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Bulgária dobra armazenamento em baterias para 6 GW, eleva exportações de energia em 62% e vira “Bateria dos Balcãs” enquanto Europa enfrenta preços altos e redes pressionadas
Escrito por Carla Teles
Publicado em 23/10/2026 às 17:30
Atualizado em 23/10/2026 às 17:35
Energia Renovável
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Armazenamento em baterias dobra na Bulgária, chega a 6 GW, impulsiona exportações de energia em 62% e reforça papel do país nos Balcãs em 2026.
O armazenamento em baterias da Bulgária dobrou em apenas um ano e alcançou cerca de 6 GW em 2026, enquanto as exportações de eletricidade do país cresceram 62%, para 3,5 TWh. O avanço colocou o país do Mar Negro em posição de destaque no Sudeste Europeu e ajudou na oferta de energia a vizinhos durante ondas de calor que pressionaram redes nacionais no verão.
Segundo a Reuters, em reportagem publicada em 23 de outubro de 2026, a expansão foi impulsionada por cerca de € 700 milhões em subsídios da União Europeia, mudanças regulatórias e investimentos privados. O crescimento levou a Bulgária a receber o apelido de “Bateria dos Balcãs”, embora persistam desafios relacionados à capacidade da rede elétrica, ao inverno e à rentabilidade dos projetos.
Armazenamento em baterias salta de 3 GW para cerca de 6 GW
A capacidade búlgara de armazenamento em baterias passou de aproximadamente 3 GW há um ano para cerca de 6 GW atualmente. O objetivo principal dessas instalações é absorver parte da eletricidade solar produzida durante o dia e devolvê-la ao sistema nas horas em que a demanda e os preços são maiores.
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Esse mecanismo ganhou importância à medida que a Europa aumentou a participação de fontes renováveis variáveis. A energia solar produz muito durante determinadas horas, mas a demanda de pico frequentemente ocorre depois que a geração fotovoltaica começa a cair. As baterias ajudam a deslocar essa energia no tempo.
Nikola Gazdov, presidente da Associação para Produção, Armazenamento e Comercialização de Eletricidade, classificou o armazenamento como uma necessidade para o sistema atual, e não mais como uma tecnologia opcional.
Exportações de energia avançam 62% em um ano
O efeito da expansão não ficou restrito ao mercado interno.
Dados da associação citados pela Reuters mostram que as exportações de energia da Bulgária aumentaram 62% em relação ao ano anterior, chegando a 3,5 TWh em 2026.
Em determinados momentos, o país chegou a exportar até 50 mil MWh de eletricidade por dia. Segundo Dimitar Zarchev, responsável pela gestão central de despacho da operadora do sistema elétrico búlgaro, isso correspondeu a uma média aproximada de 2.000 MW saindo do país a cada hora.
Esse fluxo foi comparado à produção da usina nuclear de Kozloduy, localizada no noroeste da Bulgária, dando uma dimensão do volume transferido às redes vizinhas.
Romênia recebeu energia durante seca e problema nuclear
Parte dessas exportações teve como destino a Romênia.
Em agosto, uma seca reduziu o nível do rio Danúbio, cuja água é usada no resfriamento das turbinas de uma usina nuclear romena. A situação levou ao desligamento de um reator e aumentou a pressão sobre o abastecimento.
A energia exportada pela Bulgária ajudou a compensar parte desse cenário.
Além disso, o maior uso de eletricidade proveniente do sistema búlgaro permitiu preservar níveis de reservatórios romenos, reduzindo a necessidade de recorrer intensamente à geração hidrelétrica para cobrir os horários de maior demanda.
O caso mostra como baterias instaladas em um país podem ter efeitos além das fronteiras nacionais quando as redes estão interligadas.
“Bateria dos Balcãs” depende de € 700 milhões em apoio europeu
O salto da capacidade não ocorreu apenas por iniciativa privada.
A Bulgária utilizou cerca de € 700 milhões em subsídios da União Europeia para estimular projetos de armazenamento, enquanto ajustes regulatórios facilitaram novos investimentos.
A combinação criou condições para uma expansão particularmente rápida em comparação com outros países da região.
O resultado foi uma infraestrutura capaz de absorver excedentes solares e responder ao mercado quando a eletricidade se torna mais valiosa.
Esse modelo também evidencia a importância da política energética. Em diferentes partes da Europa, projetos de baterias enfrentam demora para obter licenças ou conexão à rede, limitando a velocidade de implantação.
Inverno deve reduzir vantagem das baterias
Apesar do desempenho no verão, a própria operação do sistema búlgaro reconhece que os resultados não serão idênticos durante todo o ano.
Nos meses de inverno, há menos horas de luz solar e, consequentemente, menor quantidade de energia fotovoltaica disponível para carregar as baterias.
Zarchev prevê que a Bulgária terá de recorrer mais às usinas convencionais nesse período.
A capacidade de armazenamento não cria eletricidade por si só. Ela apenas permite guardar energia produzida anteriormente e utilizá-la em outro momento, o que significa que seu desempenho depende diretamente da disponibilidade de geração.
Por isso, o impacto observado durante os meses de forte produção solar não deve ser automaticamente projetado para o inverno.
Rede elétrica pode virar novo gargalo
O ritmo acelerado de instalação também cria um problema técnico: a rede precisa conseguir absorver e movimentar toda essa capacidade.
Novos projetos de armazenamento em baterias dependem de conexões robustas, capacidade de transmissão e controle operacional para carregar e descarregar energia sem sobrecarregar o sistema.
A expansão da rede elétrica, portanto, tende a se tornar uma das próximas etapas necessárias para sustentar o crescimento.
Mais baterias sem infraestrutura adequada de transmissão podem transferir o gargalo da geração para a rede.
Esse desafio já aparece em diferentes mercados europeus, onde filas de conexão atrasam projetos mesmo quando financiamento e equipamentos estão disponíveis.
Queda da diferença de preços ameaça receitas
Outro problema começa a surgir justamente por causa do crescimento rápido.
Parte do modelo econômico das baterias depende da chamada arbitragem: comprar ou armazenar eletricidade quando o preço está baixo e vendê-la quando o mercado paga mais.
Com mais sistemas executando a mesma estratégia, a diferença entre os períodos baratos e caros pode diminuir.
O Ministério da Energia da Bulgária alertou à Reuters que as próprias baterias podem começar a reduzir parte das receitas umas das outras.
Nesse cenário, os projetos terão de buscar outras fontes de remuneração, como serviços de balanceamento da rede e participação em mercados auxiliares do sistema elétrico.
Bulgária abre vantagem sobre a Grécia
A velocidade búlgara também chama atenção quando comparada à vizinha Grécia.
Embora a capacidade solar grega tenha mais que triplicado entre 2020 e 2025, segundo dados citados pela Reuters, o desenvolvimento do armazenamento ficou para trás.
A expectativa era que a Grécia alcançasse cerca de 1 GW de armazenamento até o fim de 2026, contra aproximadamente 6 GW já existentes na Bulgária.
O governo grego trabalha para acelerar novos projetos e há previsão de mais 5 GW até 2030, além da capacidade esperada para este ano.
Enquanto isso, a diferença aparece também nos preços médios de eletricidade no varejo, sem impostos e taxas: € 0,1967/kWh na Grécia contra € 0,1117/kWh na Bulgária no primeiro semestre, segundo dados do Eurostat citados pela reportagem.
Armazenamento em baterias transforma papel energético da Bulgária
O avanço da Bulgária mostra como o armazenamento em baterias pode alterar rapidamente a posição de um país dentro de um mercado elétrico regional.
Ao passar de cerca de 3 GW para 6 GW em um ano, o país aumentou a capacidade de aproveitar sua produção solar, reforçou exportações e conseguiu atender vizinhos em momentos de estresse das redes.
Mas o modelo ainda enfrenta limites claros: menor geração solar no inverno, necessidade de ampliar a rede elétrica e redução das margens obtidas com diferenças de preços.
A chamada “Bateria dos Balcãs” tornou-se, assim, um teste relevante para o restante da Europa: não apenas sobre quanto armazenamento instalar, mas sobre como integrá-lo a redes, mercados e fontes renováveis sem criar novos gargalos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

