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF) é diferente da encontrada nos mercados de etanol e biodiesel. Embora seja uma alternativa para reduzir as emissões do transporte aéreo, sua produção no Brasil ainda precisa ganhar escala.
Esse desafio se torna mais urgente com a aproximação de 2027, quando começarão a valer as obrigações previstas no Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV).
No mesmo ano, o CORSIA, mecanismo internacional voltado à compensação e à redução das emissões de carbono da aviação, entrará em sua segunda fase.
Diante dessas mudanças, o Brasil precisará criar condições para que novas unidades produtoras sejam instaladas e fornecedores nacionais consigam participar desse mercado. O desenvolvimento de conhecimento tecnológico também será importante para ampliar a fabricação do combustível.
Entre as alternativas discutidas pela CNI estão contratos comerciais de longo prazo, acesso a financiamento e mecanismos de garantia que tornem os projetos industriais menos arriscados para os investidores.
A intenção é oferecer maior previsibilidade às empresas, permitindo que os investimentos necessários para aumentar a produção avancem junto com as novas exigências do setor aéreo.
Diesel verde poderá ter demanda de 2,5 bilhões de litros
O diesel verde é outra alternativa que poderá conquistar uma participação maior no mercado brasileiro nos próximos anos. No entanto, diferentemente de combustíveis que já possuem produção consolidada, sua cadeia comercial ainda precisa ser desenvolvida para atender à demanda projetada.
O estudo da CNI calcula que uma eventual mistura de até 3% de diesel verde poderia gerar uma demanda de aproximadamente 2,5 bilhões de litros em 2035.
Alcançar esse volume exigirá mais do que a construção de fábricas. O país também precisará garantir o fornecimento de matérias-primas, preparar a infraestrutura industrial e ampliar a disponibilidade de hidrogênio de baixo carbono.
Esses fatores terão influência direta sobre a capacidade de produzir o combustível em escala comercial.
Como o mercado ainda está em desenvolvimento, a entidade defende políticas específicas que ajudem a atrair investidores e a compartilhar os riscos envolvidos na implantação das unidades e no amadurecimento das tecnologias.
Sem essas condições, a expansão poderá encontrar dificuldades mesmo diante de uma demanda crescente.
CNI defende mudanças no comércio exterior para evitar falta de combustíveis
O aumento da produção brasileira não é a única preocupação apresentada no estudo. A CNI também propõe medidas para enfrentar situações em que o volume disponível no país não seja suficiente para atender ao consumo.
Uma das recomendações é desenvolver uma política de comércio exterior específica para os biocombustíveis. Na prática, a proposta busca facilitar a entrada de produtos importados quando houver necessidade de complementar o abastecimento nacional.
O documento também prevê a possibilidade de medidas temporárias e excepcionais relacionadas às exportações, especialmente em momentos de forte pressão sobre os preços ou de dificuldades no fornecimento.
Esses mecanismos seriam utilizados para ajudar a equilibrar o mercado em situações de maior instabilidade, evitando que eventuais restrições de oferta se transformem em problemas mais amplos de abastecimento.
Outra questão levantada pela entidade é a necessidade de aproximar as políticas de preços dos compromissos ambientais assumidos pelo país.
Na avaliação da CNI, as decisões relacionadas à redução de emissões precisam levar em conta as condições econômicas do setor, de forma que o avanço dos combustíveis renováveis não coloque em risco a regularidade do fornecimento.
Comitê permanente acompanharia a produção e os riscos de abastecimento
Para melhorar esse acompanhamento, a CNI sugere criar um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis, com participação do governo e de representantes do setor produtivo.
A proposta é reunir informações que permitam acompanhar mais de perto a situação das empresas e identificar possíveis dificuldades antes que elas afetem o consumidor.
Entre as atividades previstas estão a análise do andamento de projetos industriais, a verificação da capacidade real de produção das fábricas e o monitoramento da disponibilidade de matérias-primas e outros insumos.
Com esses dados, seria possível avaliar se a indústria está preparada para atender às metas estabelecidas ou se será necessário ajustar, de maneira gradual, os percentuais obrigatórios de mistura e os objetivos de consumo.
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, também defende uma política que não se limite a incentivar o uso de combustíveis renováveis. Para ele, é essencial criar condições para que a indústria consiga ampliar a oferta de forma sustentável e competitiva.
A mensagem central do estudo é que o Brasil tem oportunidades para aumentar sua participação no mercado de combustíveis de baixo carbono, mas precisará preparar sua estrutura produtiva para aproveitar esse potencial.
O que é biocombustível?
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Fonte
fiepb
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

