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Donos de transportadora e empresas de ônibus esperam até segunda (26) a decisão sobre o subsídio de R$ 2,12 no litro do diesel, que vence um dia depois do 2º turno, com o petróleo a US$ 116,93
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 25/10/2026 às 04:10
Atualizado em 25/10/2026 às 04:30
Petróleo e Gás
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O subsídio federal de R$ 2,12 por litro do diesel rodoviário vence nesta segunda-feira, 26 de outubro, e até sábado (24) o governo não tinha anunciado a renovação, enquanto o petróleo fechou a US$ 116,93 e a defasagem nas refinarias da Petrobras chegou a R$ 3,53 por litro.
Quem vive de rodar com caminhão ou administra frota de ônibus entra na semana com uma conta em aberto. O prazo do subsídio cai justamente no dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.
A regra foi fixada pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 2.946, de 25 de setembro. Ela garantiu o apoio por 30 dias, contados a partir de 27 de setembro, e prevê a possibilidade de prorrogação por igual período.
O prazo de 30 dias termina no dia seguinte ao segundo turno
Segundo o Diário do Transporte, até este sábado, 24 de outubro, a renovação ainda não havia sido anunciada pelo governo federal. A decisão, portanto, fica para a véspera do vencimento ou para o próprio dia.
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O benefício vale para o diesel A rodoviário, que é o combustível antes da mistura com biodiesel. O que sai da bomba para o tanque dos veículos é o diesel B, resultado da mistura dos dois componentes.
Essa diferença importa na hora de calcular o efeito de qualquer mudança. O subsídio é pago na comercialização por produtores e importadores, e não aparece como um desconto discriminado na nota do posto.
O fim do benefício não vira aumento automático de R$ 2,12 na bomba
O próprio Diário do Transporte faz a ressalva. Se o subsídio acabar sem substituição, sai de cena um mecanismo que segura o preço, mas isso não significa reajuste de R$ 2,12 nos postos na segunda-feira.
O preço que chega ao comprador depende das decisões comerciais dos fornecedores, da distribuição e da revenda. Retirar uma compensação e anunciar um preço novo são, conforme a publicação, acontecimentos distintos.
Na prática, sem renovação, a pressão sobe, mas o tamanho do repasse ninguém anunciou.
Setembro mostrou como a engrenagem funciona. A Petrobras anunciou aumento de R$ 1 por litro no diesel A às distribuidoras a partir do dia 17, acompanhado de um desconto de igual valor bancado pelo programa federal.
Naquela ocasião, a estatal informou que o preço efetivamente cobrado das distribuidoras ficaria inalterado. Desde então, segundo a Folhapress, a companhia não mexeu mais no preço do diesel em suas refinarias.
O diesel importado tem um reforço de R$ 1,40 com calendário próprio
Além dos R$ 2,12, o governo criou em outubro uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, exclusiva para o diesel A rodoviário importado. Com as duas parcelas, o apoio às importações chegou a R$ 3,52 por litro.
Esse complemento foi regulamentado pela Portaria nº 3.082, de 13 de outubro, também com 30 dias de duração e possibilidade de renovação. Por isso, o vencimento desta segunda-feira atinge apenas a parcela principal.
No anúncio do pacote, segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 33% do diesel consumido no Brasil era importado. A parcela extra existe para manter viável a compra de combustível no exterior.
Na sexta, o petróleo fechou no maior valor desde abril
A pressão vem de fora. Segundo reportagem da Folhapress publicada pelo Jornal de Brasília, os ataques dos houthis a refinarias e aeroportos da Arábia Saudita puxaram a commodity, que fechou a US$ 116,93 na sexta (23).
Com esse patamar, os R$ 3,52 de subvenção não pagam nem metade do preço do diesel importado, estimado em R$ 6,76 por litro pela consultoria StoneX, de acordo com a mesma reportagem.
Na abertura do mercado de sexta, o diesel das refinarias da Petrobras estava R$ 3,53 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela StoneX. Na média do mercado, a diferença era de R$ 3,29.
A defasagem já supera o apoio dado aos importadores
Dá pra entender por que o mercado está tenso.
A conta é simples de ler. A diferença de R$ 3,53 nas refinarias da estatal fica um centavo acima dos R$ 3,52 que o governo garante hoje a cada litro de diesel importado.
Na gasolina, a distância é bem menor: R$ 0,58 por litro nas refinarias da Petrobras e R$ 0,42 na média nacional, que inclui refinarias e importadores privados.
Analistas do Itaú BBA avaliaram, no início da semana, que manter defasagens elevadas pode levar a estatal a descumprir sua política de preços em 2026. Procurada pela Folhapress, a Petrobras não respondeu.
Banco projeta diesel de R$ 9 ou R$ 10 no cenário mais duro
O Goldman Sachs também entrou na conta. Segundo o portal TMC, o banco calcula que o litro vendido pela Petrobras às distribuidoras custa R$ 5,43, contra R$ 6,89 da paridade internacional, uma defasagem de 21%.
O cenário base do banco não prevê reajuste até dezembro. Numa projeção extrema, sem os subsídios e sem medida compensatória, o litro do diesel poderia chegar a R$ 9 ou R$ 10.
Importadores compram com cautela, mas sem sinal de falta
As incertezas levaram empresas privadas a importar de forma mais conservadora, segundo fontes ouvidas pela Folhapress. Ainda assim, não há sinais de risco de desabastecimento do combustível no país.
O presidente da Abicom, Sergio Araújo, disse que o volume previsto para novembro ainda é pequeno, mas haverá sobra das compras de outubro e já se espera a volta do diesel russo.
Ônibus e caminhões sentem de formas diferentes
Para as empresas de ônibus, o diesel mais caro aumenta a despesa de manter a operação. O peso varia com a quilometragem, o consumo dos veículos, o trânsito e os contratos de fornecimento de cada empresa.
Nos sistemas regulados, o reflexo sobre tarifas e subsídios públicos depende das regras de cada contrato, lembra o Diário do Transporte. Combustível divide a planilha com salários, manutenção, pneus e compra de veículos.
Até agosto, segundo a Folhapress, o governo calculava ter gasto R$ 32 bilhões para segurar os combustíveis. O Planalto diz repassar ao consumidor parte da receita extra com royalties do petróleo.
O que já foi decidido e o que ainda falta
O pacote de outubro foi detalhado aqui quando o governo ampliou o subsídio ao diesel para R$ 3,52 por litro e zerou impostos federais da gasolina.
Hoje, além dos valores do diesel, a gasolina tem R$ 0,89 por litro de alívio na forma de isenção de impostos federais. A retirada desses valores, diz a Folhapress, teria impacto relevante na bomba.
A leitura completa da regra e dos prazos está na reportagem do Diário do Transporte. Por enquanto, o que existe é um prazo, e não um preço novo anunciado.
Se o subsídio de R$ 2,12 cair na segunda, quanto você acha que vai chegar de fato ao preço do diesel no posto?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

