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Equipamentos capazes de suportar 20 mil psi levam bp e TechnipFMC a ampliar parceria para extrair petróleo de reservatórios extremos no fundo do mar
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/10/2026 às 15:57
Atualizado em 22/10/2026 às 16:02
Petróleo e Gás
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bp e TechnipFMC firmam acordo para sistemas submarinos de 20 mil psi e avançam em projetos de petróleo que somam US$ 10 bilhões no Golfo do México.
A pressão encontrada nas reservas profundas do Golfo do México está levando a indústria petrolífera a desenvolver equipamentos capazes de trabalhar em condições extremas, muito abaixo da superfície do mar. A britânica bp e a fornecedora de tecnologia offshore TechnipFMC anunciaram uma nova parceria para ampliar o uso de sistemas submarinos preparados para suportar até 20 mil libras por polegada quadrada de pressão, conhecidos como equipamentos 20K. Segundo a TechnipFMC, em comunicado publicado em 20 de outubro de 2026, o acordo permitirá que as empresas estudem novos fornecimentos e desenvolvam soluções para projetos localizados em uma região geológica conhecida como Paleógeno. A colaboração acompanha investimentos bilionários destinados à exploração de petróleo em reservatórios de alta pressão.
Duas gigantes ampliam parceria para controlar poços de petróleo em condições extremas
A TechnipFMC assinou um memorando de entendimento com a BP Exploration & Production, subsidiária da petrolífera britânica.
O documento estabelece uma estrutura de cooperação para o possível fornecimento de sistemas submarinos capazes de suportar pressões de até 20 mil psi.
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Esses equipamentos serão considerados em futuros projetos de desenvolvimento petrolífero da bp no Golfo do México, também chamado oficialmente pelo governo americano de Golfo da América.
A intenção é identificar oportunidades de fornecimento ainda nas primeiras etapas dos empreendimentos.
As empresas também pretendem trabalhar juntas no desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas em diferentes projetos, sem precisar criar soluções completamente novas para cada campo.
Pressão de 20 mil psi exige equipamentos especiais para controlar a produção
A sigla psi significa libra-força por polegada quadrada. É uma unidade utilizada para medir a pressão de líquidos e gases.
Um equipamento classificado para 20 mil psi foi projetado para resistir a aproximadamente 1.379 bar, uma pressão muito superior à encontrada em instalações industriais comuns.
No fundo do oceano, essas estruturas precisam controlar petróleo e gás que chegam dos reservatórios por poços perfurados nas rochas.
A pressão pode ser elevada, e os equipamentos precisam manter o controle do fluxo durante as diferentes etapas da produção.
O valor de 20 mil psi corresponde à capacidade nominal dos sistemas. Não significa que todos os poços envolvidos operem constantemente nessa pressão.
Árvores de Natal submarinas controlam a passagem de petróleo no fundo do oceano
O principal equipamento mencionado no acordo é conhecido na indústria como árvore de Natal submarina.
Apesar do nome, trata-se de uma estrutura metálica formada por válvulas, conexões e mecanismos de controle.
Assista o vídeo
Ela é instalada sobre o poço de petróleo, no fundo do mar, para controlar a passagem dos fluidos extraídos. Suas válvulas permitem regular o fluxo e interromper a produção quando necessário.
Os sistemas também precisam suportar as condições de temperatura e pressão encontradas nas operações.
A fabricação exige materiais resistentes, testes e mecanismos capazes de manter a segurança durante anos de funcionamento. Uma falha em um componente localizado a grandes profundidades pode exigir uma operação complexa de manutenção, com embarcações e robôs submarinos.
Reservas do Paleógeno exigem tecnologias diferentes das utilizadas em campos convencionais
Os projetos da bp estão concentrados em uma região geológica que reúne reservatórios formados há dezenas de milhões de anos.
Essas estruturas pertencem ao chamado Paleógeno e podem apresentar condições de pressão e temperatura mais severas que as de outros campos já desenvolvidos.
Parte dos reservatórios está localizada sob grandes camadas de rochas, abaixo do leito oceânico. A dificuldade não está apenas na profundidade da água.
Os poços precisam atravessar formações geológicas até alcançar os locais onde o petróleo está acumulado.
A TechnipFMC considera os sistemas de 20 mil psi necessários para ampliar as possibilidades de desenvolvimento desses recursos.
A companhia já possui experiência no fornecimento de equipamentos destinados a operações de alta pressão.
Projeto Kaskida prevê plataforma capaz de produzir 80 mil barris de petróleo por dia
A cooperação entre as empresas começou antes do novo memorando. Em outubro de 2024, a TechnipFMC recebeu um contrato para fornecer sistemas submarinos destinados ao desenvolvimento de Kaskida.
O projeto pertence integralmente à bp e está localizado no Golfo do México, aproximadamente 400 quilômetros a sudoeste de Nova Orleans.
A primeira fase prevê seis poços de produção conectados a uma nova plataforma flutuante. A unidade terá capacidade para produzir até 80 mil barris de petróleo por dia.
Segundo o planejamento divulgado pela petrolífera, a entrada em operação está prevista para 2029.
O contrato da TechnipFMC inclui árvores de Natal submarinas, equipamentos de distribuição e estruturas utilizadas para transportar o petróleo até a instalação de produção.
Segunda plataforma deverá acrescentar outros 80 mil barris diários a partir de 2030
Depois de Kaskida, a bp aprovou o desenvolvimento do projeto Tiber-Guadalupe, também no Golfo do México. A decisão final de investimento foi anunciada em setembro de 2025.
O projeto prevê a instalação de outra plataforma flutuante, com capacidade para produzir 80 mil barris de petróleo por dia.
A estrutura deverá receber a produção de seis poços no campo de Tiber e de outros dois poços conectados a partir de Guadalupe.
O início das operações está previsto para 2030. Consideradas juntas, as plataformas de Kaskida e Tiber terão capacidade projetada de 160 mil barris diários.
Essa quantidade corresponde à capacidade planejada das instalações, não a uma produção já alcançada.
Investimentos de US$ 10 bilhões sustentam expansão petrolífera da bp
Os dois empreendimentos fazem parte de um programa de investimentos de grande porte. A bp estima aplicar aproximadamente US$ 10 bilhões no desenvolvimento de Kaskida e Tiber-Guadalupe. omente o segundo projeto possui investimento estimado em US$ 5 bilhões.
A petrolífera também identifica cerca de 10 bilhões de barris de recursos petrolíferos descobertos nas áreas do Paleógeno que pretende desenvolver.
Esse número representa petróleo identificado nas formações geológicas e não deve ser confundido com reservas comprovadamente recuperáveis.
A quantidade que poderá ser extraída dependerá das condições técnicas e econômicas de cada projeto. As novas instalações fazem parte da estratégia da bp de ampliar a produção em águas profundas nos Estados Unidos.
Contrato anterior de até US$ 800 milhões já envolve equipamentos submarinos de alta pressão
Em janeiro de 2026, a TechnipFMC confirmou que havia recebido um contrato para trabalhar no desenvolvimento de Tiber.
O acordo possui valor estimado entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões, conforme a classificação financeira divulgada pela fornecedora.
O trabalho inclui engenharia, aquisição de materiais, construção e instalação de sistemas submarinos. Na indústria offshore, esse modelo é conhecido como iEPCI.
A contratação permite que uma mesma empresa coordene diferentes etapas do desenvolvimento, desde o projeto técnico até a instalação no mar.
O novo memorando de outubro não substitui esse contrato. Trata-se de uma cooperação adicional, destinada a avaliar oportunidades futuras e ampliar o uso das soluções de 20 mil psi.
Plataforma Tiber poderá aproveitar mais de 85% do projeto utilizado em Kaskida
Uma das estratégias adotadas pela bp consiste em repetir soluções industriais já desenvolvidas para projetos anteriores.
No caso de Tiber, a empresa informou que pretende reutilizar mais de 85% do projeto de engenharia empregado em Kaskida. A decisão permite aproveitar equipamentos e sistemas conhecidos pelas equipes responsáveis pela construção.
Esse processo também pode reduzir a necessidade de elaborar novos desenhos técnicos e repetir determinadas etapas de desenvolvimento.
Para a TechnipFMC, a fabricação de sistemas padronizados representa uma oportunidade de organizar encomendas e produzir componentes semelhantes para diferentes empreendimentos. A empresa pretende ampliar essa abordagem nos próximos projetos submarinos de alta pressão.
Padronização poderá reduzir atrasos na fabricação de equipamentos offshore
A fabricação de equipamentos destinados a poços de alta pressão exige planejamento cuidadoso. Válvulas, conexões e sistemas de controle precisam passar por testes antes de seguir para instalação.
Quando cada projeto utiliza componentes diferentes, fabricantes precisam desenvolver soluções específicas e preparar novas etapas de produção.
A padronização permite repetir parte dos procedimentos e aproveitar experiências anteriores. Doug Pferdehirt, presidente e diretor-executivo da TechnipFMC, afirmou que a colaboração busca aumentar a previsibilidade dos cronogramas e melhorar o desempenho dos projetos.
O executivo destacou a intenção de combinar tecnologias já desenvolvidas com métodos de execução que possam ser repetidos.
Próximas etapas dependerão dos cronogramas das plataformas Kaskida e Tiber
O planejamento da bp estabelece dois marcos importantes para os próximos anos. Kaskida deverá iniciar a produção em 2029, enquanto Tiber-Guadalupe tem entrada em operação prevista para 2030.
Antes disso, as empresas precisam concluir a fabricação dos equipamentos, instalar os sistemas submarinos e preparar os poços para produzir.
A cooperação anunciada em outubro poderá alcançar outros projetos da região, caso novas oportunidades sejam identificadas.
A TechnipFMC e a bp ainda não divulgaram quando pretendem transformar o memorando em novos contratos de fornecimento.
Com US$ 10 bilhões previstos para os dois empreendimentos e equipamentos projetados para pressões de até 20 mil psi, a indústria offshore se prepara para uma nova etapa de exploração em águas profundas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

