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Empresa americana retoma operação de duas sondas offshore no Brasil após paralisações que afetaram receitas em US$ 47,7 milhões
Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/10/2026 às 19:51
Atualizado em 31/10/2026 às 19:52
Setor Offshore
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As interrupções de duas unidades no Brasil deixaram reflexos nos números da Noble Corporation. O balanço mais recente detalha as perdas, a retomada das operações e novos movimentos da empresa no mercado internacional de perfuração offshore.
A americana Noble Corporation confirmou a retomada das operações de duas sondas offshore no Brasil após paralisações que afetaram suas receitas em aproximadamente US$ 47,7 milhões nos nove primeiros meses de 2026.
As unidades envolvidas são o navio-sonda Noble Faye Kozack e a plataforma semissubmersível Noble Courage, utilizadas em contratos de perfuração para a Petrobras.
A atualização foi apresentada em 26 de outubro de 2026, durante a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre da companhia, sediada nos Estados Unidos. O balanço mostra os impactos das interrupções sobre o faturamento e detalha a situação operacional da frota.
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Segundo o comunicado oficial da Noble Corporation, apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), as duas unidades voltaram às atividades depois das suspensões temporárias registradas ao longo do ano.
A retomada, no entanto, não ocorreu necessariamente em outubro. A empresa já havia informado, no balanço publicado em julho, que ambas estavam novamente em operação no Brasil. O documento mais recente consolida os efeitos financeiros dessas interrupções.
Paralisações no Brasil afetaram receitas da Noble
O impacto acumulado das suspensões aparece no relatório trimestral Form 10-Q da Noble, referente ao período encerrado em 30 de setembro de 2026.
De acordo com o documento encaminhado à SEC, as interrupções do Noble Faye Kozack e do Noble Courage responderam por aproximadamente US$ 47,7 milhões de redução nas receitas de perfuração acumuladas entre janeiro e setembro.
Somente no terceiro trimestre, encerrado em setembro, a companhia identificou um impacto de cerca de US$ 6,3 milhões relacionado às paralisações anteriormente comunicadas.
O período de maior repercussão financeira foi o segundo trimestre. Em julho, a Noble havia informado que as suspensões das duas unidades no Brasil afetaram suas receitas em aproximadamente US$ 43 milhões naquele intervalo.
Na ocasião, as interrupções contribuíram para a redução do faturamento global dos serviços de perfuração, que passou de US$ 743 milhões no primeiro trimestre para US$ 679 milhões entre abril e junho.
A companhia também registrou queda na utilização de sua frota comercializada, de 68% para 64%, considerando as unidades disponíveis naquele período.
Em seu balanço do segundo trimestre, publicado em 27 de julho, a Noble confirmou que as duas sondas já haviam retomado as atividades.
O relatório de outubro não apresenta, no trecho referente aos impactos sobre as receitas, um detalhamento técnico completo das causas das interrupções. Por isso, os dados financeiros não permitem atribuir as paralisações a uma falha específica dos equipamentos.
Noble Faye Kozack e Noble Courage operam para a Petrobras
Apesar de aparecerem juntas nos relatórios financeiros, as duas unidades possuem características diferentes e desempenham atividades de perfuração offshore por meio de estruturas distintas.
O Noble Faye Kozack é um navio-sonda construído em 2013, projetado para realizar perfurações em águas profundas e ultraprofundas.
A embarcação utiliza o projeto Samsung 12000 Double Hull e pode operar em lâminas d’água de até 12 mil pés, equivalentes a aproximadamente 3.658 metros.
Conforme as especificações técnicas da Noble, a embarcação também possui capacidade de perfuração de até 40 mil pés, aproximadamente 12,2 quilômetros, considerando a profundidade total do poço.
A unidade iniciou seu contrato com a Petrobras em julho de 2024, segundo os relatórios de acompanhamento da frota divulgados pela empresa.
Já o Noble Courage é uma plataforma semissubmersível, estrutura que utiliza colunas e flutuadores para manter a estabilidade durante as operações de perfuração no mar.
Construída em 2009, a unidade também possui capacidade para atuar em lâminas d’água de até 10 mil pés, aproximadamente 3.048 metros. Seu projeto é identificado como F&G ExD Millennium.
O histórico contratual do Noble Courage inclui uma ampliação anunciada pela companhia em abril de 2026.
Naquele mês, a Noble informou que a Petrobras havia prorrogado a contratação da semissubmersível por mais 1.115 dias, estendendo seu período contratual até dezembro de 2030.
A extensão acrescentou aproximadamente US$ 339 milhões à carteira de contratos da empresa, considerando o valor incremental informado no anúncio.
A diferença entre as duas estruturas também ajuda a explicar por que o termo sondas offshore é mais adequado para identificar conjuntamente os equipamentos envolvidos nas paralisações.
Retomada ocorre em trimestre de prejuízo de US$ 117 milhões
Embora tenha confirmado o retorno das operações no Brasil, a Noble encerrou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 117 milhões.
O resultado representa uma ampliação das perdas em relação ao segundo trimestre, quando a companhia havia registrado prejuízo de US$ 37 milhões.
A receita total alcançou US$ 729 milhões entre julho e setembro, acima dos US$ 720 milhões registrados nos três meses anteriores, mas abaixo dos US$ 798 milhões contabilizados no terceiro trimestre de 2025.
Já o faturamento específico dos serviços de perfuração atingiu US$ 684 milhões, comparado aos US$ 679 milhões do trimestre anterior.
Outro indicador divulgado foi o EBITDA ajustado, que ficou em US$ 201 milhões, ante US$ 212 milhões no segundo trimestre. O indicador acompanha o desempenho operacional da empresa antes de determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis.
Ao comentar os resultados, o presidente e diretor-executivo da Noble, Robert W. Eifler, destacou a retomada das duas unidades brasileiras entre os acontecimentos operacionais do período.
Segundo o executivo, o trimestre também foi afetado pela transição de outras plataformas da frota entre contratos, situação que interfere na quantidade de dias em que os equipamentos permanecem efetivamente contratados e operando.
O balanço apontou ainda uma melhora na taxa de utilização das 28 unidades comercializadas pela companhia, que passou de 67% no segundo trimestre para 70% no terceiro.
Esses números abrangem as operações internacionais da Noble e não representam exclusivamente o desempenho de suas sondas no Brasil.
Novos contratos somam US$ 560 milhões
Além dos resultados financeiros e da retomada das operações brasileiras, a Noble anunciou aproximadamente US$ 560 milhões em novos contratos de perfuração offshore, firmados desde a atualização de sua frota divulgada em julho.
Com os novos negócios, a carteira global de serviços contratados da companhia alcançou US$ 6,7 bilhões em 26 de outubro de 2026.
A informação também foi destacada pela jornalista Melisa Cavcic, do portal especializado Offshore Energy, em reportagem publicada em 30 de outubro.
Os contratos abrangem atividades em diferentes regiões, incluindo África, América do Sul e Europa. Os US$ 560 milhões anunciados, portanto, não correspondem exclusivamente a investimentos ou serviços previstos no Brasil.
Entre os novos compromissos está a contratação do Noble Faye Kozack pela Tullow Oil para uma campanha de cinco poços em Gana, com início previsto para meados de 2027.
O acordo contempla aproximadamente 250 dias de atividades, além de opções para outros cinco poços. A operação africana está programada para ocorrer após os trabalhos previstos no Brasil.
Outras unidades também receberam novos contratos. O Noble BlackRhino foi contratado pela TotalEnergies para uma campanha de quatro poços na Nigéria, com início previsto para o quarto trimestre de 2026.
Na América do Sul, o Noble BlackHawk obteve um contrato com a Apache para perfuração de um poço no Uruguai, com previsão de início no último trimestre de 2027.
O negócio foi estimado em aproximadamente US$ 25 milhões, sem incluir determinados custos adicionais.
A companhia também anunciou trabalhos para unidades que atuarão no Peru e na Noruega, ampliando a distribuição geográfica de sua carteira.
Para o conjunto de 2026, a Noble passou a projetar receitas globais entre US$ 2,85 bilhões e US$ 2,9 bilhões, conforme as estimativas atualizadas apresentadas em outubro.
A previsão de EBITDA ajustado ficou entre US$ 850 milhões e US$ 900 milhões, enquanto a estimativa de investimentos de capital passou para uma faixa de US$ 680 milhões a US$ 705 milhões.
No Brasil, o Noble Courage permanece associado ao contrato com a Petrobras que se estende até dezembro de 2030. O Noble Faye Kozack, por sua vez, possui uma nova campanha internacional prevista para 2027, depois de suas atividades no país.
Os resultados divulgados em outubro registram, assim, a volta das duas unidades à operação e o impacto financeiro acumulado das suspensões, enquanto a Noble mantém contratos de perfuração tanto no mercado brasileiro quanto em outras regiões produtoras de petróleo e gás.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

