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Cooperativas de crédito superam R$ 1 trilhão em ativos e 21 milhões de associados e buscam ganhar mais espaço dos bancos brasileiros
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 20/10/2026 às 09:57
Atualizado em 20/10/2026 às 10:05
Economia
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Setor já alcança 59% dos municípios brasileiros, mas enfrenta juros altos e aumento do risco de crédito enquanto aposta no atendimento próximo para continuar crescendo
As cooperativas de crédito ultrapassaram R$ 1 trilhão em ativos e encerraram 2025 com 21,2 milhões de associados no Brasil, segundo o Banco Central. Apesar desse avanço, representantes do setor avaliam que ainda existe espaço para ampliar a participação no mercado financeiro, conforme reportagem publicada pela Gazeta do Povo em 19 de outubro de 2026.
A expansão, porém, encontra um ambiente mais difícil. Juros elevados, orçamento familiar pressionado e maior risco de inadimplência exigem cuidado na concessão de empréstimos. Assim, o desafio passa por conquistar novos associados sem comprometer a qualidade das operações.
Na avaliação de Cesar Bochi, CEO do Sicredi, ouvida pelo jornal, o segmento ainda está distante de esgotar seu potencial. O executivo, entretanto, considera provável um ritmo de crescimento mais próximo de 10% do que de 20%, diante das condições econômicas.
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Presença chega a 59% dos municípios brasileiros
O Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo mostra que o setor estava presente em 59% dos municípios do país em dezembro de 2025. A base de cooperados reunia 17,8 milhões de pessoas físicas e 3,4 milhões de pessoas jurídicas.
O avanço das operações de crédito foi o principal motor do crescimento dos ativos. Ao mesmo tempo, o aumento das captações ajudou a sustentar o financiamento de empresas e atividades agroindustriais.
Esse movimento aproxima as cooperativas de pequenos negócios que precisam financiar estoques, equipamentos e capital de giro. Para essas empresas, a disponibilidade de recursos influencia tanto a rotina quanto a execução de novos investimentos.
Ainda assim, ativos não significam dinheiro disponível para distribuição. O indicador reúne diferentes bens e direitos das instituições, incluindo os empréstimos concedidos aos associados.
Associado também participa da instituição
A diferença em relação ao modelo bancário aparece na estrutura de propriedade. Em uma cooperativa de crédito, o associado também é dono e participa das decisões conforme as regras da organização.
Segundo o Banco Central, os cooperados têm igualdade de voto, independentemente da participação no capital social. Além disso, os resultados positivos, chamados de sobras, podem ser repartidos proporcionalmente às operações realizadas pelos associados.
Existe também a possibilidade de participação no rateio de perdas. Portanto, o vínculo envolve direitos e responsabilidades que vão além da contratação de uma conta ou de um empréstimo.
Na prática, as instituições oferecem serviços conhecidos do público, como cartões, aplicações financeiras e financiamentos. A disputa com bancos passa, assim, pelas condições oferecidas, pela conveniência e pela relação construída com cada usuário.
Atendimento próximo sustenta estratégia de crescimento
Na entrevista à Gazeta do Povo, Bochi destacou o relacionamento de longo prazo e as indicações de associados como elementos da expansão.
A proposta combina serviços financeiros com conhecimento da realidade local. Para um produtor rural ou pequeno empresário, por exemplo, o atendimento pode envolver necessidades que variam conforme a atividade e o calendário de recebimentos.
Por outro lado, manter proximidade exige capacidade de acompanhar o crescimento da base. A incorporação de tecnologia e a organização do atendimento tornam-se parte desse esforço.
Risco de crédito exige atenção na expansão
O Banco Central identificou aumento do risco nas carteiras de pessoas físicas e jurídicas em 2025. Mesmo assim, informou que as provisões permaneceram acima das perdas esperadas e que os índices de capital estavam confortáveis em relação aos limites prudenciais.
Esses indicadores ajudam a avaliar a capacidade das instituições de absorver dificuldades financeiras. Contudo, o resultado agregado do segmento não elimina diferenças entre cooperativas.
A continuidade da expansão dependerá desse equilíbrio entre captar recursos, conceder crédito e acompanhar os pagamentos. Para os associados, isso se traduz na capacidade de financiar atividades e projetos sem perder de vista a sustentabilidade da própria instituição.
Fonte
Gazeta do Povo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

