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China limita suspensão do frango brasileiro a Santa Catarina após foco de Newcastle; medida atinge 14 estabelecimentos e preserva exportações dos demais estados, segundo informação divulgada pelo Ministério da Agricultura
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/10/2026 às 11:27
Atualizado em 21/10/2026 às 12:40
Agronegócio
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Foco foi confirmado em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba. México anunciou restrições nacionais a produtos avícolas, enquanto o Chile também adotou bloqueio limitado ao estado catarinense.
A China limitará a Santa Catarina a suspensão das importações de carne de frango brasileiro após a confirmação de um foco da doença de Newcastle no estado. A medida alcança 14 estabelecimentos catarinenses, segundo Augusto Billi, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em declaração ao g1 publicada em outubro de 2026.
O governo brasileiro recebeu a resposta das autoridades chinesas no fim da manhã daquele dia. Com a decisão, as unidades habilitadas nos demais estados ficam fora dessa suspensão, evitando que o bloqueio chinês alcance toda a produção nacional destinada ao país asiático.
Ao todo, 61 estabelecimentos brasileiros estão habilitados a exportar carne de frango para a China. Entre janeiro e setembro de 2026, o mercado chinês respondeu por 13,5% da receita das exportações brasileiras do produto, conforme dados do Ministério da Agricultura.
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Protocolo previa suspensão preventiva antes da decisão chinesa
O acordo sanitário entre os dois países prevê que, quando uma doença infecciosa aviária é identificada no Brasil, o Ministério da Agricultura suspenda preventivamente as exportações para a China. Depois, as autoridades chinesas decidem se mantêm a restrição para todo o território brasileiro ou apenas para o estado afetado.
Billi afirmou que o governo enviou documentos em 19 de outubro e solicitou que o bloqueio não fosse aplicado nacionalmente. Na avaliação do secretário, o conhecimento das autoridades chinesas sobre o sistema brasileiro de controle sanitário contribuiu para uma resposta mais rápida.
O episódio anterior de Newcastle, registrado no Rio Grande do Sul em 2024, teve uma evolução diferente. As exportações brasileiras de frango para a China foram suspensas em julho daquele ano, e a autorização para os demais estados retomarem os embarques veio aproximadamente um mês depois. As empresas gaúchas permaneceram sob restrição por mais tempo.
A decisão de limitar o bloqueio a Santa Catarina reduz seu alcance sobre as vendas externas brasileiras. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o estado responde por pouco mais de 20% dos embarques nacionais de carne de frango. Esse percentual se refere às exportações brasileiras do produto, não exclusivamente às vendas para a China.
Foco foi detectado em perus durante vigilância sanitária
A ocorrência foi confirmada em 19 de outubro em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, com cerca de 6 mil animais. O Ministério da Agricultura informou que o estabelecimento foi fechado e a movimentação de aves ficou suspensa.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, afirmou que os animais não apresentavam sinais clínicos da doença. Segundo ele, a detecção ocorreu durante uma ação de vigilância ativa do ministério, que realiza exames periódicos em propriedades selecionadas por sorteio.
Os testes identificaram material genético de uma variante do vírus de Newcastle associada a pombos, conforme o relato de Santin. A ausência de sintomas nas aves examinadas não impediu a adoção das medidas sanitárias após a confirmação do foco.
As autoridades iniciaram ações para eliminar o vírus e intensificaram a vigilância regional. A área de restrição para monitoramento epidemiológico abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.
México e Chile adotaram restrições com alcances diferentes
A decisão chinesa não altera as medidas anunciadas pelos outros importadores. O México foi o primeiro a comunicar restrições, em 19 de outubro, com abrangência nacional para os produtos avícolas especificados.
O bloqueio mexicano inclui carne e miúdos de aves, aves vivas, ovos férteis e pintinhos de até três dias, além de outras categorias de aves destinadas à comercialização ou à companhia. O governo mexicano apresentou a medida como uma forma de proteger sua produção avícola.
O Chile, por sua vez, restringiu as compras provenientes de Santa Catarina. A suspensão alcança carne fresca de aves e produtos que a contenham, além de ovos para consumo humano, ovos férteis, ovos livres de patógenos específicos, pintinhos de um dia e aves ornamentais.
Assim, a preservação dos embarques dos demais estados vale para a decisão chinesa, mas não significa que todos os mercados estejam abertos aos mesmos produtos brasileiros.
Regras sanitárias não equivalem a novos embargos confirmados
Outros compradores mantêm protocolos com o Brasil que estabelecem possíveis restrições diante de doenças aviárias. Essas regras podem considerar todo o país, um estado, a área afetada ou somente os animais do foco.
O alcance também varia conforme o produto. Um mesmo mercado pode aplicar condições diferentes para carne, ovos e outros derivados, e a decisão adotada após a análise de uma ocorrência pode não reproduzir integralmente a previsão inicial do protocolo.
Na atualização divulgada em 20 de outubro, apenas China, Chile e México haviam anunciado oficialmente como tratariam o caso catarinense. Ainda não havia posicionamento público dos demais mercados sobre essa ocorrência.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

