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Carro de Fórmula 3 movido a combustível de chocolate, com volante feito de cenoura e carroceria de batata, faz curvas a 201 km/h; universidade inglesa construiu o bólido com peças feitas de plantas
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 19/10/2026 às 19:54
Atualizado em 19/10/2026 às 19:55
Biocombustíveis Renováveis
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Apresentado em maio de 2009, o WorldFirst combinava materiais de origem vegetal com biodiesel produzido a partir de resíduos. O motor, porém, não era permitido pelas regras da Fórmula 3 da época.
A Universidade de Warwick, na Inglaterra, construiu um carro de Fórmula 3 que reunia combustível derivado de resíduos de chocolate, volante com materiais obtidos de cenouras e carroceria com componentes provenientes de batatas. Segundo o comunicado oficial de lançamento e a apresentação do projeto pelo Warwick Manufacturing Group, o WMG, o WorldFirst tinha capacidade anunciada de fazer curvas a 125 milhas por hora, aproximadamente 201 km/h.
O veículo foi apresentado em 5 de maio de 2009, quando a equipe informou que ele estava concluído e pronto para ser conduzido. A proposta era demonstrar que tecnologias e materiais considerados mais sustentáveis poderiam integrar um carro de competição sem necessariamente comprometer seu desempenho.
Havia, entretanto, uma limitação importante: embora os responsáveis afirmassem que o carro atendia aos demais padrões da Fórmula 3, o motor a biodiesel não era aceito pelo regulamento da categoria naquele momento. A classificação como carro de Fórmula 3, portanto, não significava que ele estivesse autorizado a disputar a categoria naquela configuração.
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Chocolate virava combustível, enquanto vegetais forneciam materiais para as peças
O motor foi configurado para funcionar com biodiesel derivado de resíduos de chocolate e óleo vegetal. Não se tratava de colocar chocolate diretamente no tanque, mas de utilizar um combustível produzido a partir dessas matérias-primas.
A mesma distinção vale para as peças: o volante era fabricado com materiais derivados de cenouras e outros vegetais de raiz, em uma configuração destinada ao uso em competição. A carroceria também empregava materiais provenientes de batatas. Os alimentos eram a origem dos materiais, não componentes utilizados em sua forma original.
O aproveitamento vegetal aparecia ainda no banco, que combinava fibras de linho e espuma baseada em óleo de soja. Os lubrificantes também eram formulados a partir de óleos vegetais, ampliando a proposta para além das partes mais visíveis do carro.
Velocidade em curvas era um dado divulgado pela equipe
Os cerca de 201 km/h correspondem à conversão das 125 milhas por hora informadas pela universidade. O número se refere à capacidade de fazer curvas nessa velocidade, não a uma velocidade máxima medida em linha reta.
A universidade não detalhou o circuito, o traçado da curva ou o procedimento usado para chegar ao número. Por isso, o desempenho deve ser entendido como uma capacidade anunciada pela equipe, e não como resultado de um teste independente.
Pesquisa propunha olhar da matéria-prima ao descarte
O desenvolvimento reuniu pesquisadores do WMG e do Warwick Innovative Manufacturing Research Centre. Entre os responsáveis estavam Kerry Kirwan, Steve Maggs e o gerente do projeto, James Meredith. O grupo procurava mostrar à indústria possibilidades de aplicação de tecnologias renováveis já disponíveis naquele período.
Para Maggs, a discussão ambiental sobre automóveis precisava ir além das emissões do motor. Sua proposta era considerar toda a cadeia, desde a escolha das matérias-primas até o descarte final do veículo. Meredith, por sua vez, apresentou o WorldFirst como uma demonstração de que desempenho e desenvolvimento de materiais mais sustentáveis poderiam caminhar juntos.
WorldFirst também foi planejado como ferramenta de ensino
O projeto tinha uma finalidade adicional à demonstração tecnológica: servir de plataforma para trabalhos de estudantes. A proposta educacional era permitir que alunos aplicassem princípios de engenharia em um veículo funcional, explorando soluções e questões levantadas por sua construção.
O planejamento também incluía levar o carro a escolas, exposições e outros eventos para discutir engenharia, ciência e uso de recursos. Essas atividades foram apresentadas como parte do futuro previsto para o WorldFirst, usando o interesse pelo automobilismo para aproximar novos públicos da pesquisa.
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carro de Fórmula 3 movido a chocolate
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

