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Corredor entre Ásia e Europa precisa de mais de US$ 55 bilhões e pode gerar 2 milhões de empregos até 2040, aponta Banco Mundial
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 21/10/2026 às 09:48
Atualizado em 21/10/2026 às 09:50
Logística e Transporte
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Estudo prevê que melhorias em ferrovias, portos e conexões logísticas podem mais que triplicar o comércio pela rota transcaspiana e reduzir o tempo de viagem pela metade
Uma rota que combina ferrovias, travessias marítimas e rodovias entre a Ásia e a Europa pode ampliar o comércio e estimular a criação de empregos nas próximas décadas. Segundo estudo divulgado pelo Banco Mundial em 28 de setembro de 2026, o Corredor de Transporte Transcaspiano demanda mais de US$ 55 bilhões em infraestrutura e investimentos complementares até 2040.
Também conhecido como Corredor do Meio, o trajeto conecta mercados pela Ásia Central, pelo Mar Cáspio, pelo Cáucaso do Sul e pela Turquia. A proposta é transformar essa ligação em uma alternativa mais previsível para empresas que transportam mercadorias entre os dois continentes.
Os resultados dependem da execução das melhorias. No cenário analisado, o Banco Mundial estima potencial para criar 2 milhões de empregos adicionais e elevar o Produto Interno Bruto em 3,3% no conjunto das economias estudadas até 2040.
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Obras precisam se conectar às economias locais
O levantamento divide as necessidades financeiras em duas frentes. Mais de US$ 25 bilhões atenderiam à infraestrutura física, especialmente ferrovias, portos e acessos rodoviários. Outros cerca de US$ 30 bilhões financiariam conexões locais, terminais, equipamentos e sistemas digitais.
Essa segunda parcela tem uma função importante. Uma rota internacional pode receber grandes volumes de carga sem necessariamente integrar empresas das regiões que atravessa.
Por isso, o estudo recomenda estruturas que aproximem o corredor das atividades produtivas locais. Acessos ferroviários, centros logísticos e instalações de armazenagem podem ajudar produtores e indústrias a alcançar novos compradores.
Assim, os investimentos procuram gerar efeitos que vão além da passagem de mercadorias, criando condições para negócios ao longo do percurso.
Reformas podem ampliar os ganhos do transporte
A infraestrutura é apenas parte do desafio. No cenário que combina obras com melhorias na eficiência comercial e operacional, o volume transportado poderia quadruplicar e os tempos de viagem cair em dois terços até 2040, na comparação com 2023.
Para chegar a esse resultado, os países precisam enfrentar atrasos nas fronteiras, documentação fragmentada e dificuldades de coordenação entre operadores.
Na prática, aumentar a capacidade de uma ferrovia não resolve uma espera prolongada no porto seguinte. Da mesma forma, um terminal moderno perde eficiência quando os documentos necessários à continuidade da viagem não acompanham a carga.
A previsibilidade depende, portanto, do funcionamento do percurso inteiro.
Sistemas digitais e operação integrada entram nas prioridades
Entre as recomendações, o Banco Mundial propõe uma entrada digital única para dados de transporte, trânsito e comércio. O objetivo é reduzir a fragmentação dos registros e facilitar o acompanhamento das operações.
Além disso, o relatório recomenda integrar os serviços ferroviários e marítimos de contêineres por meio de uma operação conjunta, orientada ao mercado.
Essa organização exige que empresas responsáveis por trens, terminais e navios coordenem seus serviços. A conexão entre etapas pode tornar o transporte mais simples de contratar e acompanhar.
Outra prioridade é melhorar a gestão e a sustentabilidade financeira dos operadores. Segundo o estudo, empresas estatais controlam grande parte dos ativos ferroviários, portuários e marítimos envolvidos.
Parte das intervenções já está em andamento
O relatório identifica 16 investimentos de infraestrutura considerados mais críticos. Desse conjunto, 75% já estavam em andamento, enquanto os demais integravam planos governamentais.
Isso aumenta a importância das mudanças operacionais. Mesmo com obras avançando, o corredor continuará dependendo da cooperação entre países para resolver gargalos e oferecer serviços confiáveis.
A análise abrange nove economias, entre elas Cazaquistão, Azerbaijão, Geórgia, Turquia e Uzbequistão. Para esses mercados, integrar infraestrutura, gestão e tecnologia é o caminho apontado para transformar uma rota de passagem em uma plataforma de desenvolvimento regional.
Fonte
Banco Mundial
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

