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Moradores de seis localidades sem ligação com a rede nacional, de Tabatinga a Ipixuna, passam a ter a luz gerada só pela Aggreko, que concluiu a compra de seis térmicas da BBF e chega a 32 usinas no Amazonas
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 21/10/2026 às 11:45
Atualizado em 21/10/2026 às 12:00
Geração de Energia
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A Aggreko concluiu a compra de seis usinas termelétricas da Brasil Bio Fuels em localidades isoladas do Amazonas, passou a deter 100% do Consórcio Geração Amazonas e agora opera 32 usinas que somam 149,1 MW, cada uma responsável pela energia de uma comunidade fora da rede nacional.
A conclusão do negócio foi informada pela Agência Cenário Energia em 19 de outubro. Com os ativos incorporados, a capacidade instalada da empresa no estado subiu de 137,7 MW para 149,1 MW.
As seis térmicas somam 11,4 MW. O valor pago pela Aggreko à BBF não foi divulgado nas reportagens consultadas.
As usinas ficam de Tabatinga a Ipixuna
As térmicas incorporadas atendem Belém dos Solimões, em Tabatinga, Estirão do Equador e Palmeiras do Javari, em Atalaia do Norte, e Feijoal, em Benjamin Constant, além dos municípios de Envira e Ipixuna.
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São lugares sem conexão com o Sistema Interligado Nacional, o SIN. Neles, a eletricidade depende de geração local, e o acesso é feito predominantemente pelos rios.
Segundo a Cenário Energia, cada uma das 32 usinas da Aggreko atende uma localidade, e os geradores operam continuamente, com previsão de funcionamento pelos próximos oito anos.
Envira e Ipixuna concentram quase três quartos da potência
Uma reportagem de junho da própria Cenário Energia detalhou o tamanho de cada usina. As maiores são as de Envira, com 4,1 MW, e de Ipixuna, com 4,09 MW.
Em seguida vêm Feijoal, com 1,18 MW, e Belém dos Solimões, com 0,89 MW. Estirão do Equador e Palmeiras do Javari têm 0,63 MW cada.
Todas funcionam com diesel e/ou biodiesel, segundo aquela reportagem.
O negócio nasceu de um leilão de 2016
As seis térmicas fazem parte do Consórcio Geração Amazonas, vencedor do Leilão de Sistemas Isolados nº 02/2016 da Aneel. O contrato original cobria 32 usinas no interior do estado.
Até a venda, a Aggreko tinha 99% do consórcio e operava diretamente 26 usinas. A BBF e a Amazonbio detinham juntas 1%, correspondente justamente às seis térmicas agora transferidas.
A venda faz parte do plano de recuperação judicial do grupo BBF, que prevê desinvestimentos por meio de Unidades Produtivas Isoladas, com base na Lei nº 11.101/2005.
A transferência dependia do Cade, da Aneel e do Exército
O caminho foi longo. Em junho, o Cade já tinha aprovado a operação, mas o fechamento ainda dependia de outras autorizações, segundo a Cenário Energia.
A lista incluía a anuência prévia da Aneel, a validação da Amazonas Energia e o aval do Comando de Fronteira Solimões, do 8º Batalhão de Infantaria de Selva, do Ibama e da Funai.
Também era necessário o consentimento das comunidades indígenas de Feijoal e de Belém do Solimões, vizinhas às usinas, para a transferência de posse, administração e licenças.
São 250 pessoas e muito barco para manter as luzes acesas
A estrutura da Aggreko no Amazonas reúne cerca de 250 profissionais, incluindo a equipe baseada em Manaus. O atendimento combina monitoramento remoto e transporte fluvial de equipes, materiais e equipamentos.
Para acompanhar as máquinas, a empresa usa o sistema CORE, que mostra quais geradores estão em funcionamento e monitora o consumo de combustível.
Dessa forma, segundo a empresa, diminui a necessidade de viagens presenciais para algumas tarefas de supervisão, o que pesa em regiões onde o deslocamento é feito de barco.
O diretor fala em confiabilidade nas regiões estratégicas
O diretor-geral da Aggreko no Brasil, Marco Contin, tratou a compra como reforço de compromisso. “A consolidação desses ativos reforça o compromisso da Aggreko com a confiabilidade do fornecimento de energia em regiões estratégicas do Brasil”, afirmou.
“Ao reunir 32 usinas, ampliamos nossa capacidade de aplicar tecnologia, conhecimento operacional e novas soluções energéticas na Amazônia”, completou o executivo.
Contin também destacou as dificuldades da operação. “Nos sistemas isolados, existem localidades que ainda precisam de soluções para garantir o fornecimento de energia”, disse.
Solar e bateria entram no radar, mas sem data
Além da geração térmica, a Aggreko avalia integrar fontes renováveis e baterias às usinas que já existem. Entre as alternativas estão projetos híbridos que combinam térmica, energia solar e armazenamento.
A estratégia busca reduzir o consumo de combustível quando as condições locais permitirem. Por outro lado, a empresa não informou quais unidades podem receber esses projetos, nem cronograma ou investimento.
O modelo híbrido já aparece no setor. Em 2025, o portal mostrou que o leilão de energia para sistemas isolados no Amazonas e no Pará confirmou a aposta nesse tipo de usina.
Um projeto com a Huawei mira 24 localidades do estado
A empresa já anunciou um plano desse tipo para outras cidades. Em março, a Reuters informou, em texto publicado pela Forbes Brasil, que Aggreko e Huawei vão instalar microrredes solares com baterias em 24 localidades do Amazonas.
O projeto prevê 110 MWp de geração solar e 120 MWh de baterias, com investimento de R$ 850 milhões, e pode cortar o consumo de 37 milhões de litros de diesel por ano.
Segundo Cristiano Lopes Saito, da Aggreko, as primeiras usinas podem entrar em operação em 2027 e 2028. “Não reduziremos capacidade térmica”, disse ele na época. O portal também contou essa história quando a Huawei anunciou baterias em 24 cidades da Amazônia.
Segundo a reportagem, o projeto pode ainda reduzir o peso da Conta de Consumo de Combustíveis, a CCC, encargo que aparece na conta de luz dos brasileiros.
A luz dessas comunidades segue dependendo do combustível
Enquanto os projetos híbridos não saem do papel, a energia dessas seis localidades continua vindo de geradores que queimam diesel e/ou biodiesel, mantidos por uma logística baseada nos rios.
A reportagem completa sobre a conclusão da compra está na Agência Cenário Energia.
Fico imaginando o que significa, para uma comunidade isolada, ter toda a energia de casa nas mãos de uma única usina.
Você acha que as comunidades isoladas do Amazonas deveriam trocar os geradores a diesel por usinas solares com bateria?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

