Faça um comentário
5 min de leitura
Etanol de milho pode dobrar produção e alcançar até 45% do mercado brasileiro em dez anos, projeta Pekelman, presidente da Unem
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 06/10/2026 às 19:47
Atualizado em 06/10/2026 às 19:48
Biocombustíveis Renováveis
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Etanol de milho pode alcançar 20 bilhões de litros e responder por até 45% da produção nacional na próxima década, segundo projeção da Unem.
O etanol de milho pode acrescentar cerca de 10 bilhões de litros à produção brasileira ao longo dos próximos dez anos, praticamente duplicando o volume atual, estimado em aproximadamente 10 bilhões de litros. A projeção foi apresentada por Amauri Pekelman, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), que vê espaço para o combustível ampliar sua participação dos atuais 30% para algo entre 40% e 45% de todo o etanol produzido no país.
A estimativa acompanha a rápida expansão observada recentemente. Em entrevista ao Canal Rural, Pekelman informou que o segmento acumulou um ritmo médio de crescimento de 37% ao ano nos últimos cinco anos. A participação atual, segundo ele, foi construída em aproximadamente nove anos, enquanto a parcela restante da produção brasileira continua ligada principalmente à cana-de-açúcar.
Preço do milho ocupa a maior parcela da conta das usinas
O crescimento da produção não depende apenas da construção de novas biorrefinarias. O custo da matéria-prima possui influência direta na viabilidade econômica das unidades.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Segundo Pekelman, o milho representa cerca de 80% dos custos envolvidos na fabricação do combustível. Para comparação, a cana-de-açúcar responde por aproximadamente 60% dos custos na produção baseada nessa cultura.
Esse peso torna o preço do cereal um dos fatores relevantes para a viabilidade econômica das usinas.
Uma das alternativas citadas para lidar com diferentes situações de mercado é a adoção das chamadas usinas flex, estruturas capazes de trabalhar com milho e cana-de-açúcar. A possibilidade de utilizar as duas matérias-primas permite adequar a produção conforme as condições econômicas encontradas em cada período.
Biorrefinarias aproximam a indústria das áreas produtoras
A instalação de unidades industriais nas principais regiões agrícolas também mudou a relação entre produtores de milho e compradores.
O movimento é especialmente perceptível no Centro-Oeste, onde a proximidade entre lavouras e biorrefinarias cria uma demanda local pelo grão e diminui o peso do transporte para mercados mais distantes.
Pekelman avalia que essa estrutura reduziu a dependência que o cereal possuía das exportações como destino de parte da produção. A presença das indústrias passa a oferecer outra saída comercial dentro do próprio país.
Assista o vídeo
Esse novo mercado também pode envolver contratos de prazo maior. Empresas do segmento chegam a negociar compras com duração de quatro, três ou dois anos, segundo o presidente da Unem.
Na avaliação dele, acordos dessa natureza aumentam a previsibilidade do agricultor em um ambiente sujeito a variações no preço, juros elevados e perdas decorrentes das condições climáticas.
Combustível não é o único produto retirado do milho
A indústria também gera mercadorias destinadas a outras atividades do agronegócio.
Do processamento realizado nas biorrefinarias, aproximadamente 70% está relacionado à fabricação de etanol. Uma parcela situada entre 25% e 30% se transforma em DDG, ingrediente que entra principalmente na alimentação animal. O processo resulta ainda na obtenção de óleo de milho.
O DDG possui concentração de proteína superior à do cereal em sua forma original e pode ser utilizado na alimentação de diferentes animais.
Entre as aplicações mencionadas estão:
- sistemas de confinamento de bovinos;
- nutrição de peixes;
- alimentação de aves.
A integração entre o processamento do milho e a produção de proteína animal é um dos fatores que ajudam a explicar a concentração de novas biorrefinarias no Centro-Oeste, região que reúne grandes volumes de produção do cereal e importantes polos da pecuária brasileira.
Demanda das usinas pode alterar produção brasileira de milho
A perspectiva de dobrar a fabricação do etanol de milho significa também aumentar a quantidade de cereal destinada ao processamento industrial.
Para Pekelman, essa procura doméstica poderá estimular um crescimento expressivo da produção agrícola brasileira.
O executivo considera inclusive a possibilidade de, dentro de aproximadamente uma década, o país passar a colher uma quantidade de milho superior à de soja.
A projeção está associada ao avanço da demanda das biorrefinarias e ao mercado criado pelos diferentes produtos obtidos durante o processamento do cereal.
Ano de 2026 combina custos maiores e preços pressionados
As expectativas de expansão para a próxima década convivem com um cenário mais difícil no presente.
Pekelman avaliou 2026 como um ano difícil para a indústria, marcado por custos maiores e preços pressionados. De um lado, despesas agrícolas aumentaram; de outro, o setor encontra limitações para repassar integralmente essa alta aos preços do etanol.
Entre os componentes que encareceram a produção estão a mão de obra e os fertilizantes.
O preço da gasolina no mercado brasileiro também influencia essa equação, já que restringe o espaço disponível para aumentos do biocombustível.
Além dos custos operacionais, os juros são apontados como uma dificuldade adicional. Taxas elevadas tornam o crédito mais caro para quem pretende investir e aumentam a exposição financeira dos produtores quando há perdas provocadas pelo clima.
Mistura na gasolina entra no planejamento de novos investimentos
A participação do etanol anidro na gasolina é outro ponto observado pelas empresas que projetam expansões.
Pekelman afirmou que aumentos no percentual precisam passar por avaliações técnicas sobre seus efeitos nos veículos. A legislação permite alcançar uma mistura de até 35%, desde que sejam realizados os estudos necessários.
Para o setor, entretanto, a estabilidade das regras também tem importância econômica.
Para quem realiza investimentos no setor, a previsibilidade das regras é importante para as decisões relacionadas ao crescimento da produção e à aplicação de novos recursos. Por isso, o presidente da Unem citou preocupação com uma eventual redução futura da mistura para níveis como 27% ou 25%.
A previsibilidade regulatória, na avaliação apresentada por ele, entra nas decisões relacionadas ao crescimento da capacidade produtiva.
Etanol pode servir de matéria-prima para combustível de aviação
O uso projetado para o combustível também pode avançar além dos automóveis.
Na aviação, o etanol pode participar da fabricação de SAF, combustível sustentável desenvolvido para aeronaves. Nesse caso, o produto não seria utilizado diretamente nos aviões, mas funcionaria como matéria-prima dentro de processos industriais específicos.
Pekelman também apontou possibilidades relacionadas ao transporte marítimo, ampliando o alcance do biocombustível para além das aplicações terrestres.
A expectativa da Unem combina essas novas utilizações com a expansão das biorrefinarias e o aumento do consumo brasileiro de milho.
Fonte
canal rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

