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Brasil corre para ampliar reciclagem de navios e plataformas até 2029 enquanto Petrobras prevê remover 18 unidades e três plataformas já foram destinadas ao exterior
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 05/10/2026 às 21:18
Atualizado em 05/10/2026 às 21:19
Indústria Naval
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Professor da UFF projeta novas instalações de reciclagem entre 2027 e 2029; estudo aponta gargalos em 10 estaleiros, 8 portos e 10 recicladores, enquanto Petrobras prevê remover 18 plataformas até 2030.
O Brasil pode ganhar novas instalações para reciclar navios e plataformas entre 2027 e 2029 justamente quando uma nova onda de estruturas offshore chega ao fim da vida útil. A Petrobras projeta remover 18 plataformas até 2030 e prevê US$ 9,7 bilhões para destinação sustentável de equipamentos e abandono de poços, criando um mercado que pode movimentar estaleiros, portos, recicladores e fornecedores.
Newton Pereira, professor da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis, afirmou durante a Navalshore 2026 que o país avançou, mas ainda possui lacunas entre os diferentes elos da cadeia. Segundo ele, três plataformas deixaram o Brasil nos últimos dois anos para destinação no exterior e outra unidade também pode seguir o mesmo caminho se a capacidade nacional não estiver pronta.
Entre 2027 e 2029, novas instalações podem decidir quanto desse mercado ficará no Brasil
Pereira estima que o país terá um aumento no número de instalações de reciclagem nos próximos três anos. O avanço precisa ocorrer antes que navios e plataformas em fim de vida tenham sua desmontagem contratada fora do Brasil.
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O período coincide com uma carteira expressiva de descomissionamento. No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê US$ 9,7 bilhões para destinação sustentável de equipamentos e abandono de poços. A companhia também indica a remoção de 18 plataformas no período, incluindo unidades fixas, flutuantes e semissubmersíveis.
Cada estrutura retirada de operação demanda engenharia, preparação, movimentação portuária, tratamento de resíduos, desmontagem, transporte e reaproveitamento de materiais e equipamentos. Uma plataforma enviada ao exterior desloca esse conjunto de serviços para outro mercado.
Estudo com 28 instalações revelou uma cadeia desigual entre estaleiros, portos e recicladores
O diagnóstico apresentado na Navalshore foi aprofundado em um estudo publicado em 2026 no Journal of Cleaner Production. Os pesquisadores avaliaram 10 estaleiros, oito instalações portuárias e 10 empresas de reciclagem no Brasil por meio de um modelo de maturidade tecnológica dividido em cinco níveis.
Os resultados mostraram que a cadeia avança em velocidades diferentes. A maioria dos estaleiros e portos analisados ficou abaixo do primeiro nível mínimo do modelo, enquanto alguns recicladores demonstraram capacidades bem mais altas. Pereira informou que uma instalação portuária havia alcançado o nível 3 e que pelo menos um reciclador chegou ao nível 5.
Uma empresa preparada não consegue executar toda a destinação sozinha. A plataforma precisa ser recebida, movimentada, descontaminada, desmontada e encaminhada para rotas de reaproveitamento ou descarte. Falhas no porto, no estaleiro ou no sistema de tratamento de resíduos podem impedir que a operação completa seja realizada no país.
Resíduos especiais podem travar a desmontagem mesmo quando existem cais, espaço e equipamentos
Navios e plataformas em fim de vida carregam muito mais do que grandes volumes de aço. Essas estruturas podem conter equipamentos reutilizáveis, metais de valor, óleos, revestimentos, resíduos contaminados e materiais que exigem tratamento especializado antes de seguirem para reciclagem.
Entre os pontos observados pelos pesquisadores está a capacidade de lidar com NORM, sigla para materiais radioativos de ocorrência natural que podem aparecer em resíduos da indústria de petróleo e gás. Pereira explicou que, durante a pesquisa realizada entre 2024 e 2025, esse tipo de tratamento ainda aparecia como gargalo para parte da cadeia brasileira.
Cais, área física e equipamento de corte cobrem apenas uma parte da operação. Licenças, procedimentos de segurança, controle de materiais perigosos, transporte e destinação final dos resíduos também precisam estar disponíveis para que a desmontagem avance.
Regra internacional em vigor desde 2025 aumentou a cobrança por reciclagem segura
A pressão por instalações mais preparadas também cresceu no mercado internacional. A Convenção de Hong Kong, da Organização Marítima Internacional, entrou em vigor em 26 de junho de 2025 com regras obrigatórias para tornar a reciclagem de navios mais segura para trabalhadores e para o meio ambiente.
O acordo alcança desde a preparação das embarcações até o funcionamento das instalações de reciclagem e estabelece exigências de autorização, certificação, inspeção e controle de materiais perigosos. Empresas que pretendem disputar contratos desse tipo precisam demonstrar processos seguros e rastreáveis.
P-32 mostrou que uma grande plataforma pode terminar sua vida útil dentro de um estaleiro brasileiro
O Brasil já possui um caso concreto de destinação doméstica em grande escala. A plataforma P-32, da Petrobras, foi levada ao Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com um plano de reciclagem elaborado por Gerdau e Ecovix e desmontagem prevista em dique seco.
A experiência reuniu no país uma plataforma offshore, um estaleiro brasileiro e empresas responsáveis pelo plano de reciclagem. A expansão desse tipo de capacidade para outras instalações é necessária para atender uma carteira de ativos que continuará chegando ao fim do ciclo operacional.
Quando uma plataforma sai do país, empregos, aço e serviços especializados também podem sair junto
Uma plataforma desmontada fora do Brasil desloca engenharia, preparação, apoio portuário, descontaminação, corte, transporte, gestão de resíduos e venda de materiais reciclados. O aço recuperado e os equipamentos reaproveitáveis também entram na cadeia industrial do local escolhido para a reciclagem.
A janela entre 2027 e 2029 coincide com o avanço da carteira de remoções da Petrobras. O estudo da UFF identificou empresas brasileiras em níveis elevados de maturidade, mas também encontrou estaleiros e portos abaixo do patamar mínimo avaliado, deixando a cadeia dependente da evolução dos elos mais fracos.
Se estaleiros, portos e recicladores fecharem essas lacunas antes do aumento das remoções, mais serviços, materiais e atividade industrial poderão permanecer no Brasil. Se a infraestrutura chegar tarde, novas plataformas podem repetir o caminho das unidades que já foram destinadas ao exterior.
Você acredita que o Brasil deveria acelerar investimentos e regras para manter a reciclagem de navios e plataformas no país? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria com quem acompanha a indústria naval e offshore.
Fontes
Brasil terá incremento de instalações de reciclagem nos próximos anos, diz professor
Diagnosing maturity gaps in offshore platform recycling: A chain-level assessment of shipyards, ports, and recyclers in Brazil
Petrobras aprova Plano de Negócios 2026-2030
New era for ship recycling as Hong Kong Convention enters into force
Plataforma P-32 da Petrobras chega ao Estaleiro Rio Grande para destinação sustentável
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

