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Carros modernos registram onde motoristas passam, como aceleram e freiam, e dados podem ficar guardados por até 5 anos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/10/2026 às 19:24
Atualizado em 17/10/2026 às 19:50
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Veículos conectados vendidos no Brasil podem coletar localização, velocidade, frenagens e outros dados de uso, enquanto políticas das montadoras definem por quanto tempo essas informações ficam armazenadas e com quem podem ser compartilhadas.
Carros conectados vendidos no Brasil podem registrar localização, velocidade, quilometragem, acelerações, frenagens, diagnósticos do veículo e outros dados de uso.
Essas informações alimentam recursos como rastreamento, assistência em acidentes, manutenção remota e serviços oferecidos por aplicativos. Dependendo da fabricante e da finalidade, porém, os registros também podem permanecer armazenados por períodos diferentes e chegar a empresas parceiras.
Um levantamento publicado pelo UOL Carros na quarta-feira (14) analisou documentos e consultou as dez fabricantes líderes de vendas no mercado brasileiro. GWM, Hyundai e Renault responderam detalhadamente; Chevrolet, Toyota, Fiat e Jeep enviaram posicionamentos mais gerais. Volkswagen não participou, enquanto Honda e BYD não responderam até a publicação.
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A coleta não significa, por si só, que o motorista esteja sendo monitorado de maneira irregular. A conectividade é justamente o que permite localizar um veículo, emitir alertas sobre falhas, informar autonomia, acompanhar manutenção ou acionar determinados serviços de emergência.
A diferença está em quais informações cada fabricante recebe, durante quanto tempo elas permanecem armazenadas e para quais finalidades podem ser utilizadas.
Localização pode ser atualizada a cada poucos segundos
Entre os exemplos levantados pelo UOL está a GWM. Segundo a fabricante informou à reportagem, a posição GPS pode ser coletada a cada poucos segundos enquanto o veículo está ligado, com armazenamento dessas informações por 20 dias.
O contrato da montadora também contempla dados como velocidade, quilometragem, nível de combustível ou carga da bateria, estado das portas, pneus e outros elementos de telemetria.
Na Hyundai, a geolocalização é coletada durante o funcionamento do serviço Bluelink. De acordo com a resposta da montadora ao UOL, depois da desativação do serviço os dados permanecem armazenados por pelo menos seis meses.
Já determinadas informações relacionadas aos serviços conectados da Renault, incluindo dados de localização em algumas situações, podem permanecer armazenadas por até cinco anos.
Esse prazo não significa que todos os dados produzidos por qualquer veículo da marca fiquem guardados durante cinco anos. A política de privacidade da Renault informa que o período de retenção depende de fatores como duração do contrato, histórico da relação comercial, necessidade de atendimento e obrigações legais ou regulatórias.
Quando deixam de ser necessários, os dados devem ser excluídos ou anonimizados, salvo quando existe fundamento legal para que sejam mantidos por mais tempo.
Na Chevrolet, os termos do OnStar trazem outro exemplo do uso da geolocalização. Quando um veículo entra no perímetro de uma concessionária, o sistema pode identificar sua presença para auxiliar no atendimento de pós-venda.
Segundo os termos analisados no levantamento, esses registros podem permanecer armazenados por até 90 dias.
Aceleração e frenagem também entram na coleta
As informações não se limitam à posição do automóvel. Em algumas marcas, os sistemas conseguem formar um histórico mais detalhado sobre como o veículo está sendo utilizado e conduzido.
A Hyundai informou ao UOL que o Bluelink recebe dados como distância percorrida, velocidade média, velocidade máxima e tempo em que o automóvel permanece ocioso.
No caso da Renault, a empresa afirmou que informações provenientes de sensores, entre elas aceleração e frenagem, podem ser coletadas de maneira amostral ou agregada para finalidades estatísticas e de desenvolvimento.
A política brasileira dos serviços conectados da Honda também menciona histórico e perfil de deslocamento, incluindo locais visitados e padrões de aceleração e frenagem.
A Toyota informa que seu aplicativo pode tratar dados comportamentais, incluindo geolocalização e comportamento de direção. A quantidade e o tipo de informações coletadas dependem dos recursos utilizados pelo proprietário.
Esse volume ajuda a explicar por que o automóvel conectado funciona cada vez mais como parte de um ecossistema digital.
Em abril de 2026, por exemplo, a Stellantis informou ter se aproximado de 500 mil veículos produzidos com tecnologia conectada na América do Sul desde a introdução desses serviços na região, em 2021.
Dados podem chegar a seguradoras, concessionárias e fornecedores
A presença dessas informações nos servidores das fabricantes não significa que elas permaneçam exclusivamente dentro das montadoras. As próprias políticas de privacidade descrevem situações em que dados podem ser compartilhados com outras empresas.
A Toyota, por exemplo, informa que pode compartilhar informações pessoais com empresas do grupo, instituições financeiras, corretoras, seguradoras, concessionárias autorizadas e fornecedores, dependendo da finalidade envolvida.
A fabricante afirma que o tratamento deve ocorrer para propósitos legítimos, específicos e previamente informados ao usuário.
Há inclusive aplicações diretamente relacionadas ao modo de condução. Nos termos do Seguro Conectado da Toyota, a empresa informa que geolocalização, status do GPS, nível de bateria ou combustível, eventos de direção e identificação do veículo podem ser compartilhados com a seguradora.
Essas informações podem integrar análises utilizadas na precificação do seguro, juntamente com outras variáveis. Dependendo dos dados coletados e das condições previstas, a seguradora pode considerar alterações de risco ou conceder descontos na renovação.
No levantamento do UOL, a Hyundai afirmou que informações também podem ser compartilhadas com terceiros conforme a finalidade e a legislação, citando bancos em determinadas situações solicitadas pelo titular e seguradoras em casos de roubo ou furto.
A Renault declarou que empresas de assistência podem receber a localização quando isso for necessário para prestar um serviço solicitado pelo cliente.
Concessionárias também podem acessar informações como quilometragem, códigos de falha e alertas de manutenção. Segundo a montadora, dados individualizados de trajetos ou comportamento de condução não são compartilhados nessas situações.
LGPD estabelece limites para uso das informações
No Brasil, o tratamento de informações capazes de identificar ou tornar uma pessoa identificável está sujeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a LGPD.
Entre os princípios previstos estão finalidade, necessidade, transparência, livre acesso e segurança. Isso significa que a empresa deve ter uma razão definida para realizar o tratamento, limitar a coleta ao necessário e informar ao titular como seus dados são utilizados.
O compartilhamento com concessionárias, seguradoras, instituições financeiras ou empresas de assistência, portanto, não representa automaticamente uma violação da LGPD. A análise depende da finalidade, da base legal utilizada, da transparência e das condições estabelecidas para o tratamento.
Motoristas também podem ter opções para reduzir a transmissão de informações, embora as alternativas mudem conforme a fabricante.
A Hyundai informou ao UOL que é possível desassociar o veículo do Bluelink ou desativar a conectividade pela central multimídia, interrompendo a telemetria.
A Renault também permite administrar determinadas preferências de compartilhamento pelo sistema multimídia. A montadora alerta, porém, que algumas funcionalidades conectadas dependem dessas informações para funcionar.
Na prática, desligar a conectividade pode significar reduzir a coleta de dados, mas também abrir mão de recursos como localização remota, diagnósticos, alertas e determinadas funções disponíveis pelo aplicativo.
Com a expansão dos carros conectados, as políticas de privacidade passaram a fazer parte da relação entre motorista e veículo. São elas que estabelecem quais informações podem ser transmitidas, por quanto tempo permanecem armazenadas e em quais situações outras empresas podem recebê-las.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

