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Estaleiro chinês surpreende o setor naval ao conquistar US$ 5,36 bilhões em novas encomendas em apenas nove meses e atingir 218% da meta anual com navios porta-contêineres
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 26/10/2026 às 22:42
Atualizado em 26/10/2026 às 22:45
Indústria Naval
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A CSSC Offshore & Marine Engineering acumulou 35,799 bilhões de yuans em contratos até setembro de 2026, mais que o dobro de sua meta para o ano inteiro, enquanto a construção de porta-contêineres de diferentes capacidades impulsiona sua carteira de encomendas e as perspectivas de lucro.
A indústria naval da China alcançou uma marca expressiva em 2026. A CSSC Offshore & Marine Engineering (Group) Company Limited, conhecida como COMEC, conquistou aproximadamente US$ 5,36 bilhões em novas encomendas de construção naval em apenas nove meses, superando com três meses de antecedência a meta estabelecida para o ano inteiro.
O resultado foi comunicado ao mercado em 20 de outubro de 2026 e corresponde a 35,799 bilhões de yuans em contratos acumulados entre janeiro e setembro.
A meta originalmente estabelecida pela companhia era de 16,424 bilhões de yuans. Com o volume contratado até setembro, a empresa atingiu 217,97% do objetivo anual, ultrapassando a previsão em aproximadamente 19,375 bilhões de yuans.
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Os números foram divulgados à Bolsa de Hong Kong e repercutidos pelo portal especializado Container News. O desempenho foi impulsionado principalmente por encomendas de navios porta-contêineres, com diferentes capacidades de transporte.
O resultado chama atenção porque a companhia não precisou esperar o encerramento do ano para dobrar seu objetivo comercial. Em setembro, a carteira de novos contratos já estava muito acima do planejamento elaborado anteriormente.
Meta era de US$ 2,46 bilhões, mas encomendas ultrapassaram US$ 5,36 bilhões
O planejamento para 2026, apresentado pela COMEC em seu relatório anual de 2025, estabelecia uma meta de aquisição de contratos equivalente a 16,424 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 2,46 bilhões pela conversão utilizada na divulgação dos resultados.
Nove meses depois, as encomendas já somavam cerca de US$ 5,36 bilhões.
Isso significa que a empresa contratou aproximadamente US$ 2,9 bilhões além do volume originalmente esperado para o ano inteiro.
A diferença é relevante porque a construção naval funciona com um ciclo de produção relativamente longo. Contratos firmados hoje podem exigir anos de fabricação, aquisição de componentes, montagem, testes e entregas.
Assim, uma carteira elevada de novas encomendas oferece perspectiva de atividade para os próximos períodos, embora o dinheiro contratado não represente receita integralmente recebida.
O comunicado apresentado pela companhia informa que os contratos foram obtidos durante suas operações comerciais normais e passaram pelos procedimentos internos de aprovação.
A empresa também projeta impactos positivos sobre seu fluxo de caixa e seus resultados operacionais futuros, conforme os contratos forem executados.
Navios de 1.900 a 6.400 contêineres estão entre os projetos contratados
Uma das principais características das novas encomendas é a variedade de tamanhos dos navios previstos para construção.
A COMEC informou contratos envolvendo embarcações porta-contêineres de quatro capacidades:
- 1.900 TEU
- 3.000 TEU
- 5.300 TEU
- 6.400 TEU
TEU é a unidade utilizada internacionalmente para representar a capacidade de transporte equivalente a um contêiner padrão de 20 pés.
Um navio de 6.400 TEU, por exemplo, possui capacidade nominal equivalente a 6.400 contêineres de 20 pés, considerando as características e limitações operacionais da embarcação.
Esses modelos atendem diferentes segmentos do transporte marítimo, incluindo serviços regionais e rotas internacionais que utilizam navios de porte intermediário.
Os contratos divulgados não identificaram todos os armadores envolvidos, a quantidade de embarcações por categoria, os preços individuais ou os cronogramas de entrega.
Também é importante observar que os US$ 5,36 bilhões correspondem ao total de novas encomendas da companhia nos nove meses, e não exclusivamente ao valor dos porta-contêineres mencionados no comunicado.
A diversidade de capacidades ajuda a explicar o posicionamento comercial da COMEC. A empresa não depende apenas de um modelo de grande porte e participa de segmentos nos quais diferentes companhias de navegação buscam embarcações adequadas às características de suas rotas.
Empresa já havia conquistado 55 encomendas de navios no primeiro semestre
O desempenho registrado até setembro foi precedido por um primeiro semestre particularmente movimentado.
Segundo o relatório intermediário de 2026 da própria COMEC, a empresa havia conquistado, até junho, contratos para 55 novos navios, distribuídos em oito categorias, com predominância de porta-contêineres.
O valor das novas encomendas naquele período chegou a 20,165 bilhões de yuans, o equivalente a 122,8% da meta anual.
Isso significa que a companhia já havia superado seu objetivo comercial antes mesmo de chegar à metade final do ano.
Entre janeiro e junho, a empresa também concluiu e entregou 18 embarcações, representando aproximadamente 882,4 mil toneladas de porte bruto. As entregas incluíram porta-contêineres e navios destinados ao transporte de cargas pesadas.
Ao encerramento do semestre, sua carteira de pedidos ainda não executados totalizava aproximadamente 74,5 bilhões de yuans, incluindo 173 embarcações e uma unidade de equipamentos offshore.
Esses números ajudam a colocar os resultados de setembro em perspectiva. O crescimento não se limitou a alguns contratos isolados: a companhia já vinha ampliando encomendas e realizando entregas durante os primeiros meses de 2026.
Projeção de lucro aumenta até 90,8% com expansão da construção naval
O crescimento das encomendas também acompanha uma perspectiva de melhora nos resultados financeiros.
De acordo com a Seatrade Maritime, a COMEC projetou lucro líquido atribuível aos acionistas da controladora entre 1,10 bilhão e 1,25 bilhão de yuans nos primeiros nove meses de 2026.
Caso confirmada, essa faixa representará crescimento de aproximadamente 67,91% a 90,80% em relação ao mesmo período de 2025.
A companhia relaciona as expectativas ao fortalecimento do mercado de construção naval e à melhoria de sua eficiência operacional.
Entre as iniciativas industriais citadas estão práticas de produção enxuta, fabricação seriada de embarcações e otimização de processos produtivos.
Essas medidas podem ter importância especial em estaleiros com encomendas de modelos semelhantes. A repetição de projetos permite organizar fornecedores, métodos de fabricação e etapas de montagem com maior padronização.
O crescimento projetado do lucro, entretanto, permanece uma estimativa da empresa, diferente do volume de contratos já anunciado ao mercado.
China concentra mais de 80% das novas encomendas mundiais de navios
O avanço da COMEC acontece em um cenário de forte expansão da indústria naval chinesa.
Dados divulgados em 23 de outubro pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China mostram que o país recebeu 175,29 milhões de toneladas de porte bruto em novas encomendas de navios entre janeiro e setembro de 2026.
O volume representa crescimento de 163,2% em relação ao mesmo período de 2025.
No mercado mundial, os estaleiros chineses concentraram 81,8% das novas encomendas medidas em toneladas de porte bruto.
A construção efetivamente concluída também avançou. Nos nove primeiros meses do ano, a China entregou embarcações que somaram 58,05 milhões de toneladas de porte bruto, alta de 50,7%, equivalente a 63,6% do volume mundial.
Ao final de setembro, a carteira nacional de pedidos pendentes alcançou 399,13 milhões de toneladas de porte bruto, representando 72,4% do total global.
A diferença entre as métricas é importante: novas encomendas indicam contratos conquistados, enquanto a construção concluída mede o volume de navios efetivamente entregues.
Os números mostram que a indústria chinesa não apenas mantém uma carteira elevada de pedidos, mas também concentra parcela significativa da produção naval realizada no mundo.
Depois de superar a meta, desafio será transformar contratos em embarcações entregues
A COMEC encerrou setembro com novas encomendas equivalentes a 217,97% de sua meta anual e com perspectivas de crescimento do lucro.
O próximo desafio será executar os contratos dentro dos cronogramas estabelecidos, preservando capacidade produtiva e rentabilidade.
A própria companhia advertiu que a execução das encomendas está sujeita a fatores como mudanças regulatórias, políticas industriais, preços e condições de mercado.
Na construção naval, contratos bilionários não representam navios prontos. Cada projeto ainda precisa atravessar processos de fabricação, aquisição de equipamentos, integração de sistemas e testes antes da entrega ao armador.
Para a COMEC, o resultado de 2026 já representa uma conquista comercial expressiva. A capacidade de converter esse volume em embarcações entregues será determinante para que o crescimento das encomendas se reflita nos resultados financeiros dos próximos anos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

