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Escavaram mais de 18 milhões de metros cúbicos para abrir um canal de 9,6 quilômetros em São Paulo que permite até inverter o sentido da água
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 16/10/2026 às 13:04
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O canal de Pereira Barreto conecta reservatórios no interior paulista e integra uma hidrovia que depende também de eclusas para a navegação. Sua construção exigiu escavações, explosivos, drenagem e uma nova ponte. A corrente pode mudar de direção conforme os níveis da água nos sistemas ligados ao Tietê e Paraná.
Mais de 18 milhões de metros cúbicos de solo e rocha foram retirados para abrir o Canal de Pereira Barreto, no interior de São Paulo. A passagem artificial tem aproximadamente 9,6 quilômetros e uma particularidade: sua corrente pode inverter o sentido conforme mudam os níveis dos reservatórios conectados.
Segundo o canal São Paulo do Futuro, em publicação de 8 de outubro de 2026, a obra criou uma alternativa para a navegação numa região transformada por barragens. O Tietê já desemboca naturalmente no Paraná, mas essa ligação natural não resolvia os obstáculos impostos às embarcações.
Uma barragem sem eclusa exigiu outro caminho para os barcos
A barragem de Ilha Solteira não possui eclusa de navegação. Sem uma estrutura que permita às embarcações vencer a diferença de altura, a barragem interrompe a passagem dos barcos por aquele trajeto.
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O canal abriu uma alternativa entre o reservatório de Três Irmãos, no Tietê, e a região do rio São José dos Dourados, conectada ao reservatório de Ilha Solteira. A função era integrar os sistemas por um percurso artificial, aproveitado pela hidrovia.
O corredor tem cerca de 50 metros de largura
O Canal de Pereira Barreto tem aproximadamente 50 metros de largura. Sua profundidade varia entre cerca de 8 e 12 metros, conforme o nível dos reservatórios.
A ligação já estava prevista em um decreto federal de 1976 relacionado ao aproveitamento do baixo Tietê, segundo a fonte. As obras começaram no início da década de 1980, quando foi necessário transformar o traçado planejado em uma passagem escavada.
Mais de 18 milhões de metros cúbicos saíram do terreno
As máquinas retiraram primeiro o solo encontrado no caminho. Em trechos com arenito, a escavação exigiu perfuração da rocha e uso de explosivos para permitir o avanço da obra.
O volume total removido ultrapassou 18 milhões de metros cúbicos. A construção envolveu materiais diferentes e técnicas que precisaram acompanhar as condições encontradas ao longo do percurso.
A água subterrânea chegou antes de a passagem ficar pronta
O lençol freático e as áreas saturadas dificultaram o trabalho das máquinas pesadas. Para continuar a escavação, as equipes precisaram abrir valetas, instalar bombas e organizar a drenagem.
Nas proximidades dos reservatórios, houve dragagem subaquática e uso de estruturas temporárias para controlar a entrada de água. Essas intervenções permitiam trabalhar nas áreas que ainda estavam em construção.
Uma rodovia ganhou ponte sobre o futuro canal
Uma rodovia atravessava a faixa escolhida para a obra. A solução foi construir uma ponte com um grande vão central, deixando espaço para a passagem das embarcações.
As detonações nas proximidades dessa estrutura precisaram ser controladas e monitoradas. O cuidado buscava reduzir os riscos que os explosivos poderiam representar para as construções próximas.
A diferença entre os níveis pode inverter a corrente
A água não precisa circular sempre no mesmo sentido pelo canal. Quando a relação entre os níveis dos reservatórios muda, as condições hidráulicas podem fazer o fluxo seguir na direção oposta.
A inversão não depende de uma grande bomba acionada para empurrar a água de volta. A diferença de nível explica o movimento, e a velocidade da corrente também influencia as condições de navegação.
Duas eclusas vencem quase 50 metros em Três Irmãos
As eclusas de Três Irmãos fazem parte da infraestrutura associada ao Tietê e são estruturas distintas do Canal de Pereira Barreto. Separadas por um trecho intermediário, as duas permitem superar uma diferença de nível próxima de 50 metros.
Nas eclusas, a embarcação entra em uma câmara e acompanha a subida ou a descida da água. Quando o nível se aproxima daquele encontrado no trecho seguinte, o portão pode ser aberto para a viagem continuar.
A hidrovia conecta o transporte de grãos a outras rotas
O canal integra a Hidrovia Tietê–Paraná, utilizada por comboios fluviais para movimentar cargas pelo interior. Grãos estão entre os produtos que podem percorrer trechos sobre a água antes de seguir por outros meios de transporte.
A hidrovia funciona em conjunto com os demais modos de transporte. Seu aproveitamento depende da ligação entre rios, reservatórios, canais e eclusas, além das condições operacionais de cada trecho.
O projeto também envolveu o aproveitamento da água para energia
A relação entre Três Irmãos e Ilha Solteira fazia parte de um planejamento de aproveitamento hidráulico. A concepção do empreendimento mudou durante seu desenvolvimento, e Três Irmãos também recebeu geração hidrelétrica própria.
A conexão passou a reunir funções de navegação e operação hidráulica. Seu papel, portanto, vai além de oferecer um caminho para os barcos entre os dois sistemas.
Propriedades rurais precisaram de soluções para manter acesso à água
O traçado atingiu partes de propriedades rurais, incluindo áreas usadas para acesso à água e atividades com animais. A execução exigiu medidas para atender quem dependia desses espaços.
Cisternas, bombas, reservatórios e bebedouros estiveram entre as soluções mencionadas pela fonte. A intervenção alterou tanto a circulação das embarcações quanto condições de uso das áreas atravessadas.
Inauguração em 1990 e integração em 1992 marcam etapas diferentes
A publicação atribui à operadora de Três Irmãos a informação de que a inauguração do canal ocorreu em 1990. Também cita o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT, ao situar a conclusão da integração entre os reservatórios em 1992.
As datas se referem a marcos diferentes do empreendimento. A passagem artificial consolidou uma conexão que, conforme o relato, continua em funcionamento mais de três décadas depois.
A operação depende de manutenção e do restante da hidrovia
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A manutenção envolve drenagem, controle da vegetação, retirada de sedimentos e recuperação de estruturas. A fonte menciona projetos de limpeza e restauração, sem informar valores ou um cronograma detalhado.
A hidrovia também depende dos níveis da água e do funcionamento das barragens e das eclusas. A abertura do canal ampliou as possibilidades de transporte, mas a continuidade das viagens exige condições adequadas em todo o percurso.
Na sua opinião, a manutenção das hidrovias deveria receber mais atenção para ampliar o transporte de cargas no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

