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China faz encomenda bilionária de chips da Nvidia, mas fabricante pode não conseguir atender à demanda
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 20/10/2026 às 19:13
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ByteDance, Alibaba e Tencent disputam mais de 3 milhões de placas de vídeo para inteligência artificial, enquanto a Nvidia admite dificuldades para atender à demanda.
A corrida pela inteligência artificial levou três das maiores empresas de tecnologia da China a realizar encomendas bilionárias de chips. ByteDance, Alibaba e Tencent solicitaram mais de 3 milhões de placas RTX PRO 5500 da Nvidia, avaliadas em mais de US$ 35 bilhões. Segundo reportagem da Reuters, publicada em 20 de outubro de 2026, a fabricante norte-americana já alertou seus parceiros de que não consegue garantir a entrega de todos os equipamentos solicitados.
Demanda chinesa supera capacidade de produção da Nvidia
Os pedidos envolvem placas de vídeo que custam aproximadamente US$ 11.400 por unidade. Embora não sejam os processadores mais avançados da Nvidia, esses componentes estão entre as alternativas disponíveis para compradores chineses.
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O problema é que a procura ultrapassou a capacidade de fornecimento planejada.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, os pedidos de clientes chineses já superam 6 milhões de unidades. Entretanto, a Nvidia teria informado que poderá produzir, no máximo, 3 milhões de placas RTX PRO 5500 em todo o mundo durante 2027.
Além disso, alguns parceiros receberam a indicação de que talvez consigam atender apenas entre 5% e 10% das quantidades solicitadas.
Portanto, o valor de US$ 35 bilhões representa o potencial das encomendas, e não uma receita já realizada pela fabricante.
A disputa mostra como os chips se tornaram essenciais para empresas que desenvolvem sistemas de inteligência artificial. Entretanto, ampliar o poder computacional também exige investimentos em servidores, redes e refrigeração.
Essa transformação já aparece na infraestrutura tecnológica. A parceria entre Cisco, Supermicro e Nvidia para desenvolver servidores de IA com refrigeração líquida é um exemplo de como a indústria tenta acompanhar o crescimento dessas operações.
Restrições dos Estados Unidos mudam a corrida pela inteligência artificial
A escolha das placas RTX PRO 5500 não ocorreu por acaso.
Os Estados Unidos mantêm restrições à exportação de semicondutores avançados para a China. Por isso, empresas chinesas enfrentam dificuldades para adquirir determinados processadores utilizados em grandes centros de processamento de dados.
Entre os modelos afetados estão o B300, cuja venda para compradores chineses é proibida pelas regras atuais, e o H200, que depende de análise e licenciamento específicos.
Nesse cenário, as companhias passaram a buscar equipamentos menos potentes, mas compatíveis com as exigências comerciais norte-americanas.
O RTX PRO 5500 foi desenvolvido para estações de trabalho profissionais. Ainda assim, empresas chinesas pretendem utilizá-lo principalmente em tarefas de inferência de inteligência artificial.
Essa etapa ocorre quando um modelo já treinado processa solicitações, produz respostas e executa funções, como acontece em assistentes virtuais e outras aplicações.
Embora essas operações geralmente exijam menos capacidade computacional do que o treinamento de grandes modelos, sua utilização em larga escala aumenta a necessidade de equipamentos.
Ao mesmo tempo, fabricantes chineses, como a Huawei, buscam ampliar sua participação no mercado. Contudo, a produção de semicondutores avançados ainda enfrenta limitações tecnológicas.
A busca por componentes mais eficientes também movimenta os laboratórios. Recentemente, pesquisadores demonstraram uma redução de 40% na energia necessária para alterar uma propriedade elétrica de um material usado em chips, resultado que pode contribuir para futuras tecnologias de memória.
Produção limitada pode atrasar entregas até 2027
Além das restrições comerciais, a Nvidia precisa decidir como distribuir sua capacidade industrial entre diferentes produtos.
Segundo a Reuters, a companhia pretende concentrar parte importante de sua produção em 2027 na plataforma Rubin, voltada à próxima geração de grandes data centers.
Essa prioridade poderá limitar ainda mais a disponibilidade das placas RTX PRO 5500.
A previsão informada às fontes da reportagem é que as primeiras amostras cheguem aos clientes em dezembro de 2026. Já as entregas comerciais devem começar no primeiro trimestre de 2027.
Entretanto, os prazos e as quantidades continuam sujeitos à disponibilidade de produção.
A expansão da inteligência artificial também aumenta a demanda por eletricidade. Afinal, milhares de processadores funcionando simultaneamente exigem sistemas de alimentação e resfriamento de grande porte.
No caso das empresas chinesas, porém, o desafio imediato é garantir acesso aos semicondutores.
Por enquanto, os pedidos superiores a US$ 35 bilhões demonstram a dimensão da procura, mas não asseguram que todos os chips serão entregues.
Assim, a disputa entre ByteDance, Alibaba e Tencent revela um dos principais obstáculos da inteligência artificial: a capacidade de desenvolver novas aplicações cresce rapidamente, enquanto a produção dos equipamentos necessários continua limitada.
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

